Resistência Mapuche enfrenta repressão policial em protesto no Chile

Após o início da "Marcha Mapuche", a polícia antidistúrbio começou a atuar com repressão para dispersar o ato; manifestantes responderam com o lançamento de pedras, paus e outros objetos.

Durante a "Marcha pela Resistência Mapuche e pela Autonomia dos Povos", manifestante enfrenta carros da polícia com uma funda em Santiago, capital chilena, 10/10/2021 — Foto: @primeralineaprensa

Manifestantes que realizavam ato de apoio à população mapuche, a maior etnia indígena do Chile, entraram em confronto com a polícia, que recuou em diversos momentos, com dezenas de agentes feridos.

Dez pessoas foram detidas, segundo a imprensa local.

A “Marcha pela Resistência e pela Autonomia dos Povos”, convocada através das redes sociais, reuniu cerca de 1.000 pessoas na Praça Itália, no centro de Santiago. Em seguida, os manifestantes partiram em direção à Alameda, principal avenida da capital chilena.

O ato contou com representantes de comunidades indígenas, na maioria mulheres, e muitas pessoas utilizando os trajes típicos Mapuche. A bandeira Wenüfoye foi o principal símbolo utilizado no protesto.

Os cartazes carregados pelos manifestantes traziam frases como “Liberdade aos presos políticos” e “Mais de 500 anos de luta”, além de outros que faziam menção ao Dia Nacional dos Povos Originários, celebrado no Chile em 12 de outubro. Inscrições como “Wallmapu (território mapuche) livre”, ou “eles não vão deter nossa legítima luta”, uma alusão ao conflito histórico entre os indígenas e o Estado chileno, também fizeram parte de faixas e cartazes.

Após o início da marcha, a polícia antidistúrbio começou a atuar com para dispersar a manifestação, com jatos de água e bombas de gás lacrimogêneo, contendo aqueles que tentavam chegar ao Cerro Santa Lucía, um importante ponto de Santiago, para realizar uma cerimônia.

Alguns manifestantes responderam a ação das forças de com o lançamento de pedras, paus e outros objetos.

As reivindicações mapuches ganharam força nos protestos após a eclosão social nas ruas chilenas, em 18 de outubro de 2019. Esta população nativa exige a restituição de terras no sul do país, as quais consideram suas por direito ancestral e que foram entregues ao setor privado, principalmente a silvicultores.

Conflito

No sul do Chile existe há várias décadas o chamado “conflito mapuche”, uma crise política entre as comunidades da etnia indígena, o governo do país e empresas que exploram terras consideradas ancestrais.

Os reclamam o território que habitaram durante séculos, antes da ocupação à força pelo Estado, no fim do século 19. Desde a ditadura de Augusto Pinochet, grande parte da região acabou ficando sob controle do Estado e empresas privadas.

Se tornaram frequentes, assim, ataques contra máquinas e edifícios. Inúmeros mapuches foram mortos em confrontos com agentes do governo, assim como policiais. Além disso, os indígenas consideram os detidos como presos políticos.

Em 2017, incêndios acontecidos nas plantações florestais do Chile demonstrou o contexto de expansão do negócio exportador de celulose e de integração progressiva do território centro e sul do país à cadeia produtiva que, a partir de 1973, impõe crescente abandono das culturas destinadas à produção de alimentos para consumo interno.

A onda de incêndios nas regiões do centro e sul resultaram em mais de uma dezena de mortos e destruição de quase 300 mil hectares.

As comunidades lutam pela recuperação de seus territórios e suas práticas econômicas, que constituem uma fronteira material e ideológica a essa integração do capitalista. Os incêndios, cujos prejuízos afetaram fundamentalmente os pequenos e médios produtores, revelam de maneira escancarada o caráter destrutivo da matriz produtiva exportadora, cujo viés extrativista se afirma sobre atividades econômicas agropecuárias que predominavam desde o período colonial.

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Manifestantes fazem uma espécie de ” Imagens do conflito com as forças de durante a “Marcha pela Resistência e pela Autonomia dos Povos” em Santiago, no dia 10 de outubro — Foto: @primeralineaprensa

A Convenção Constituinte – que marca 100 dias nesta terça-feira (12) desde que começou a redação de uma nova Constituição para o país – é presidida pela acadêmica mapuche Elisa Loncon. Do total de seus 155 membros, 17 são representantes de dez povos indígenas.

Sete constituintes representam o povo mapuche, que espera resolver as demandas indígenas na nova Carta Magna. 

A falta de uma solução para as reivindicações mapuches causou uma escalada da violência na última década nas regiões de La Araucanía, Biobío e Los Ríos, com revoltas populares e ataques incendiários.

Também veio à tona a presença de organizações do narcotráfico e de milícias de autodefesa, bem como de operações policiais montadas para culpar os indígenas.

Mídia1508

A 1508 é um coletivo de jornalismo independente anticapitalista, dedicado a expor as injustiças sociais brasileiras e a noticiar as mobilizações populares no Brasil e no mundo.

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