Imagem da obra de Jane Alexander

Agora somos todos policiais

Conversão de cidadãos de bem em vândalos fecha ciclo histórico.

A história é um carro alegre
Cheio de um povo contente
Que atropela indiferente
Todo aquele que a nega

Milton Nascimento

Por Jorge Miguel

I
No princípio

No princípio eram os vândalos. Passe-livristas, black blocs e outros seres saídos de Junho. Dizia-se que eram ameaça à democracia com sua mania de contar centavos. Foram todos exterminados. Um compromisso histórico uniu gestores de todos os partidos e garantiu a repressão bem-sucedida da faísca que, achou-se, incendiaria a pradaria [1]. Exagero? Talvez [2].

A criminalização da oposição de esquerda, que começou pelas mãos do Partido dos Trabalhadores e seus irmãos tucanos, dava continuidade a um serviço de rotina para a polícia e a imprensa, ainda que em conjuntura modificada. Tratava-se do trabalho policial e midiático de isolar, enquadrar, dividir, dirigir, vigiar, tanger [3]. Novos personagens eram fichados, passavam por triagem e pulverização [4]. Isolar — policial e discursivamente — a “minoria de vândalos”, inventar líderes, “Sininhos” a serem ao mesmo tempo processadxs e colocadxs na capa da Veja. Era preciso produzir terroristas. Terroristas: o terrorismo tornou-se necessário ao poder, cuja representação à época estava à cargo do PT. Da morte acidental de um jornalista tornada peça de um processo de criminalização coletivo [5] à ficção de “descobrir quem financia, arma e treina os vândalos” [6], um imenso trabalho sujo foi feito por diversos agentes em colaboração: mídia, partidos de “direita” e “esquerda”, juízes, procuradores, policiais, entre outros [7]. No plano legislativo e na mais alta esfera governamental, a culminância desse trabalho foi a Lei Antiterrorismo, “que já nasceu sob gritos de protestos de organizações civis”, nos estertores do governo PT [8]. Pode-se falar tudo de Dilma Rousseff, mas não que ela deixou de assinar essa lei, um mês antes de ser “golpeada” [9]. O trabalho sujo do PT tal como resumido ou coroado nessa peça legislativa abriu portas para contínuas tentativas parlamentares de criminalizar ainda mais os movimentos sociais no período seguinte, inclusive da parte de Jair Bolsonaro [10].

II

Um beijo, querido

Depois de gastar muito gás lacrimogêneo e balas para proteger o tatu inflável da Copa [11], o partido da ordem em sua ala esquerda veria alevantar-se a Operação Lava-Jato e as prisões em série que culminaram na interdição do próprio líder. Este, muito democrata, entregou-se voluntariamente à polícia, enquanto seus discípulos caíam em depressão. Ele sabia, ou acreditava, que sua hora iria chegar. Em seu discurso de “até logo” prévio à ida à prisão, no dia 7 de abril de 2018, deu a enésima mostra de seu estilo retórico tão fascinante, cativante. Como Dilma, exerceu o dom da profecia: “vocês vão perceber que eu vou sair desta maior, mais forte, mais verdadeiro, e inocente, porque eu quero provar que eles é que cometeram um crime”. Mais afetivo que a criatura, encerrou com “um abraço companheiros, obrigado, mas muito obrigado, pelo que vocês me ajudaram, um beijo, querido, muito obrigado” [12].

