“Taca Fogo!”: sem luz há três dias, moradores protestam em São Gonçalo e Niterói

Sem luz há mais de 36h, moradores de diversos bairros de Niterói e São Gonçalo foram às ruas protestar.

Sem luz há três dias, moradores protestam em São Gonçalo — Foto: Giuliana Z.

Sem luz há mais de 36h, moradores de diversos bairros de e foram às ruas protestar ontem (20/11). No Engenho do Mato (vídeo), moradores revoltados incendiaram barricadas e gritaram contra a Enel, multinacional italiana responsável pela distribuição de energia elétrica nos dois municípios, os dois maiores da região metropolitana do Rio.

Segundo relatos, a concessionária desativou os canais de comunicação com a população após uma tempestade causar queda de energia em praticamente todo o Leste Fluminense, na última sexta-feira (18). Os poucos clientes que conseguiram algum retorno pelo WhatsApp da empresa, que é respondido por um robô, contam que os prazos dados para o restabelecimento do serviço chegavam a até 48h.

“Tem uma amendoeira caída na fiação. Pegou fogo e todo mundo ficou sem luz. Isso foi sábado, antes das 20h. Até agora nada. Ninguém veio ver e estamos sem luz. Tudo estragando e a gente nesse calor desesperador”, desabafou ao jornal O uma moradora do bairro Lindo Parque.

No bairro gonçalense do Gradim, manifestantes queimaram sacolas de lixo e largaram diversos galhos de árvores na Avenida Visconde de Itaúna, importante via da região. De acordo com eles, uma equipe da Enel chegou a informar que a luz só seria religada no local na próxima sexta-feira (24). O ato que começou durante a manhã, se manteve até a noite.

No Porto da Madama, cerca de 50 pessoas fecharam a principal avenida de São Gonçalo, a Alfredo Backer, com pedaços de árvore, lixo e canos retirados de um canteiro de obras nas imediações. Empunhando fuzis de grosso calibre, policiais militares tentaram, sem sucesso, dissuadir o protesto, que era composto, em sua maioria, por mulheres e idosos.

Em Niterói, manifestações semelhantes foram registradas no centro da cidade e em bairros como o do Fonseca, onde populares atearam fogo a pneus, fechando a Alameda e a entrada da Ponte Rio-Niterói.

“Taca fogo!’ gritavam, antes de serem reprimidos com balas de borracha pela PM.

Um outro grupo protestou em frente a um caminhão da Enel, na Rua Francisco Cruz Nunes, em Pendotiba.

“E aqui um carro da Enel, olha. Um carro da Enel que disse que não tem autorização, que veio de lá de Santo Antonio de Pádua, mas que não tem autorização para mexer na redondeza, no entorno de Pendotiba”, denunciou um dos participantes.

Moradores incendiaram barricadas e gritaram contra a Enel, multinacional italiana responsável pela distribuição de energia elétrica nos dois municípios, os dois maiores da região metropolitana do Rio — Foto: Giuliana Z.

Sucateamento transnacional

Encarregada de fornecer energia a Niterói, e outros 62 municípios no Rio de Janeiro, a Enel atua ainda nos estados do e de São Paulo – onde deixou mais de 2,5 milhões e meio de pessoas sem luz durante dias no início desse mês. É controlada pelo Ministério da Economia italiano, que detém a maior parte das suas ações (23,6%).

Agora com o governo de extrema direita de Giorgia Meloni, a ordem é cortar cada vez mais custos, como forma de maximizar os lucros remetidos ao país europeu. Para isso, tem demitido milhares de funcionários e sucateando serviços essenciais, como a manutenção da rede e o atendimento de emergências.

Em São Paulo, por exemplo, já mandou embora mais de um terço dos seus antigos quadros (36%, mais de 8 mil trabalhadores). Isso mesmo com um crescimento da sua clientela de 7% e diante dos riscos representados pelo advento dos eventos climáticos extremos, cada vez mais comuns.

Segundo levantamento realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o tempo médio de espera dos consumidores paulistas para o atendimento de energia elétrica mais do que dobrou desde 2018, ano em que foi privatizado para a companhia italiana.

Questionado a respeito do apagão em São Paulo, o presidente da Enel no Brasil, Nicola Cotugno, disse que a distribuidora “está fazendo um trabalho incrível”.

Mídia1508

A 1508 é um coletivo de jornalismo independente anticapitalista, dedicado a expor as injustiças sociais brasileiras e a noticiar as mobilizações populares no Brasil e no mundo.

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