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O gari comunitário William de Mendonça Santos, de 42 anos, também conhecido como Nera, foi assassinado nesta segunda-feira (22) durante uma ação da PM no Morro do , na zona sul do . Segundo relatos, William havia saído de casa para procurar o filho que estava na rua brincando. O gari estava na Rua Padre Ítalo Coelho, na localidade conhecida como 314, quando sofreu os disparos, por volta das 15 h.

Nera chegou a ser levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, também na zona sul, mas, acordo com testemunhas, já estava morto no momento em que foi carregado por dois policiais pelas ruas da .

 

William de Mendonça Santos, de 42 anos / Foto: Arquivo de família

“Ele foi carregado em um lençol branco descendo o morro já morto. Isso é execução, fraudaram a cena do crime. Covardia”, denunciou um morador.

Esse tipo de prática é comum por parte da PM e tem como objetivo atrapalhar a realização da perícia, dificultando a responsabilização dos agentes envolvidos nas mortes. Na chacina do Fallet-Fogueteiro, que aconteceu em fevereiro deste ano, a corporação se valeu do mesmo expediente.

Na ocasião, a versão oficial foi a de que 15 pessoas teriam sido encontradas feridos após uma suposta troca de tiros nas favelas do Fallet-Fogueteiro, Coroa e Prazeres e encaminhadas ao Hospital Souza Aguiar, no centro da cidade, onde teriam falecido. Essas informações, no entanto, foram desmentidas pela Secretaria Municipal de Saúde, que esclareceu ter sido 13 o número de jovens trazidos pelos policiais, e que todos já estavam mortos ao dar entrada na unidade hospitalar. Vídeos e relatos de moradores indicam que houve tortura e execução.

 

PMs carregam o corpo de William em um lençol branco / Foto: Reprodução

A e o

Revoltados com a morte de William, um grupo de garis comunitários se reuniu para uma manifestação em uma praça do Vidigal por volta das 19h 30m. Em seguida, se dirigiram à Avenida Niemeyer, junto com amigos e parentes do colega assassinado. Mais de cem pessoas estavam presentes na protesto.

A repressão foi forte. Além da UPP do Vidigal, dezenas de viaturas da PM e um enorme contingente de policiais foram destacados para um ato pacífico. Contra os cartazes e faixas dos moradores, os PMs carregavam fuzis. O Batalhão de Choque atacou os manifestantes com bombas de gás lacrimogênio, spray de pimenta e tiros de bala de borracha. Um jornalista desmaiou por causa do gás.

Imagens [vídeos e fotografias] de moradores da manifestação:

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Foto de morador do Vidigal

Foto de morador do Vidigal

Foto de morador do Vidigal

Nas redes sociais, diversos moradores que o conheciam lamentam:

“Um grande amigo pessoa maravilhosa muito educado vi ele crescer gente isso é muito triste quando vai acabar descanse em paz nera”, escreveu uma moradora no Facebook.

“Associação de moradores tem que correr atrás dos diretos dessa família que agora está desamparada, pior coisa pra mim um rapaz morador trabalhador honesto sair do morro no lençol carregado por policias que o mataram, lembrando que ele tem um filho especial”, relata um morador nas redes sociais.

Segundo o Instituto de Segurança Pública, autarquia vinculada ao governo estadual, o número de mortes “por intervenção de agentes de Estado” tem batido recordes históricos no Rio. Os registros do primeiro bimestre de 2019 mostram que a quantidade de pessoas mortas dessa forma aumentou 67% em dois anos (de 183 para 305). Esta é a primeira vez na história que os registros superam a marca de 300 vítimas no período. Foram 160 mortes no primeiro mês deste ano e 145 no segundo. Isso significa uma média de 5,1 mortes por dia.

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