Na passagem pela cadeia, aliás um departamento VIP onde ele fez amigos, lia livros, recebia personalidades e contava com o auxílio caloroso da plateia de fãs que lhe gritava bom dia (a isso chamava-se “resistência”), o presidente Lula não aprendeu absolutamente nada de bom. Perguntado por um jornalista um pouco mais crítico o que a experiência da prisão o fazia pensar sobre o encarceramento em massa de negros e pobres promovido em seu governo, tergiversou, regurgitando suas abobrinhas [13]; mais tarde, já solto, em entrevista à TV da grande nação Venezuela, explicaria candidamente ao seu pessoal que Junho de 2013 foi invenção da CIA, fabricado para desestabilizar a ele próprio [14]. Essa entrevista à Telesur é muito interessante e exige citação extensa. Instado a comentar os então recentes protestos no Chile e na Colômbia, comparados pelo jornalista a Junho de 2013, Lula declara:

A diferença é que estas manifestações [dos outros países] são feitas para conquistar direitos. As manifestações de 2013 foram feitas já fazendo parte do contra o PT. Elas já foram articuladas para garantir o golpe, porque elas não tinham reivindicações específicas. O golpe começou, na verdade, as manifestações começaram, como parte do golpe incentivadas pela mídia brasileira, incentivadas eu acho que inclusive de fora pra dentro. Acho que já teve o braço dos Estados Unidos nas manifestações do Brasil.

Que o grão sindicalista não se faça de bobo nem que se lhe atribua incapacidade de entender o mundo. Seu discurso deve ser lido como estratégico, não como verdadeiro. Liberto da prisão pelos mesmos “golpistas” que o colocaram lá e com olhos postos em 2022, Lula ensinava como bom professor o certo e errado a seus asseclas, apoiadores e fanáticos. “Conquistar direitos”, sim; “inespecífico”, não. Que ele tenha surgido como figura histórica no ciclo anterior de conquista de direitos [15] não significa que ele não entenda o que é um protesto “pós-moderno”. Nosso presidente é muito inteligente e se atualiza sempre; o circo montado na posse mostrou seu apetite por absorver em seus seio às demandas identitárias, assim como a montagem do ministério onde, entretanto, um núcleo duro de homens brancos (pardos?) se agarra ao poder real. Porque Junho não?

Para seu projeto de poder o que ocorreu em 2013 é inaceitável. Deve ser distorcido e esquecido. O esquecimento começa com as reivindicações (“não tinham”), passa pelo Movimento Passe Livre (alguma vez Lula pronunciou essas palavras? Deve sentir ódio delas) e segue adiante, pondo uma pedra em cima. A primeira distorção traz a aparência de um delírio persecutório com traços risíveis (“braço dos Estados Unidos”, comandados pelo mesmo presidente que disse que ele “é o cara”?), mas Lula não delira: são os bolsonaristas que deliram. Devemos entender a defesa conspiratória como uma estudada resposta à base: Lula fornece a pá com a qual eles devem enterrar, coberta de sal, a memória de Junho. O objetivo é garantir que à esquerda dele nada cresça, no que é bem sucedido desde 1989, quando começou, ou continuou, sua deriva à direita [16]. Por isso o engasgo retórico de Lula, quando vacila ao dizer “o golpe começou (…) as manifestações começaram”. É tudo a mesma coisa. Para Lula, certamente as manifestações foram um golpe, no sentido lato da palavra: atingiram-no. Politicamente falando, golpe e manifestações que não pedem ao Estado (“conquistam”) os tais direitos é tudo a mesma coisa, nos explicou o agora assim chamado (e de fato é) Pelé da Política.

Ao colocar um complô contra ele no centro da luta política recente Lula se alinha a nomes amáveis como Recep Erdogan, da Turquia, entre outros “líderes globais” [17]. Mas Lula, insisto, é um democrata. Gostaria de entrar na história mais como um Mandela; por isso, sentou-se calmamente no interior da história, digo, da cela, sabendo que esta passagem triste melhoraria sua já robusta biografia, acrescentando um martirológio.

Comentando 2013, Lula escolhe a dedo seus inimigos: “a mídia”, que ele não regulará, entregue ao ministro Juscelino, e “os Estados Unidos”, para onde vai viajar agora. Conta corretamente com a capacidade de esquecimento da sua base e o adestramento ao qual ela se ofereceu, de segui-lo sempre. Todos ele perdoa, mas Junho não. Inclusive, Junho nunca existiu.

