Fidel Castro em 1971, Cuba, aos 45 anos — Foto: Yousuf Karsh

Um Fidel que permanece em nossa memória: 95 anos de seu nascimento

Julgado pelo poder judiciário da ditadura de Batista, Fidel fará sua própria defesa judicial, em argumento final conhecido como "A história me absolverá", onde expõe as desigualdades do regime que explicam a necessidade de se rebelar contra a tirania.

Quando em 26 de novembro de 2016 o mundo estremeceu com a notícia da morte do Comandante Fidel Alejandro Castro Ruz, a máxima do herói nacional cubano, José Martí, tornou-se mais evidente do que nunca: “A morte não é verdadeira quando se cumpre bem a obra de uma vida”.

Efetivamente, e quando é necessário referir-se ao estadista mais importante que o continente americano teve em duzentos anos de independência formal, essa máxima marciana acende-se quando neste 13 de agosto comemoramos os 95 anos do nascimento daquele Fidel Castro, mais atual do que nunca.

Vida e morte de uma figura histórica, que em quase um século permeou a política da América Latina e da África em particular e com inegáveis influências no resto do planeta. E neste ano de 2021, um momento histórico em que o maior das Antilhas atravessa tempos complexos, no marco de uma pandemia sanitária que reflete plenamente o alcance da política de máxima pressão exercida pelo imperialismo e seus parceiros incondicionais – América Latina e Europeus principalmente -, lembrar Fidel é um bálsamo dentro de tanta putrefação política.

Diante do sustentado, trago à tona parte da escrita que trouxe à tona naquele infeliz mês de novembro do ano de 2016 (1) em que faleceu Fidel Castro Ruz e referi uma breve biografia deste filho de um imigrante espanhol Ángel Castro – galego da localidade de Láncara na província de Lugo, recrutado pelo exército espanhol para a contra os Mambises – que se instalou em Cuba no final do século XIX. Sua mãe, Lina Ruz, cubana residente em Pinar del Río, mas também de origem peninsular – canária – ambas de origem humilde, que pelo trabalho alcançaram uma sólida posição econômica. Dessa relação nasceu, no povoado oriental da ilha Birán, em 13 de agosto de 1926, o homem que mudaria a cara de seu país, a América Latina e que se tornaria uma das maiores figuras históricas do século XX e das primeiras décadas do XXI. Educado no estrito quadro acadêmico e disciplinar das escolas religiosas, a formação jesuíta recebida no Colégio Dolores de Santiago de Cuba e posteriormente no Colégio Belén de La Habana, da mesma Congregação, teria uma influência especial sobre ele.

Um Homem Multifacetado

Curioso Fidel, atleta – jogador de basquete, jogador de beisebol, jogador de xadrez – que apoiaria o esporte cubano através de seu governo, tornando-o referência latino-americana em Jogos Pan-americanos e competições olímpicas. Uma potência global que elevou muito o nome de Cuba no internacionalmente – aliado a esse hábito do esporte, encontramos um homem ávido por estudar, ler e treinar. Um jovem, que ao ingressar na Universidade de Havana veria explodir seu interesse pelas causas sociais, passou a ser dirigente da combativa Federação de Estudantes Universitários – FEU – onde passou a ocupar cargos de liderança, enquanto examinava de forma livre as três carreiras que se matriculou: Direito, Direito Diplomático e Ciências Sociais.

Sua vocação internacionalista ficou clara, quando em 1947, com apenas 21 anos, participou ativamente das tentativas de derrubar o ditador dominicano Rafael Trujillo, chegando a participar do desembarque de Cayo Confites, que, ao ser interceptado pelas forças do ditador, terminou com a sua morte, a dissolução e a fuga de Fidel a nado, aproveitando a sua condição física privilegiada. Em 1948, Fidel Castro, como delegado da FEU, compareceu à Colômbia na IX Conferência Interamericana – que criou a atual Organização dos Estados Americanos OEA – no âmbito da agitação social, que culminaria com a morte do candidato a presidente Jorge Eliecer Gaitán, durante a rebelião conhecida como o Bogotazo.

