Polícia segue ameaçando famílias do Quilombo Campo Grande, no sul de Minas

Desde o início de ontem, os trabalhadores rurais tem mantido erguidas barricadas para impedir o avanço da repressão sobre a comunidade.

Foto: Reprodução/MST

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra () denunciou, na manhã desta quinta-feira (13), que a Polícia Militar segue no Quilombo Grande, em do Meio, sul de , ameaçando despejar os moradores. A operação de remoção foi iniciada no início da quarta-feira (12), mas não conseguiu se concretizar, graças à dos sem-tera no local e à mobilização nas redes sociais.

Após a pressão, o governador (Novo) fez uma publicação no Twitter na tarde de ontem dando a entender que a remoção seria suspensa. Apesar do anúncio, no entanto, o tenente-coronel da PM que comanda o efetivo de cerca de 200 agentes destacado para a região afirmou a parlamentares da oposição que “não recebeu nenhuma ordem de suspensão e que continuará com a ação”.

“Romeu Zema foi covarde e voltou atrás na retirada da tropa. Utilizou o twitter apenas para desmobilizar a sociedade, com uma mentira! Mas ele ainda pode parar a polícia, basta um comando” criticou o MST, convocando seus apoiadores a repudiarem nas redes sociais a atitude do governador por meio da hashtag #ZemaCovarde.

Resistência

Desde o início de ontem, os trabalhadores rurais tem mantido erguidas barricadas para impedir o avanço da repressão sobre a comunidade. Apesar dos esforços, um barracão coletivo onde moravam três famílias chegou a ser destruído. Outras seis famílias também estavam em risco iminente. Os sem-terra avaliam que a ação é porta de entrada para o desmonte do acampamento, que é local de trabalho e moradia para 450 famílias há mais de vinte e três anos.

O MST denuncia ainda que o endereço do local para onde os desabrigados deveriam ser encaminhadas não existe. Ao longo das negociações, o governo chegou até mesmo a fazer a absurda “proposta” de levá-los para a Vila Vicentima, onde está concentrada a maioria de casos de coronavírus do município.

“Não recuaremos um centímetro da decisão de lutar. Esse despejo em plena pandemia é um desrespeito a vida e a dignidade humana”, protestou o movimento social.

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