Imagem da obra de Jane Alexander

III

Bem vindo ao deserto brasileiro do real [18]

A política foi estilhaçada em 2013. Não porque os manifestantes fossem robôs da CIA, mas porque a fachada de normalidade era uma vidraça que ruiu num só “golpe”. Sinais anteriores, à direita e à esquerda, os havia; não cuidaremos deles aqui. Basta um breve recorrido: o transatlântico do governo, de tão amplamente aliançado, adernava, fazendo água em certos pontos. Marina Silva tentava o voo solo em 2010, com sua partida, indo tecer um novo partido que logo derraparia. Os -Kayowá ameaçavam o suicídio enquanto artistas da Globo e até de Hollywood pediam paz em Belo Monte [19]; trabalhadores escravos de Jirau e outras pirâmides do desenvolvimentismo insistiam em fazer greves, em não morrer calados; à direita, a base reacionária cobrava e cobrava: menos direitos aos gays, nada de aborto. Dilma, desde a campanha de 2010, cedia e cedia. Intelectuais mais ou menos conscientes, mais ou menos assustados, falavam, na distante USP, em “ascensão conservadora”: o alvo da preocupação era Celso Russomanno, candidato a prefeito pelo Partido Republicano Brasileiro (Igreja Universal) em 2012 [20]. Nada estava tranquilo antes de 2013, e Junho só foi um raio em céu azul para quem estava com um olho enfiado no.

A fachada do sistema econômico-político, com sua hipnose de “otimismo”, “nova classe média”, “lugar do no mundo” e outros chavões bestas, se mantinha, apesar desses deslizes que eram sempre “assuntos de minorias” (éramos todos minorias, evangélicos ou gays, sem-teto ou índios, no grande condomínio do lulismo) ruiu por completo em Junho. Como um feitiço suspenso por um erro do mágico, a ilusão vacilou. O vidro estilhaçado não podia ser colado em seus milhares de caquinhos, como aqueles vasos chineses que ficam até mais caros depois de cair [21].

Junho estendeu-se como algo perigoso em certos pontos nevrálgicos do país. Na memória fresca de Paulo Arantes, “durante alguns meses, o rescaldo de Junho parecia não ter fim na cidade do Rio de Janeiro (…) Quase diários, os atos se estenderam até setembro, e um pouco além, como o explosivo 15 de outubro” [22]. Em São Paulo, mesma coisa. A tarefa da repressão se estenderia. Mas havia a complementar tarefa da política. Assim, enquanto prefeitos e governadores (com suas polícias, guardas e legislações), os canais de rádio e televisão e a imprensa em geral detonavam o pós-Junho usando das doses necessárias de engodo discursivo, repressão “civilizatória” contra esses novos bárbaros, com uma ajudinha aqui a ali do governo federal (alguma verba, alguma GLO – Garantia de Lei e Ordem ou o que fosse) os partidos afiavam suas lanças.

Recompor a política era a tarefa necessária de todos os partidos da ordem, visando sempre as próximas eleições nacionais. 2014 foi o ano dos marketeiros. Surgiu assim a Dilma guerreira, heroica monsenhora do povo brasileiro: protetora dos índios, dos LGBTs, dos negros, dos pobres e de todos que ela tinha ferrado em seu governo tão cheio de acertos, compromissos e recuos táticos. A esse rebranding opunha-se, do outro lado, o posicionamento de marca do neto de Tancredo Neves, mafioso com sobrenome erigido em defensor das liberdades e do desejo cuidadosamente abstrato de “mudança”. Chegou-se a aventar a necessidade de alternar os poderes como se a democracia fosse uma gangorra. Tudo valia. Um pouco à parte, mais à esquerda, o PSOL lançava Luciana Genro, uma espécie de visitante de feira agroecológica. Bem mais à esquerda, com uma lupa, o PSTU relançava Zé Maria e PCB lançou Mauro Iasi.

