Na noite da última terça-feira (30), o acampamento Comuna Irmã Dorothy, no município cearense de Tamboril, foi alvo de um ataque incendiário. Segundo os camponeses, quatro homens não identificados atearam fogo próximo às moradias, fugindo em seguida, aos gritos, em motocicletas.  É o segundo atentado desse tipo a ocupações ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em apenas quatro dias.

De acordo com Mariana da Silva Santana, uma das coordenadoras da comuna, os acampados identificaram um primeiro foco de fogo por volta das 18h30 e rapidamente o apagaram. Cerca de uma hora depois, constataram um novo incêndio, desta vez mais próximo aos barracos onde vivem.

“Um fogaréu muito grande surgiu bem rápido, desta vez mais próximo das barracas. Como a água aqui é escassa e fica distante, não dava para levá-la até as chamas” lembra. “Quando saímos para apagar o fogo, escutamos a zoada das motos e eles nos mandando ir dormir” afirma um outro sem-terra, em um vídeo divulgado nas redes sociais.

O trabalho para apagar as chamas que o vento ameaçava espalhar pela vegetação seca avançou noite adentro e só terminou no início da madrugada do dia seguinte (31).

A descrição se assemelha aos testemunhos de um outro ataque, sofrido acampamento Sebastião Billar, em Dois Irmãos do Buriti (MS), na noite do último sábado (27). Por volta das 20h, um grupo de homens não identificados incendiou um dos barracos da caminhonete, fugindo em seguida em uma comunidade. Nos dois casos não houve registro de feridos.

Acampamento Sebastião Bilhar / Foto: Divulgação

O acampamento Comuna Irmã Dorothy ocupa uma área de cerca de 92 hectares, onde moram 33 famílias. Entre as 96 pessoas que vivem em barracos improvisados com tábuas, papelão e toda a sorte de material altamente inflamável, 43 são crianças.

“As famílias que estão aqui não têm para onde ir. Tem gente desempregada vivendo do Bolsa-Família. Outros que sequer isso conseguiram. Há quatro anos decidimos ocupar esta área devido às necessidades dessas famílias, já que os preços de imóveis são muitos caros, seja para alugar, seja para compra”, explica Mariana, lembrando que, no passado, o governo estadual chegou a prometer que adquiriria o terreno para destiná-lo a programas de reforma agrária.

O nome da ocupação é uma homenagem à missionária e ativista Dorothy Stang, assassinada em 2005 no município de Anapus, no Pará, em represália à sua luta pelo direito dos camponeses à terra.