De volta a Cuba, a constatação de que somente a luta ativa e decidida da sociedade cubana poderia derrotar a ditadura do sargento transformado em golpista Fulgencio Batista – instrumento do governo dos Estados Unidos na ilha. Fidel Castro Ruz, junto com um grupo de 160 revolucionários, realizou o que ficou conhecido na história como ‘O Assalto ao Quartel de Moncada’, em 26 de julho de 1953. Operação que culminou com a prisão, tortura e morte de grande parte dos combatentes em atos que renderam a rejeição da sociedade cubana, garantindo que Fidel não fosse executado extrajudicialmente e acabasse na prisão junto com alguns de seus companheiros.

Julgado pelo poder judiciário da ditadura de Batista, Fidel fará sua própria defesa judicial, em argumento final conhecido como “A História Me Absolverá” (2), onde expõe as contradições do regime e as desigualdades que explicam e abordam a necessidade de se rebelar contra a tirania. Um discurso onde expõe os principais problemas de Cuba naquela época e a necessidade de resolvê-los: o problema da terra, a industrialização, a habitação, o desemprego, o problema da educação e da saúde. Um manifesto que mostrou a visão estratégica de um líder como poucos naquela época, não só em Cuba, mas também na América Latina. Fidel destacou em seu discurso:

“Quanto a mim, sei que a prisão será dura como nunca foi para ninguém, grávida de ameaças, crueldade mesquinha e covarde, mas não temo, porque não temo a fúria do miserável tirano, que tirou a vida de setenta irmãos meus. Me condene, não importa, a história me absolverá.”

Condenado a 15 anos de prisão, Fidel é libertado após 22 meses de prisão na Ilha de Pines – agora Isla de la Juventud – após uma anistia estabelecida em maio de 1955. Convertido em uma figura pública política cubana, mudou-se para o México, onde começou a se preparar com um grupo de compatriotas – onde se junta o guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara de la Serna -, um núcleo combatente que propiciará a derrubada da ditadura de Batista. Assim, após um ano de preparação, 82 combatentes a bordo do iate Granma zarparam do porto mexicano de Tuxpan em 25 de novembro de 1956, desembarcando perto de Playa de las Coloradas no Município de Niquero, na atual Província de Granma, uma semana mais tarde.

Fidel Castro em 1956, descansando em sua cama depois de ser detido pelas autoridades mexicanas da imigração por treinar tropas para o levante — Foto: Arquivo Bettmann/Getty Images

Os problemas de desembarque geraram a perda de armas e combatentes, o que obrigou o grupo revolucionário a se reagrupar e marchar em direção à Sierra Maestra, marcando assim o início da luta guerrilheira do Movimento 26 de Julho. Força rebelde, liderada por Fidel Castro Ruz, que triunfará na de libertação sustentada contra a ditadura de Fulgencio Batista. Por 3 anos o Exército Rebelde, inferior em número e armamento, lutou contra um exército apoiado pelos Estados Unidos – formado por 70 mil homens – e que terminará com o triunfo das Forças de em 1º de janeiro de 1959, marcado pela fuga de Batista. Terminada a luta, começa uma revolução, obra de governo em um Estado que passaria por enormes transformações e que mudaria a cara, não só de Cuba como o “Território Livre da América”, mas em toda América Latina e um exemplo a seguir pelos Movimentos de Libertação na África, na Ásia e nas organizações políticas, que encontraram na revolução cubana o farol e o guia de que precisavam como referência.