A campanha rendeu lances impressionantes, instantes cheios de emoção para vibração das massas consumidoras de emoções políticas. A isso chamamos sociedade do espetáculo, conceito que não será abordado aqui. O auge, do lado esquerdo, foi um ato no histórico (pela resistência à ditadura de 64) teatro Tuca, da PUC-SP, onde Dilma Rousseff mentiu tudo o que não faria uma vez eleita [23].

De fato, na disputa eleitoral de 2014, o PT passou raspando: ao colaborar com a repressão da esquerda, cortara sem perceber no próprio sangue. Com as escolhas fiscalistas de Dilma, o governo exangue ficou anêmico e quase desmaiou antes de ser golpeado. É com a derrota de Aécio Neves que surgem os verdadeiros coxinhas, cozinhados por um ano e tanto no forno da direita. A ira divina, qualidade de “eterna criança / pirracenta e tirana / feita para mimar” [24] do furioso Neves é o detonador do golpe, este mesmo que Lula agora retroage com sua máquina de tempo aos movimentos sociais que Ele não ousa nomear. Aqui entramos infelizes no prosaísmo: não se sabe se o partido quis o golpe; há quem veja pouco empenho na defesa de um governo triste. Olhos postos em 2018 valeria a pena rifar a companheira para esperar seu criador? Um petista com quem convivi manteve durante o período Temer um sorriso tranquilo no rosto. Seu sorriso se perdeu somente depois da prisão de Lula.

Enquanto Lula esperava ser reconduzido, depois esperava pela Justiça, depois tomava bala de ruralistas numa caravana funesta e desesperada, depois esperava ser preso, depois era preso e, tornado ideia, esperava (a paciência do conceito) na prisão [25]… Enquanto Lula tudo isso, a ala direita do partido da ordem comemorava vitória após vitória. A franja de fanáticos que alimentavam não inspirava perigo: serviam bem, primeiro para justificar o golpe, depois para perseguir com suas cachorradas professores, artistas, sindicalistas. Movimentos “sociais” como o Movimento Livre [26] e o Escola Sem Partido tinham papel de polícia na nova ordem desenhada por PMDB e PSDB. Eram auxiliares da tarefa histórica de retirada de direitos e liberdades democráticas.

Restava o problema da política, estilhaçada em 2013. Descartado o retorno à ditadura aberta, era necessário convencer os eleitores a fazer a escolha certa ou, de algum modo, conferir à obra toda legitimidade. Testaram suas soluções fantásticas: parlamentarismo, calendário Maia, Henrique Meirelles, presidente Alckmin. Acreditava-se que um Lula de direita, menos bonachão mas igualmente eficiente como efígie hierática da ordem, seria eleito, legitimando o golpe. O insistente charme de Ciro Gomes chegou a ser lembrado. Por fim, Alckmin alçou-se no seu encouraçado, a maior chapa do Ocidente, que fez água. Foi aí que um bandidinho, com fixação em alguns assuntos de sexo e violência, representante bastardo do Partido Militar e notavelmente incompetente em assuntos fora de suas obsessões agarrou a cauda do cometa e chegou ao Palácio do Planalto. Resolvia-se, com fortuna e virtú, a crise política. A economia, claudicante, periclitava, até hoje. Que horas ela volta? [27]

Voltemos aos cidadãos de bem.

IV

Insetos

Nos esgotos do WhatsApp os tais coxinhas, como aqueles super-heróis ou super-vilões que são submetidos à radiação ou picados por insetos, sofriam mutação. Na alta política, ninguém ligava para esses mutantes, úteis que eram para ameaçar, desmoralizar, agredir (fisicamente se fosse o caso), como já diziam. Pareciam a Jovem Guarda da nova ordem expurgada do PT, e seus “excessos” ganhavam a condescendência concedida a traquinagens de crianças pequenas [28]. A ascensão do Arturo Ui brasileiro causou sensação, mas a adesão de Paulo Guedes tranquilizou a elite [29]. Nem Fernando Henrique Cardoso, o oportunista sem escrúpulos erigido em sábio da montanha, deu seu veto à ascensão do inseto. Ciro Gomes foi a Paris. Enquanto Haddad, o mártir democrata, se empenhava numa agenda de campanha tão heroica quanto desesperada, a base criava o “vira-voto”. Não deu certo.

