O Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF), no , vinculado ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região, comunicou aos organizadores da Mostra do Filme Marginal, marcada para 17 de setembro, que três filmes não poderiam ser exibidos. Após duas reuniões, a última no dia 19/08, com a direção do CCJF, os organizadores da Mostra do Filme Marginal cancelaram o evento na instituição. No dia 22, quinta-feira passada, foi publicada uma nota de cancelamento da 3° edição da Mostra no centro cultural, que havia sido aprovada via edital aberto no ano passado, para ocupação do espaço que previa a realização em setembro deste ano, no Rio.

É importante entendermos a gravidade do caso. Por exemplo, nas duas últimas semanas, o atual presidente lançou uma ofensiva contra o audiovisual brasileiro atacando filmes com temáticas LGBT e suspendendo editais para TV’s públicas. O governo segue censurando críticas e conteúdos que considera “inapropriados”.

Ao conversarmos com os organizadores, eles destacaram a posição de não ser subserviente e não ter conciliação com esse tipo de postura, a . Um dos organizadores nos disse que até o momento nenhuma outra mostra ou festival de se posicionou sobre a praticada pelo Centro Cultural da Justiça Federal. E afirma quê:

“Infelizmente é bem provável que não se posicionem e que continuem a usar o CCJF como espaço de exibição”, sem qualquer crítica, aceitando a censura.

Depois que o presidente censurou abertamente produções com conteúdo LGBT também aprovadas previamente via edital e de já ter dito que faria um filtro (leia-se censura) na Ancine e na Funarte, o campo está aberto para que a extrema direita siga determinando o que será aceito, o que será veiculado e a quais conteúdos a população terá acesso ou não.

O presidente (PSL) apoia abertamente o regime militar de 1964, portanto, não é de se estranhar que tenha a mesma prática de censura ocorrida na ditadura. O governo silencia qualquer iniciativa contra sua ideologia e que denuncie seus crimes e evidencie o autoritarismo.

Os filmes censurados

Dois deles – “Mente aberta” (2019) e “Rebento” (2019) – por conterem “ataques” ao presidente da República. Um veicula, no meio do filme, um áudio de Jair Bolsonaro. No outro, aparece ao fim da obra a frase “repulsa ao presidente”. O outro filme vetado foi “Nosso sagrado” (2017), o documentário sobre religioso contra as religiões de matriz africana e as peças que, até hoje, estão retidas no Museu da Polícia Civil. O CCJF alegou que o filme teria “caráter partidário” porque, nos créditos, aparecem nos agradecimentos logotipos de mandatos de políticos que de alguma forma ajudaram na produção – como a a Defensora dos e Vereadora, Marielle Franco, assassinada em 2018.

Os filmes censurados: Mente Aberta, Nosso sagrado e Rebento

Segundo informações da nota, “Após diálogo da equipe e contato com os diretores dos filmes, solicitamos uma reunião com a direção do Centro Cultural da Justiça Federal com a participação dos realizadores, por entendemos ser importante garantir o direito aos mesmos, além de tentarmos coletivamente, resolver a questão. Esgotadas as vias institucionais, os realizadores e a Mostra não concordaram com as motivações apresentadas e não aceitaram a solução sugerida pelo CCJF”.

A Mostra do Filme Marginal, nesta terceira edição sob o tema “Sem revolta jamais haverá justiça”, é uma iniciativa que impulsiona a divulgação de produções independentes, promovendo a difusão de projetos e possibilita a formação de público para um cinema popular, sempre trazendo temáticas marginalizadas pelo capitalismo e os conteúdos, estéticas e assuntos fora do eixo comercial. Nesta terceira edição, foram 600 filmes inscritos de todas as regiões do país. A mostra não contou com qualquer apoio financeiro e por isso foi criada uma campanha de financiamento coletivo.

Ainda segundo a nota, a mostra mantém sua programação normal nos demais espaços já agendados e os organizadores fazem questão de ressaltar: “Não é de nossa responsabilidade o conteúdo divulgado pela imprensa corporativa, visto que, desde sua criação, a Mostra do Filme Marginal só mantém diálogo com a mídia independente!” […] “Não concordamos com o entendimento da instituição e nos posicionamos contrário a postura da mesma”, declara a equipe.

A nota da Mostra do Filme Marginal

“Nota de cancelamento

Vimos por meio desta nota comunicar o cancelamento da 3° edição no CCJF – Centro Cultural da Justiça Federal.

A Mostra do Filme Marginal foi selecionada em 2018 no edital de ocupação do Centro Cultural da Justiça Federal para a realização da 3° edição em 2019 no Rio de Janeiro. No entanto, após o envio da programação, a instituição nos comunicou sobre a impossibilidade de exibição de três filmes selecionados.

Não concordamos com o entendimento da instituição e nos posicionamos contrário a postura da mesma.

Após diálogo da equipe e contato com os diretores dos filmes, solicitamos uma reunião com a direção do Centro Cultural da Justiça Federal com a participação dos realizadores, por entendemos ser importante garantir o direito aos mesmos, além de tentarmos coletivamente, resolver a questão.

Esgotadas as vias institucionais, os realizadores e a Mostra não concordaram com as motivações apresentadas e não aceitaram a solução sugerida pelo CCJF.

Diante da situação colocada frente aos filmes que não poderiam ser exibidos neste espaço, caracterizando assim uma censura aos mesmos, decidimos cancelar a realização da 3° Edição da Mostra do Filme Marginal, na instituição.

Gostaríamos de informar que a Mostra está confirmada na data, nos outros espaços e cidades. Estamos em busca de um novo local que acolha os três filmes censurados e o restante da programação.

Não é de nossa responsabilidade o conteúdo divulgado pela imprensa corporativa, visto que, desde sua criação, a Mostra do Filme Marginal só mantém diálogo com a mídia independente!

Equipe da Mostra”

Conheça um pouco a Mostra através dos links:

http://mostradofilmemarginal.com/
https://www.facebook.com/mostradofilmemarginal/

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