Profissionais da educação fazem ato simbólico na Prefeitura de Saquarema

Reivindicações como atualização do Plano de Cargos e Salários, aplicação correta do 1/3 para atividades Extraclasse, e outras demandas foram pautadas na manifestação desta manhã.

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Cruzes homenagearam profissionais da educação mortos pela pandemia / Foto: Carina Blacutt

Nesta quinta-feira, 8 de outubro, um ato simbólico na porta da prefeitura de reuniu educadores, funcionários e responsáveis de estudantes em defesa da Educação. Descontentes com ausência de audiências públicas da e não atualização do plano de cargos e salários, a educação foi à rua, com a organização do Sepe Costa Litorânea, respeitando o distanciamento e com bastante álcool em gel.

Reivindicações como atualização do Plano de Cargos e Salários, aplicação correta do 1/3 para atividades Extraclasse, inclusão dos professores de Especial no Plano de Cargos e Salários e demandas dos professores de informática foram pautadas na manifestação desta manhã.

A situação da no município de Saquarema, estado do Rio de Janeiro, é grave. Com uma gestão conturbada, a categoria reivindica audiência pública, que vem sido negada pela câmara municipal. Além disso, a educação do município vive um drama novelesco.

O secretário de e foi afastado no ano anterior por ordem do Supremo Tribunal Federal. O ministro Edson Fachin afastou Antônio Peres, marido da prefeita, e outros parentes do casal que ocupavam lugares na administração municipal. A ocupação de Peres no cargo se deu em uma manobra política, que alterou a legislação permitindo que funcionários ficha-suja ocupassem cargos de secretário.

Foto: SEPE Costa Litorânea

Mais dramática ainda é a situação dos profissionais mediante ao cenário de pandemia. Tendo que aderir ao ensino remoto, os profissionais sofrem sem qualquer auxílio prático para tal acesso. Muito menos têm os estudantes. As cestas básicas disponibilizadas pela prefeitura para os estudantes têm o limite de uma por família, não atendendo a necessidade de famílias com 2 filhos ou mais, realidade comum do município.

Às vésperas da eleição, o ato do sindicato dos profissionais da vem para colaborar com a reflexão política necessária para o município. Na terça-feira, 6 de outubro, a Câmara dos Vereadores colocou em pauta a leitura do projeto 121, que retira verba da educação para desapropriação. Sem qualquer explicação de quantidade de verba, ou o que seria essa desapropriação, ou parecer que comprovasse a necessidade dessa transferência, a câmara desrespeitou a categoria e votou tal projeto, mesmo que a votação não estivesse prevista na pauta do dia.

Indignados, educadores e responsáveis se fizeram ouvir mesmo embaixo de chuva. Era possível para os presentes observar a apreensão dos funcionários da prefeitura, explicitada nos telefonemas da atual secretária de e para a direção do sindicato, no momento do ato. Ao que parece, a categoria da Educação de não está mais disposta a aceitar uma gestão com resquícios de coronelismo. São os governantes que devem temer o povo, e não o contrário.

Carina Blacutt

Carina Blacutt é filósofa e professora da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro, mestre em Estética e Filosofia da Arte pela UFRJ, integrante do coletivo Filósofas na Rede, do sindicato SEPE Costa Litorânea e colunista de educação da Mídia1508.

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