Foi assim que uma grande aliança, exército de Brancaleone montado por mafiosos do mercado financeiro, palhaços ocultistas, supremacistas brancos, uma senhora sequestradora de crianças, um assessor particular do lorde sir Geraldo Alckmin, forjadores de currículos, fritadores voluntários de hambúrguer na América, a cúpula militar do Exército Brasileiro e outros inadequados, o rebotalho, o bas fond, o fim da picada, chegou ao poder, com a bênção da classe dominante que pregou a “escolha muito difícil” [30]. 4 anos se passaram. Deles todos lembram dolorosamente bem.

Quem diria que essa gente estaria tão derrotada quanto hoje. Psicóticos que são, deram um tiro no próprio pé ou mesmo um “tiro no peito”, como alguma advogada falou no ato democrático da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, num lapso de lucidez, nesse dia 09 de janeiro. O dia 08 foi o susto, o desrecalque grotesco, maneiro. Cagar no púlpito. Quebrar vidros (eles não tinham esse hábito). Roubar coisas (eles não roubaram quando adolescentes no supermercado). Fazer tudo o que eles reclamaram que os outros fizessem. Etc., etc. Superlegal.

Ao desrecalque final bolsonarista, mostrando o quanto são destrambelhados de cima a baixo estes imbecis, que vivem no desértico mundo da lua e nunca leram Maquiavel [31]: imbecis todos, do gaiato que foi comprado para entrar no ônibus à velhinha furiosa, fazendo rapel para chegar no teto de um Palácio; do caquético general Heleno, digno de dó, ao Führer tropical envolto em problemas intestinais. São um bando de idiotas e só por isso foram derrotados. Vejam só.

É engraçado ver, e pode ser horrível também, até onde a maluquice dessa gente vai. É difícil dar nome a eles: menos organizados que fascistas, não são terroristas, a não ser num sentido bestial. Não há terrorismo profissional no Brasil. Se existisse terrorismo de direita, Brasília já teria sido explodida faz tempo. Explodida, não depredada. Este é o perigo. Porque a loucura da direita só não é maior que a incompetência do partido no poder. A mera observação facial do “ministro da Justiça” Flávio Dino dando sua entrevista tardia na noite do dia 08 mostra o quanto Lula foi longe no cultivo, ao seu redor, de cópias mortas de si mesmo. A simples audição das desculpas esfarrapadas do ministro, que passou pano para o governador ensandecido do Distrito Federal e teve a pachorra de expressar sua (provavelmente verdadeira) surpresa (!!!) com o fato de que Ibaneis (?) e Anderson Torres (???) não cumpriram os “protocolos”, apenas ouvir isso já dá a medida da incompetência dessa gente [32]. Insisto: à parte os erros crassos, a cara limpa com que Dino os assume, ao invés de escondê-los, demonstra sua frouxa conexão com a realidade [33]. Sabemos que nada foi descoberto, nada foi desbaratado: da bomba no caminhão do aeroporto à qualquer coisa, tudo foi descoberto por pessoas comuns e nada por policiais ou pela inteligência do Estado. Sabemos que pouco foi feito e que tudo era esperado. A parte da surpresa ficou, talvez, com as intenções infantis que os desequilibrados bolsonaros tinham a respeito do que fazer com os Palácios: usar a tribuna do Congresso como escorregador, por exemplo. Regressão sem fim.

V

Democracia para sempre

Nunca a dança das cadeiras da representação do poder no foi tão animada. O inimigo de hoje é o amigo de ontem e assim vai. O nexo comum em tudo isso é tão somente: repressão para os de baixo. A violência: contra quem vamos dirigi-la hoje?

