Os assassinatos aconteceram na vila de casas onde moravam, no bairro Japuíba. Homem foi preso enquanto tentava fugir para Barra Mansa.

O casal Iasmym Nascimento de Souza da Silva, de 20 anos, e Caio Dantas Moura, homem trans de 23 anos, foi morto a facadas por um vizinho no último sábado (16), em Angra dos Reis, no . O assassino é Itamar Bernardo da Silva, de 44 anos.  O crime aconteceu numa vila de casas na rua Matelândia, no bairro Japuíba, depois de Itamar assediar Iasmym. Caio foi atacado enquanto tentava defender a namorada.

O assassino fugiu, mas foi localizado por volta das 8 horas da manhã de sábado (16) na RJ-155 (Rodovia Lúcio Meira), em um ponto de ônibus e está preso. Itamar, que estava tentando fugir para Barra Mansa, era foragido e tinha um mandado de prisão em aberto, por uma tentativa de homicídio contra um homem em Araxá, .

Depoimento de testemunhas dão conta de que Itamar demonstrava incômodo com o relacionamento do casal, importunando-o em outras ocasiões. Apesar disso, o delegado do caso, Marcelo Russo, prestou declarações à imprensa afirmando “não ser um crime de ódio”, mas sim um “duplo homicídio comum”. O registro da ocorrência feito pela polícia também desrespeitou a identidade de gênero de Caio, se referindo à vítima pelo seu nome de registro.

 

Itamar Bernardo da Silva / Foto: Divulgação

A presidente da Comissão de Diversidade Sexual da OAB de Santa Catarina, Margareth Menezes, explica que “por mais que o Caio se identificasse como um homem e usasse um nome social masculino, juridicamente ele é considerado uma mulher, já que não completou a transição de gênero e provavelmente não chegou a alterar o nome nos documentos”. A advogada especialista em direitos LGBT vê na morte de Caio e Iasmym um quadro tipíco de crime de ódio por .

“Ao ser rejeitado [por Iasmym] e ver aquelas duas mulheres juntas, como entendia que Caio era uma mulher, partiu para a agressão. É um crime de ódio por gênero e orientação sexual”, afirma.

A OAB de Santa Catarina deve enviar uma carta aos cuidados da Comissão de Diversidade Sexual da Ordem no Rio de Janeiro pedindo que pressione as investigações em Angra dos Reis. “Queremos evitar certa má vontade da polícia.”

Familiares de Iasmym, que vivem na região metropolitana de Florianópolis, tiveram que lidar com outro obstáculo além do luto pela perda da jovem: os custos do transporte do corpo por mais de mil quilômetros para o velório gira em torno de 7 mil reais. A solução foi criar uma vaquinha on-line que, em quatro dias, superou o montante inicial e chegou aos 11,5 mil reais. Segundo Ednei Mascaro, padrinho da jovem, o valor excedente será doado à família de Caio.

Iasmyn, 20 anos, e o namorado Caio, 24 / Foto: arquivo pessoal

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