O grupo armado Brigada Indígena contra Matones de Estancia assumiu a autoria da execução do brasileiro Avelino Camargo, que atuava como capataz de uma propriedade rural localizada no leste do Paraguai. Na noite de segunda-feira (8), cerca de 20 pessoas, portando armas longas e curtas e em trajes camuflados, atacaram a fazenda Ñandu’i, a 75 km de Pedro Juan Caballero, na fronteira com o Brasil.

Segundo relatos, o funcionário não tinha uma boa relação com as comunidades originárias da região, já tendo baleado um indígena em uma ocasião, além de ter sido acusado de ter estuprado uma jovem.  Após o justiçamento, os combatentes  incendiaram veículos e dependências do latifúndio, que pertence aos ruralistas brasileiros Darci e Iracy Antoniolli.

O ataque aconteceu por volta das 22h. Uma testemunha, que estava com Camargo minutos antes da sua morte, conta que os dois voltavam de caminhonete para a fazenda, quando foram interceptados por dois homens em trajes militares, carregando fuzis e falando em . Ele relata que o capataz tentou enfrentar a dupla, sacando sua arma e efetuando disparos, mas que acabou sendo baleado e morto.

“Dispararam uns três ou quatro tiros. Quando sai da caminhonete, um deles me seguiu e me disse para que eu não corresse” recorda.

Comentou ainda que não viu os outros guerrilheiros, mas seus vizinhos afirmam que eram cerca de 20, a maioria com traços , que tentaram tranquilizar os moradores, afirmando que seu objetivo era apenas justiçar Avelino.

Em seguida, incendiaram a sede da propriedade rural, a casa dos peões, três tratores e duas caminhonetes e expropriaram mantimentos e outros objetos. Concluída a ação, bateram em retirada, deixando os panfletos com o nome da organização, que era desconhecida até então.

Alguns meios de comunicação locais atribuíram a responsabilidade pelo ataque à insurgência marxista do Povo Paraguaio (EPP). É possível, no entanto, que essa versão não passe de mais uma tentativa da imprensa paraguaia de difamar esta guerrilha, a quem costuma taxar de “terrorista” e acusar de recrutar indígenas “à força”.

justiçamento é uma tática de luta contra capitalistas, paramilitares e agentes da repressão. Foi defendida e praticada por muitos ao longo da história. Dentre eles, o brasileiro Carlos Marighella (1911-1969). Em seu Manual do Guerrilheiro Urbano, Marighella escreve:

“É necessário que todo guerrilheiro urbano [ou rural] mantenha em mente que só poderá sobreviver se estiver disposto a matar os policiais e todos aqueles dedicados à . E se está verdadeiramente dedicado a expropriar a riqueza dos grandes capitalistas, os latifundiários e os imperialistas.”

Caminhonete queimada por guerrilheiros; ao fundo, barracão e carreta também queimados (Foto: Mbykymi Notícias)