Assim Alexandre de Moraes, Secretario de Segurança Pública do bondoso Geraldo Alckmin, que jogou toda a força bruta da Polícia Militar contra crianças desarmadas garantindo assim a reintegração de posse das escolas que seriam fechadas [34] ganhou uma segunda alma como fiador da democracia no Brasil, terror dos bolsonaristas. Se Ustra foi “o terror de Dilma Rousseff”, Moraes há de ser o terror do ex-presidente que, como sabemos e para variar, está se cagando [35]. A troca de biografias é tão “ampla, geral e irrestrita” que não há espaço de comentar os casos de Geraldo Alckmin, Simone Tebet, variados ministros dos tribunais Supremos, Zé Múcio e sequer uma vírgula ao governador Tarcísio, o oportunista-mor que já beijou a cruz [36].

Me agrada muito Luiz Inácio como pessoa. Acho que ele tem qualidades excepcionais que o destacam, colocando-o enquanto pessoa acima da média dos políticos brasileiros, muito acima, inclusive, da nódoa cinzenta de pessoas sem brilho, tarefeiras e aduladoras com quem ele há tempos se cerca e a quem, às vezes, tenta fazer prefeito ou governador. O governo Lula ganhou, graças à estupidez de seus contendores, um grande presente no dia 08 de janeiro. Ganhou na loteria um passe livre em defesa da democracia e já sacou o capital político no dia 09. Continuam bons de cena, de direção de arte: os 27 governadores descendo à rampa com o papai, o chá inglês do presidente com a afável Rosa Weber e companhia limitada nas poltronas que sobraram no Palácio. Parabéns à Janja, que deve ter ajudado, como na posse [37].

Imagem da obra de Jane Alexander

A conversão dos cidadãos de bem em vândalos e dos vândalos do bem em terroristas a serem caçados marca o “triunfo triunfal” de Lula. Não há pleonasmo que baste nesse dia de glória. Lula, que não é bobo, apesar do bom coração que o faz lamentar tudo e solidarizar-se com tudo, das chuvas de Araraquara às graves mudanças climáticas, deve saber, num recanto maquiaveliano da sua mente, o tamanho do presente que ganhou de seu antecessor idiota e de toda a trupe, de todos os retardados [38].

O governo está aproveitando a situação muito bem. Cabe dizer para o que ela vai servir. Sim, cadeia para todos, desbaratar todas as quadrilhas reacionárias. Nada contra. Mas, de fato, a médio prazo: a “reação democrática”, como eles mesmos estão chamando sem percepção de ironia, a reação democrática servirá para construir uma democracia reacionária. Desde 2013, o PT ampliou ao infinito o velho dístico: “quem reclama faz o jogo da direita”. Com os acontecimentos de 08 de janeiro, reuniram-se em torno de governo todas as forças políticas, relegitimadas. De jovens trotskistas a advogados da OAB, todos cerram fileiras com o governo. E começa a caça às bruxas, muito mais animada porque as bruxas são realmente existentes, realmente perigosas, realmente más, embora só precisem ser caçadas porque o governo é fraco e incompetente. Deixou escorrer pelas mãos cinco mil bolsonaristas, talvez para dar a nós, “o povo”, o prazer de caçá-los em gincana democrática. Onde está Wally? É realmente uma gincana escolar, cheia de participação e espontaneidade. Finalmente nos deram algo para fazer. Que se cacem os bolsonaristas. Game of Thrones. Mostrando ligeireza, a Polícia Federal cria um e-mail para denúncias. Todos ajudam. Exemplos do Instagram: populares criam uma página na rede social dedicando-se à “identificação dos(as) criminosos(as) que atentam contra a democracia no Brasil!”. Na marcha triunfal do operariado em fuga, verdadeira ditadura democrática de estudantes e trabalhadores que toma a forma de uma pequena caminhada comemorativa, um pequeno partido stalinista pode sonhar: “abaixo o vandalismo fascista! Ditadura nunca mais”. O trostkista relata: “hoje fui pra rua com meus camaradas / enfrentar o golpismo da extrema direita”. Todos podem “enfrentar” de peito aberto no dia seguinte, depois que o governo e o judiciário já intervieram no Distrito Federal e prenderam X mil pessoas. É a hora poética, o abraço patriarcal, em que servir ao governo e ser revolucionário antifascista são atos indistintos. Mas não se enganem: quem acha que Lula está à altura da ocasião e vai desbaratar o núcleo duro das Forças Armadas, único partido de extrema-direita organizado no país, ou que sua sanha de investigar atingirá os píncaros das Odebrechts da direita, se as houver, se engana porque gosta.

