Milhares de mulheres foram às ruas para exigir justiça diante dos alarmantes índices de feminicídios no país

Entre atos simbólicos, treinamentos de autodefesa e protestos em instituições de justiça, as manifestações de 2026 marcam um momento histórico na luta pela segurança de todas as mulheres no México.

Mulheres protestam no 8M na Cidade do México — Foto: Anuar del Rayo

Milhares de mulheres foram às ruas no dia 8 de Março, Dia da Mulher Trabalhadora, para exigir justiça em diversas cidade mexicanas, diante dos alarmantes índices de feminicídios e desaparecimentos forçados no país.

Entre atos simbólicos, treinamentos de autodefesa e protestos em instituições de justiça, as manifestações de 2026 marcam um momento histórico na luta pela segurança de todas as mulheres no México.

A Marcha 8M 2026 em Tijuana chegou à sede do Ministério Público Estadual, onde, por meio do movimento “quebre tudo”, as manifestantes expressaram sua indignação com a falta de progresso nas investigações.

Em Hermosillo, Sonora, feministas queimaram papelão e madeira nas janelas do Supremo Tribunal de Justiça do Estado.

O Templo de São Francisco de Assis foi incendiado durante as mobilizações do 8M no Centro Histórico de Querétaro.

O governo do Estado do México ergueu cercas com mais de dois metros de altura em frente ao Palácio do Governo; no entanto, elas foram derrubadas por grupos de centenas de mulheres que foram às ruas de Toluca, capital do Estado do México (Estado de México), uma das 32 entidades federais do país.

A Marcha de 8 de março ocorreu também na cidade de Guadalajara e segundo a imprensa local, quatro policiais ficaram feridas.

Milhares de mulheres na capital do país

Na Cidade do México, capital do país, mais de 200 mil mulheres marcharam pelas ruas da cidade. As ruas do Centro Histórico estavam tomadas pela cor roxa. Mulheres de todas as idades chegaram usando lenços roxos e verdes no pescoço, nos braços ou na cintura. Muitas carregavam cartazes feitos à mão, fotografias de filhas desaparecidas ou slogans escritos em papelão.

Em meio a tambores, cânticos e slogans, algumas das frases mais entoadas pelo movimento podiam ser ouvidas: “Queremos viver!” e “Nem mais uma mulher assassinada!” Carregando faixas exigindo o pagamento de pensão alimentícia, mães e filhas marcharam para pressionar os tribunais a agilizarem os processos judiciais.

A mobilização também se refletiu no transporte público. A Linha 2 do Metrô da Cidade do México operou apenas até a estação Xola. Ônibus da Rede de Transporte de Passageiros da Cidade do México transportaram grupos de manifestantes até a estação Pino Suárez. Na Linha 3, grupos de jovens lotaram os vagões do trem rumo à estação Hidalgo para participar da manifestação. Um muro foi instalado no Paseo de la Reforma com mensagens em forma de borboletas, aludindo ao direito de ir e vir livremente à noite, de amar livremente e de viver sem medo.

A marcha seguiu para o Zócalo, na Cidade do México, onde os manifestantes transformaram ruas e prédios governamentais em um varal com mensagens de protesto e solidariedade. Ao cair da noite, alguns manifestantes tentaram derrubar as barreiras metálicas erguidas ao norte da Plaza de la Constitución. Durante a noite, diversas faixas foram incendiadas e colocadas aos pés das grades que protegem o Palácio Nacional e a Catedral Metropolitana, na Cidade do México, enquanto a polícia reagiu com pó químico.

Manifestações na América Latina

Em Montevidéu, Uruguai, mulheres ergueram suas vozes exigindo seus direitos. Grupos feministas e cidadãos formaram uma coluna roxa ao longo da Avenida 18 de Julio, na capital, da Praça da Independência até a Universidade da República.

Em Santiago, Chile, milhares de mulheres marcharam para exigir seus direitos. As participantes também protestaram contra o presidente eleito José Antonio Kast, que assumirá a presidência na quarta-feira.

Em Quito, Equador, mulheres também foram às ruas para protestar contra a violência de gênero, que já ceifou a vida de 411 mulheres recentemente, segundo organizações sociais.

Em Assunção, Paraguai, o protesto das mulheres teve como foco o combate às desigualdades no ambiente de trabalho. As participantes entoavam o slogan: “Nem precárias nem submissas! Defendemos nossos direitos!”.

No Brasil, ocorreram atos espalhados pelas cinco regiões do país, que incluem críticas ao imperialismo, tendo em vista as ações dos Estados Unidos (EUA) no mundo; a defesa da soberania; da democracia e pelo fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1), que atualmente está em debate no Parlamento.

As mobilizações reuniram entidades, organizações da sociedade civil e movimentos feministas em defesa de políticas públicas voltadas à igualdade de gênero, ao combate à violência contra as mulheres e à ampliação de direitos.

“Estamos nas ruas para exigir o fim da violência contra nossos corpos e a proteção de nossas vidas. Pelo fim do feminicídio”, escreveu a AMB em manifesto.

“O capitalismo, aliado ao patriarcado e ao racismo, mantém a exploração e o sofrimento das mulheres. Mulheres no Brasil, em Gaza, em Cuba, na Venezuela e em tantos outros lugares enfrentam guerras, ameaças à soberania, avanço da extrema direita e a retirada de direitos básico”, completa o manifesto da AMB.

Em várias capitais, manifestantes levaram cartazes e faixas com críticas à violência de gênero e pedidos por mais proteção às mulheres.

Os protestos ocorrem em meio a dados recentes que apontam para a persistência e o agravamento da violência contra mulheres no país. Em 2025, o número de feminicídios bateu recorde no Brasil: foram 1.470 casos entre janeiro e dezembro, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Mídia1508

A 1508 é um coletivo anticapitalista de jornalismo independente, dedicado a expor as injustiças sociais e a noticiar as mobilizações populares no Brasil e no mundo.

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