Foi preso, por volta das 17h30 desta quinta-feira (18), Leo Luiz Ribeiro, que confessou ter assassinado o pedreiro Luis Ferreira da Costa, de 72 anos, militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O crime aconteceu na manhã do mesmo dia, quando Ribeiro, que é dono de uma oficina mecânica, avançou com sua caminhonete preta em alta velocidade sobre uma manifestação de famílias do acampamento Marielle Vive, em (SP).

Um vídeo gravado do lado de fora da delegacia em que acontecia o interrogatório, mostra uma discussão em que o irmão do assassino defende o atropelamento. “Tem que passar em cima!”, afirma o homem, em um momento da gravação. Assista:

O veículo utilizado no homicídio é uma caminhonete modelo Mitsubishi Hylux L-200, com placas de Valinhos. O carro foi apreendido. No painel, havia uma bandeira do Brasil.

O caso ocorreu  no quilômetro 7 da Estrada do Jequitibá. De acordo com o relato dos manifestantes, Ribeiro deixou clara sua intenção de atingir os sem-terra. Ao menos duas pessoas deram entrada no sistema de saúde municipal. Além de Luiz Ferreira da Costa, que não resistiu aos ferimentos, o jornalista Carlos Filipe Tavares, de 59 anos, sofreu escoriações e passou por exames médicos. O movimento ainda apura o número de feridos.

“O ocorria em frente ao acampamento. É uma estrada movimentada, mas eles estavam ali em denúncia à situação de falta de fornecimento de água no acampamento, distribuindo alimentos da reforma agrária e panfletos para os carros que passavam”, afirma Kelli Mafort, da direção do MST.

Mil famílias vivem no Acampamento Marielle Vive, ocupado em 14 de abril de 2018 – um mês após a execução da vereadora Marielle Franco, no – e localizado na Fazenda Eldorado Empreendimentos Ltda.

Queria o seu lugar

A diarista Vera Lúcia é uma das moradoras no local. Amiga de Costa, ela conta que os dois se conheceram quando eram vizinhos em Campinas (SP) e ele construiu a casa dela. Vera relatou que o idoso se mudou para a ocupação porque morava de favor e queria um lugar para ele.

Depois que a ocupação foi montada, ele a convenceu a ir para lá também, e ela acabou se tornando vizinha dele mais uma vez. “Ainda não caiu a ficha do que aconteceu. Ele era muito importante para mim, estou em choque”, lamentou Vera, que considerava Costa um pai.

O pedreiro deixa dez filhos e 16 netos. Aluno da escola de alfabetização de adultos do acampamento, ele iria se formar em 15 aulas. A professora da comunidade, Cícera, conta que já estava preparando uma festa de formatura para ele e seus colegas de turma.

“Nosso projeto é não deixar ninguém na ocupação analfabeto, e o Luís era muito assíduo e interessado. Ele dizia que precisava aprender a ler e escrever e não tinha dificuldade apesar da idade. Ele comemorava que já estava lendo e escrevendo”,lembrou a educadora