Ativistas e movimentos sociais realizaram um nesta segunda-feira (28) em frente à sede da Vale, em Botafogo, na Zona Sul do . Os manifestantes encheram de lama as escadas de acesso à empresa e picharam a entrada do prédio, onde fica a matriz e as filiais da Vale. A calçada foi pintada com frases como “Vale assassina” e “não foi acidente”.

Performance “a morte” de duas ativistas

Os manifestantes exigem que executivos da empresa sejam responsabilizados pelo caso e que o episódio não pode ser considerado um acidente, mas um . Palavras de ordem eram ditas em coro “Vale Assassina, Vale Assassina” e “Não foi acidente, foi crime”. Cartazes e faixas também denunciavam a privatização da empresa em 1997, que foi um das maiores roubos contra o povo brasileiro. Uma ativista coberta de lama e uma segunda, representando a morte, fizeram uma performance na frente da empresa.

Por cerca de pouco mais de 30 minutos os ativistas fecharam na rua Praia de Botafogo, na frente da sede. Ao fim do ato, alguns manifestantes atiraram lama e outros objetos contra a empresa.

A mineradora é responsável pela barragem que ruiu na última sexta-feira, dia 25, em Brumadinho, e até a noite desta quarta-feira (30) havia deixado 84 mortos e estima-se 276 desaparecidos.

Brumadinho

A barragem Mina do Feijão, administrada pela mineradora Vale, rompeu no início da tarde de sexta-feira (25/1), em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte, cobrindo o município de lama tóxica e contaminando o Rio Paraopeba com rejeitos de minério. O crime ambiental já deixou pelo menos 84 mortos e estima-se cerca de 300 desaparecidos. Números que poderiam ser menores se a sirene de emergência tivesse sido acionada no momento da enxurrada, alertando trabalhadores e moradores do risco que corriam. 

É o segundo crime ambiental em pouco mais de três anos a ter Minas Gerais como cenário e a Vale como responsável – em novembro de 2015, o rompimento de outra barragem da empresa em Mariana fez 19 mortos, além de causar um incalculável prejuízo para a região e seus habitantes.

Há anos, ambientalistas e líderes comunitários da região já denunciam os problemas da barragem, construída com a técnica mais barata e considerada a menos segura, segundo os especialistas.

O crime tem uma relação direta com o aceleramento do processo de licenças ambientais em Minas – um movimento puxado pela alta dos preços dos minérios em 2018. Na ânsia de aumentar o lucro, várias empresas do ramo – entre elas, a Vale – passaram a pressionar o governo estadual, no apagar das luzes da gestão do petista Fernando Pimentel, para obter rapidamente as autorizações necessárias para expandir suas atividades.

Em 11 de dezembro de 2018, o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam), órgão ligado ao governo mineiro, aprovou a ampliação de duas minas, em Brumadinho e Sarzedo, a despeito da dos movimentos sociais. A ambientalista Maria Tereza Viana, integrante do conselho, relatou:

“Não importa o que a gente traga de elementos e provas de que os processos não estão devidamente instruídos, que há informações inverídicas. Eles votam e aprovam.”

Os pedidos são aprovados com uma única preocupação, o lucro. Para Brumadinho, a Vale conseguiu ampliar as operações da Mina do Córrego do Feijão, uma lavra a céu aberto de minério de ferro. Em uma mesma reunião, foram concedidas as Licenças Prévia, de Instalação e de Operação.

Uma funcionária da Vale denunciou corrupção de diretores da empresa. Ao servir café ela testemunhou reuniões onde foi combinado fraude dos laudos da barragem. No momento do rompimento da barragem, na tarde do dia 25, a sirene não tocou, os moradores e os trabalhadores da mineradora não puderam ser avisados do risco que corriam.

O presidente (PSL) sobrevoou no sábado (26/1) a região afetada, segundo ele próprio, para avaliar a situação e “tomar as medidas cabíveis para minorar o sofrimento de possíveis vitimas, bem como a questão ambiental”. Ironicamente, o caso acontece pouco tempo depois de Bolsonaro ter tentado vender o como “o país que mais preserva o meio ambiente no mundo” em seu discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

“Nossa missão agora é avançar na compatibilização entre a preservação do meio ambiente e da biodiversidade com o necessário desenvolvimento econômico, lembrando que são interdependentes e indissociáveis”, afirmou na ocasião. Pura propaganda enganosa. Quem acompanha a trajetória do político de extrema direita conhece o desdém com que sempre tratou o assunto, tendo chegado, inclusive, a defender a extinção do Ministério do Meio Ambiente. Cumprindo compromisso eleitoral assumido com a bancada ruralista, seu governo tem se mostrado favorável à flexibilização do licenciamento ambiental e à ampliação da privatização dos recursos naturais.

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