Fidel Castro e o 26 de Julho nas montanhas em 1958. Da direita para esquerda: Juan Almeide, George Sotus, Crescentio Perez, Fidel Castro, seu irmão Raoul (ajoelhado), Universo Sanchez, Ernesto Che Guevara e Guillermo Garcia — Foto: llstein Bild/Getty Images

Cuba nunca parou de lutar

Com o triunfo das forças do Movimento 26 de Julho, a Cuba revolucionária começaria a enfrentar uma mais custosa que ainda hoje continua com seu fardo de efeitos desastrosos. Uma guerra bárbara de agressão, tentativas de assassinato, bloqueio e embargos. Do financiamento de campanhas de invasão, de cerco a Cuba em todas as áreas: sejam políticas, econômicas ou diplomáticas. Uma agressão que não diminuiu nem mesmo com o colapso do socialista. E aqueles que acreditavam que morto o escopo de apoio a esta Revolução implicaria em seu colapso, tiveram que reconhecer que a dignidade tem um preço mais alto do que o neoliberalismo e, portanto, Cuba, como uma fênix renascida das necessidades de um socialismo que em muitos países não deu certo porque, ao contrário de Cuba, não estava inserido no DNA da sociedade.

A revolução cubana, liderada por Fidel no período conhecido como Fria, manteve uma estreita aliança com a ex-URSS com marcos históricos como a Crise de Outubro de 1962, o apoio aos movimentos de Libertação Nacional e as guerras de independência na Argélia, Angola, Moçambique, Nicarágua entre outros. Esta política ativa de internacionalismo defendida por Fidel Castro determinou uma política americana destinada, em caráter definitivo, a tentar desestabilizar e tentar derrubar o governo revolucionário e especialmente a assassinar Fidel, que sofreu um total de 638 tentativas de assassinato nas mais diversas formas. Destaco que a agressão, durante o governo sob a administração do democrata e católico John F. Kennedy, foi a soma da criminalidade: sabotagem política, econômica, tentativas de assassinato de Fidel e de outros dirigentes cubanos, queima de plantações, introdução de doenças contagiosas, apoio a grupos contrarrevolucionários, intensificação do bloqueio total. JFK, o político com visão de futuro, o grande homem da democracia e da luta pela liberdade dos povos, segundo os seus defensores e admiradores, foi o primeiro responsável por esta verdadeira empresa multinacional de atentados e assassinatos políticos.

Líder revolucionário Fidel Castro sendo saudado pela multidão em sua marcha vitoriosa para Havana, em 1959 — Foto: Gray Villet/The LIFE Picture Collection, via Getty Images

A Cuba de Fidel, apesar das tentativas de destruí-la e assim fazer desaparecer o seu líder máximo, será lembrada como o exemplo de um pequeno país capaz de ajudar vários países a consolidar a independência: a luta de Angola para consolidar a sua independência de e o confronto contra as forças apoiadas pela África do Sul e Zaire do ditador Mobutu Sese Zeko, com o desejo de apoderar-se do enclave de Cabinda e das suas riquezas petrolíferas. Um combate sustentado contra as forças terroristas apoiadas pelo Apartheid na África do Sul como a UNITA, do mercenário Jonás Savimbi, que nesta luta não só consolidaria o processo angolano, mas também alcançaria a independência da Namíbia e geraria as condições que permitiram o colapso do sistema de apartheid.

Realização que o próprio Nelson Mandela reconheceria em seu discurso de posse como o primeiro presidente negro da África do Sul sem o apartheid. Apoio que teve expressão de feito militar na mítica batalha de Cuito Cuanavale em território angolano, que conseguiu derrotar as forças sul-africanas e obrigá-las a regressar ao seu próprio território. Atravessaram a Namíbia em busca das derrotadas forças brancas de Pretória, a fim de forçá-los, não só a não voltar a atacar diretamente Angola, mas a promover a independência da Namíbia e a sustentar a queda definitiva do regime totalitário e racista do Apartheid. Com isso, aumentar o caminho do exemplo para derrotar outro regime de apartheid que ainda existe e que é preciso eliminar, o sionismo, que ocupa e coloniza a Palestina desde 1948, por meio de um modelo que imita tanto o nacional-socialismo do Terceiro Reich quanto a racista África do Sul.


