O vídeo de uma mulher grávida sendo agredida e jogada no chão por dois policiais militares repercutiu nas redes sociais no último fim de semana. O ataque contra a gestante ocorreu no residencial Morar Melhor em Porto Velho (RO), enquanto a vítima, de 23 anos, conversava com a guarnição sobre a detenção do marido. As imagens, feitas por vizinhos da vítima, mostram a grávida segurando uma criança, que é retirada do seu colo por outra moradora. Em seguida, um dos agentes puxa a jovem pelo cabelo e a empurra contra a calçada.

Na gravação, os moradores registram que os policiais ainda tentaram imobilizar a mulher com um golpe antes de um dos homens pegá-la pelos cabelos. “Vai voltar o policial, está fodido. Está fodido”, fala o cinegrafista, vendo a das pessoas ao redor e o desespero de outras três mulheres que cercam a grávida, já em contrações.

Em entrevista à imprensa local, a gestante relatou o pânico que sentiu após ter sofrido a agressão:

“Na hora que eu caí no chão desceu um líquido, aí eu comecei sentir fortes dores no pé da barriga. Só que eu cheguei na maternidade e eles fizeram o serviço deles e disseram que o bebê estava bem. Isso já me deu um alívio”, conta.

Ela explica que a abordagem aconteceu enquanto seu cônjuge era detido por suspeita de violência doméstica, após os vizinhos terem chamado a polícia durante uma discussão do casal:

“Eu falei: ‘por favor moço, me leva junto na viatura e vou levar os documentos dele’. Aí ele falou que eu não ia… Eles entraram dentro da viatura, foi na hora que eu fiquei na frente do veículo”, relembrou.

A vítima fez exames e não corre risco de passar por um aborto. A gestação deve seguir normal, porém a mulher, que preferiu não se identificar, afirma que está com medo de sair de casa: “Eu não desço mais lá embaixo, não levo meu filho pra brincar mais. Só fico dentro de casa.”

Não foi um caso isolado

O caso aconteceu praticamente na mesma data em que uma outra gestante sofria , desta vez na periferia de . No último sábado (22/12), uma mulher de 22 anos, que estava grávida de cinco meses, perdeu o bebê ao ser baleada por um PM no Jardim Ângela, zona sul da capital paulista, após uma suposta perseguição policial a uma motocicleta que a transportava na garupa. O condutor da moto foi fichado por “desacato” e liberado logo em seguida. Não foi constatada nenhuma irregularidade em relação ao veículo.