O especialista em abolicionismo penal explica que não há nada de punitivismo aqui. Afinal, “punitivismo é sobre opressão estrutural do sistema penal que é interseccional e estratégica às estruturas de opressão racista e burguesas. Não é sobre qualquer tipo de punição”. Aham. Também é verdade que, para esse abolicionista, “o apoio tático de punições (…) cumpre função fundamental para disputa de hegemonia”. Mas o governo tem tática? Atender a uma demanda de punição, ainda mais quando ela se justifica em nome da segurança da vida de todos, é estar com a faca e o queijo na mão. Aguardemos para ver o que o governo democrático em triunfo fará com isso. Suspeito que o programa do PT seja: fome para ninguém e repressão para todos. Não é nada desprezível o fim da fome e a redução da miséria extrema. Não é nada desprezível a repressão, que toma forma aberta na perseguição necessária dos desprezíveis bolsonaristas e toma forma encoberta em todo o resto: na repressão ao nome do Movimento Passe Livre, que nunca existiu, na canalização de tudo para os conselhos e conferências, na irrigação da cultura com o dinheiro que serve de anestésico e na repressão mais evidente e oculta, na qual ninguém toca: o assassinato e encarceramento de gente pobre e preta, que só cresce, sem parar, enquanto os governos se trocam [39].

Epílogo

O candidato da Democracia, F. Haddad, é entrevistado em setembro de 2018 pela imprensa “companheira” e faz seu auto de fé sobre Junho de 2013:

Fernando Haddad: Acredito que em 2013 começou uma coisa muito diferente no Brasil. Aos meus olhos, desenhava-se uma crise institucional, e eu era um espectador privilegiado, estava, como prefeito, no prédio que o pessoal tentava colocar fogo. Fui ao Lula e disse exatamente isso.(…)

Carta Capital: O senhor não foi só um espectador privilegiado. Muitos críticos afirmam que não soube lidar com a situação, iniciada em São Paulo por causa do reajuste da tarifa de transporte público.

Fernando Haddad: Nunca recebi essa crítica do PT. Existe uma esquerda infantil que faz esse tipo de consideração e que não enxerga um palmo à frente do nariz. É um pensamento infantilizado achar que foi o reajuste da tarifa que desencadeou aquele processo. O protesto contra o reajuste não durou uma semana. Dizia: “Vamos baixar a tarifa e não vai resolver”. É uma certa ingenuidade. Escrevi um longo ensaio na revista Piauí [etc., etc.]. [40]

É essa gente que está no poder, essa gente nos odeia e são muito adultos. Adulto é o Flávio Dino, mortalmente incompetente, o falastrão Múcio e Fernando Haddad, “o professor”, vaidoso como um pangaré velho. Infantil é a esquerda que não enxerga seu nariz [41]. E, afinal, “nunca ouvi essa crítica dentro do PT”, etc.