O então presidente sul-africano Nelson Mandela (centro) aperta a mão do seu homólogo cubano, Fidel Castro, na presença da mulher de Mandela, Graça Machel, durante a Cúpula do Movimento de Países Não Alinhados, em Durban — Foto: AP

Escritos em pedra, em uma parede de 697 metros, no Parque Hill of Freedom em Pretória, aparecem, junto com os nomes de 95 mil combatentes sul-africanos mortos em diversos conflitos, os nomes de 2.107 cubanos que morreram defendendo a causa do internacionalismo. A mídia internacional, como a BBC da Inglaterra, noticiou este fato de apoio solidário de Cuba, na primeira visita que fez a Cuba em julho de 1991, apenas um ano e meio depois de ter sido libertado da prisão da Ilha Robben, onde permaneceu cerca de três décadas. Mandela disse, a respeito de Cuito Cuanavale “Aquela impressionante derrota do exército racista deu a Angola a possibilidade de gozar de paz e consolidar a sua soberania. Ele deu ao povo da Namíbia sua independência, desmoralizou o regime racista branco em Pretória e inspirou a luta contra o apartheid na África do Sul (…). Sem a derrota em Cuito Cuanavale, nossas organizações nunca teriam sido legalizadas ”, disse Mandela diante de uma multidão em 26 de julho de 1991 em Matanzas, Cuba.

Com a queda dos socialismos reais, a fina análise indicava que a revolução cubana entraria em colapso, uma vez que se destruísse o quadro político e econômico que sustentava a maioria de um governo que 90% comercializava com o mundo socialista. Foi sem dúvida um muito duro, mas ao mesmo tempo mostrou que os Estados Unidos não precisavam mais da desculpa do confronto Leste-Oeste para continuar desestabilizando Cuba. O fato de Cuba ter sido aliada da União Soviética não serve de justificativa para essas ações, nem mesmo o argumento dos ‘Realistas Políticos’, ou dos pragmáticos, e mesmo daqueles que endossam teorias geoestratégicas, portanto, como foi ainda justificando a continuação da agressão contra Cuba, quando não havia mais nada daquele mundo bipolar? Como o senhor entende o aperto constante do bloqueio a um país soberano, sem que haja nenhuma resolução das Nações Unidas endossando tal ação?

Cuba, desde o momento do triunfo de sua revolução, fez da resistência um conceito e uma prática de luta. A um custo altíssimo para a população, mas com uma dignidade intacta. Resistir contra qualquer um dos treze governos dos EUA que passaram pela Casa Branca enquanto a revolução permanece intacta. De John F. Kennedy a Joe Biden, Cuba resistiu, com um claro Fidel Castro, estrategista, visionário e sobretudo um estadista como nenhum outro na América Latina, junto aos grandes nomes do século XX e um legado que, para passar das tentativas desestabilizadoras, cujos últimos capítulos vimos em 11 de julho deste ano de 2021.

A morte física de um líder, que incendiou a política mundial em geral e a América Latina em particular, é apenas um detalhe, um acontecimento da vida, a passagem natural da morte. Hoje comemoramos seu nascimento, assim como nos lembramos de sua morte. E digo que ambos os extremos são um detalhe porque para entendê-lo, em toda sua magnitude, devemos nos voltar para o Herói cubano, José Martí, admirado e encorajado em seus estudos de Fidel e a Revolução no sentido de que “a morte não é verdadeira quando a obra de uma vida foi bem realizada” e, neste nível, a obra de Fidel ultrapassa as barreiras físicas, geográficas e linguísticas, posicionando-se como uma figura histórica inegável. Prova disso são as inúmeras homenagens que estão programadas para este 13 de agosto para comemorar os 95 anos desde que nasceu em Birán.

