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IPCN responde ao “capitão do mato” Sérgio Camargo

Mais do que se exibir sem pudor como uma combinação caricatural e extemporânea de um capitão do mato com espírito de feitor para servir de cão de guarda das teses classistas e racistas que há muito sustentam o genocídio do povo negro, o presidente da FP ataca a vítima para reforçar a tese esdrúxula da negação do racismo no Brasil.

Fotos: Pablo Jacob/Agência O Globo e Rafael Daguerre/1508 — Montagem: Mídia1508

Reproduzimos aqui a Nota do Conselho Diretor do IPCN (Instituto de Pesquisas das Culturas Negras), em resposta aos criminosos insultos de Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares, contra Moïse, jovem congolês assassinado em um quiosque na Barra da Tijuca.

Nota do Conselho Diretor do IPCN

Um crime bárbaro e revoltante, com repercussão internacional e que mais uma vez atualiza a triste vivência do que nos assola cotidianamente e o presidente da não exibe uma postura de indignação e de denúncia do racismo que autorizou essa barbárie e nem faz um gesto de para com a família do irmão congolês Moïse Kabagambe, mais uma vida violentada e assassinada sem pudor e a céu aberto.

É uma tragédia imensurável tê-lo a frente da Fundação Palmares. Indigno da sua missão de promoção e preservação da negra e afrobrasileira e indigno do respeito, da representatividade e da integridade que o cargo exige, o atual presidente da FP se apresenta, mais uma vez, como coluna avançada do discurso fascista e da sua pulsão de morte e indiferença, em total ausência de empatia e respeito com a vida do povo negro que deveria valorizar e defender.

Mais do que se exibir sem pudor como uma combinação caricatural e extemporânea de um capitão do mato com espírito de feitor para servir de cão de guarda das teses classistas e racistas que há muito sustentam o do povo negro, pobre e periférico, o presidente da FP ataca a vítima para reforçar a tese esdrúxula da negação do no Brasil. Esse negacionismo é expediente útil para legitimar e normalizar a violência contra a juventude negra, pobre e periférica da sociedade brasileira.

Termos repugnantes, grotescos e inaceitáveis como “vagabundagem”, “selvageria”, “modo de vida indigno” ou a requentada busca de antecedentes sociais e criminais são velhos, históricos e insustentáveis argumentos para autorizar a desumanização e vigência informal de um código de processo penal específico para o povo negro, como uma linha auxiliar no processo de sua exclusão física, social e simbólica.

Vivemos tempos de denúncia, e luta. Essa firme resistência nos manteve e nos mantêm íntegros. Não passarão.

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Instituto de Pesquisas das Culturas Negras, 12/02/22

Mídia1508

A 1508 é um coletivo de jornalismo independente anticapitalista, dedicado a expor as injustiças sociais brasileiras e a noticiar as mobilizações populares no Brasil e no mundo.

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