Nesta terça-feira, na cidade de , começou a quarta edição da LAAD Security – Feira Internacional de Segurança Pública e Corporativa, ou melhor, a “Feira da Morte”, como é conhecida pelos movimentos sociais e ativistas que lutam contra a política de militarização da vida. A mais completa feira de negócios dos segmentos que compõem este mercado, na verdade, é parte da manutenção e aumento tecnológico para o controle social, que representa uma prática bem conhecida em todo mundo, o .

O na inauguração da feira contou com uma caravana vinda do de diversos ativistas e movimentos sociais, como a Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência e a campanha ‘Caveirão Não, Favelas pela Vida e Contra as Operações’. Militantes de diversas favelas do Rio participaram: , Alemão, Borel, Morro da Coroa, Acari, Cidade de Deus, Rocinha e Baixada Fluminense. De São Paulo, a Frente em Defesa do Mundo Palestino, a campanha de boicote ao Estado de (BDS – Boicote, Desinvestimento e Sanções), a Ação Antifascista de São Paulo, o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), entre outros, estiveram presentes.

Os manifestantes carregaram bandeiras da , antifascistas e faixas contra a militarização. O armamento testado contra os palestinos em Gaza e na Cisjordânia é difundido pelo mundo. O está entre os cinco maiores importadores de tecnologia militar israelense. Com discursos fortes, ativistas e mulheres negras e pobres, de favelas e periferias, mães vítimas da brasileiro e que hoje são militantes dos , denunciaram o evento.

“Estamos aqui hoje em repúdio à Feira Internacional de Segurança Pública e Corporativa. É assim que eles chamam, mas para nós é a ‘Feira da Morte’, porque todos aqueles que promovem o genocídio do povo pobre e negro, nas periferias brasileiras e também os massacres na Palestina todos os dias, estão aqui. Países comercializando suas tecnologias militares que vão matar aqui no Brasil, na Palestina e em diversas partes do mundo”, Soraya Misleh, palestina-brasileira.

Entrevistamos a ativista pelos direitos humanos e moradora do Conjunto de Favelas da Maré, Gizele Martins, que afirmou: “Essa é a ‘Feira da Morte’, que não representa a gente e que a gente não quer controle, não quer polícia. A gente não quer Estado Terrorista brasileiro, gastando seu dinheiro em armamento, em tanques de guerra, em Caveirão, em formas de controle, em treinamento das nossas ditas polícia, porque minha polícia não é! O que a gente quer é segurança pública, e segurança pública é diferente de armamento […]”

Assista:

Tanto na esfera pública quanto na corporativa, os investimentos militares seguem em valores absurdos no Brasil, apesar dos velhos discursos de crise. Segundo dados do próprio Anuário Brasileiro de Segurança Pública, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2016 – somadas as aplicações do governo federal, dos estados e dos municípios – os gastos chegaram a R$ 81,2 bilhões. Longe, muito longe do que é investido em educação no país.

Ainda de acordo com o levantamento, o responsável pelos maiores orçamentos de segurança pública do país é o estado de São Paulo, que responde por mais de R$ 20 bilhões anuais, em áreas como policiamento, defesa civil, informação e inteligência. O estado conta ainda com a maior força de repressão policial do Brasil e uma das maiores do mundo, com um efetivo de mais de 138 mil policiais militares e civis. E mesmo com todo esse “investimento” a cidade de São Paulo é uma das mais violentas do mundo e possui a maior e mais organizada facção do país, o PCC (Primeiro Comando da Capital). A PM de São Paulo está entre as que mais mata no mundo.

São Paulo também é o maior mercado de segurança corporativa da América Latina, o setor movimentou cerca de R$ 3 bilhões em 2016 no estado e a expectativa é de crescimento. A “guerra às drogas” é um produto interminável para o mercado bélico. Por que essa guerra nunca acaba? Os números na casa dos bilhões respondem bem a essa questão. Perceba que esses valores são ainda maiores se pensarmos no tráfico de armas, que está diretamente ligado ao Estado e a falácia da “guerra às drogas”. O Brasil é um narcoestado e as armas um de seus sustentáculos, econômico e militar. Seja pela legalidade ou pelo o tráfico de armas.

O evento é realizado de 10 a 12 de abril, no Transamerica Expo Center, e reunirá cerca de 100 “empresas da morte”, nacionais e internacionais, que apresentarão todo tipo de controle social e vigilância para sofisticar cada vez mais a aplicação do terror. É uma verdadeira guerra contra o povo.