Hoje, mais do que nunca ao lado de figuras indeléveis da Revolução Cubana como Ernesto Che Guevara, Camilo Cienfuegos, Celia Sánchez Manduley e os milhões de militares internacionalistas, educadores, médicos (como as brigadas que apoiam a luta contra Covid-19 em 56 países do mundo), operários, engenheiros, enfermeiras, alfabetizadores, que elevam ao máximo o nome de Cuba, sobe o nome de Fidel Castro Ruz, que se enquadra na categoria de fundamentos. Um homem cujas palavras precisas previram muitos dos problemas que nos afligem hoje como humanidade: crise climática, dívida externa, o papel perverso do sionismo. A desigualdade e a bestialidade do capitalismo, entre outras. (3)

Multidão ouve Fidel Castro durante discurso em Santiago, Cuba, em 2002 — Foto: Cristobal Herrera/AP

Um líder que em dezembro de 2014 em seu discurso no XXXII aniversário do desembarque do Granma, fundação das Forças Armadas e proclamação da Cidade de Havana “Pronta para a defesa na primeira etapa”, 5 de dezembro de 1988 na Plaza de la Revolución «José Martí» afirmava com clareza: “Ainda que um dia melhorassem formalmente as relações entre Cuba socialista e o império, este império não desistiria de esmagar a Revolução cubana, e não por isso mesmo, seus teóricos o explicam, os defensores da filosofia do império o explicam. Há quem afirme que é melhor fazer certas mudanças na política em relação a Cuba para penetrá-la, enfraquecê-la, destruí-la, se possível, até de forma pacífica; e outros que pensam que quanto mais beligerância dão a Cuba, mais ativa e eficaz Cuba será em suas lutas no palco da América Latina e do mundo. Portanto, algo deve ser a essência do pensamento revolucionário cubano, algo deve estar totalmente claro na consciência de nosso povo, que teve o privilégio de ser o primeiro nessas formas, e é a consciência de que nunca poderemos, enquanto o império existir, baixar a guarda, negligenciar nossa defesa.” (4)

Fidel foi um profundo conhecedor da história e dos seus conselhos, neste plano tem a necessidade de tomá-la ao pé da letra: “É nosso dever conhecer a história e é nosso dever trabalhar para que as novas gerações conheçam a história, porque isso é o que ajudará a manter o espírito e a consciência revolucionários elevados, o reconhecimento e a gratidão para com as gerações que se sacrificaram, o dever de avançar pelos caminhos do socialismo, pelos caminhos do comunismo e pelos caminhos do internacionalismo.” (5) Assim é entendido pelos revolucionários da Venezuela, Palestina, Irã, entre outros, que dia a dia cumprem a máxima de sempre ter em mente a necessidade de resistir contra a investida do império.

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Texto do jornalista e escritor chileno Pablo Jofré Leal
Fonte: OPAL / Artigo fornecido por SegundoPaso.ConoSur
Tradução: Mídia1508

Notas:

  1. https://www.telesurtv.net/bloggers/La-muerte-no-es-verdad-cuando-se-ha-cumplido-bien-la-obra-de-la-vida-20161127-0007.html
  2. http://biblioteca.clacso.edu.ar/clacso/se/20191016101300/la-historia-me-absolvera-fidel-castro.pdf
  3. https://rebelion.org/autor/fidel-castro-ruz/
  4. https://lapupilainsomne.wordpress.com/2014/12/28/fidel-aun-cuando-un-dia-formalmente-mejoraran-las-relaciones-entre-cuba-socialista-y-el-imperio/
  5. Fidel Castro Ruz: Palabras en Swietochlowice, 8 de junio de 1972, El futuro es el internacionalismo, Instituto Cubano del Libro, La Habana, 1972, p.245.

Mídia1508

A 1508 é um coletivo de jornalismo independente anticapitalista, dedicado a expor as injustiças sociais brasileiras e a noticiar as mobilizações populares no Brasil e no mundo.

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