Num contexto muito distinto do atual, Rosa Luxemburgo escrevia:

Passou o primeiro delírio. Passaram os tempos das manifestações patrióticas nas ruas, da perseguição de automóveis de aspecto suspeito, dos telegramas falsos (…) os dias em que o povo cometia excessos ao sair para caçar espiões, das multidões cantando, dos cafés com coros patrióticos (…) turbas violentas, prontas a denunciar, a perseguir mulheres, a chegar até o frenesi do delírio diante de cada rumor (…) [42]

Este é o momento, no lulismo e em seus satélites. Este é o momento e o momento não vai durar.


Texto publicado originalmente no portal do coletivo Passa Palavra.

Notas

[1] Referência ao artigo do urbanista Carlos Vainer no livro coletivo Cidades Rebeldes, ed. Boitempo, julho de 2013.
[2] A história da repressão ao movimento popular durante e após Junho de 2013 está por ser coligida. Haddad e Alckmin dando as mãos são um emblema, enquadrado pelo que ocorre depois, não uma explicação: é preciso somar diversos casos regionais. Meu exemplo favorito, a repressão de Tarso Genro, com cobertura da rede Globo local, aos “mascarados anarquistas”, com direito a arrombamento de propriedades e apreensão de livros proibidos. Um verdadeiro golpe midiático e jurídico. No ano seguinte, o sátrapa Genro, assustado mas não arrependido, viria chorar sua preocupação com a democracia na imprensa. Ver, para a perseguição aos anarquistas e as lágrimas de Genro, respectivamente: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2013/06/24/o-enredo-de-uma-farsa-a-tentativa-de-criminalizacao-da-federacao-anarquista-gaucha/ https://diplomatique.org.br/revisitando-brasil-em-weimar/
[3] A esse respeito e pontuando a mudança de roteiro ver o texto de Silvia Viana, “Será que formulamos mal a pergunta?”, publicado no livro coletivo já mencionado. Viana toma um episódio ocorrido no programa ao vivo do apresentador Datena para evidenciar que, diante do apoio popular aos “protestos com quebra quebra”, a imprensa foi forçada a uma mudança de enquadramento. Sobre os nexos entre violência policial e violência televisiva, ver o texto útil de Eugênio Bucci, “Como a violência na TV alimenta a violência real – da polícia”. Reunido em: Maria Rita Kehl e Bucci, Videologias: ed. Boitempo, 2004. O artigo original é de 2000.
[4] Aqui saudamos o livro de Eder Sader sobre o ciclo anterior: “Quando novos personagens entraram em cena – experiência e lutas dos trabalhadores da grande São Paulo 1970-1980”. É possível resumir que, no período de que tratamos, novos personagens foram rasurados por operadores do poder que conheciam, por origem histórica, o perigo do poder popular.
[5] Em 10 de fevereiro de 2014 faleceu o cinegrafista Santiago Andrade, atingido, no Rio de Janeiro, por um rojão na cabeça. É bom lembrar que a imprensa burguesa só noticia mortes de profissionais de imprensa quando lhe convém.
[6] Manchete da Veja de fevereiro e 2014. A edição trazia matéria principal sobre a “Fada da Baderna” eivada de inverdades e manipulação, contando inclusive com montagens fotográficas onde a criminalização da violência popular se associa ao racismo da direção da revista. Para uma fotografia da capa da revista e o relato em primeira pessoa dos efeitos desse verdadeiro processo moscovita na vida de uma vítima, ver: https://ponte.org/elisa-quadros-sininho/
[7] Para uma caracterização histórica do conceito de “trabalho sujo”, com foco no nacional- e no mundo do trabalho neoliberal, ver: “Sale Boulot – uma janela sobre o mais colossal trabalho sujo da história (uma visão no laboratório francês do sofrimento social”, texto de Paulo Arantes reunido em O Novo tempo do Mundo: Boitempo, abril de 2014. Originalmente publicado na revista Tempo Social em 2011. Faz pensar.
[8] Para a frase, linha fina da matéria do de Fato lembrando o aniversário de 5 anos da Lei. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2021/12/20/criada-ha-cinco-anos-lei-antiterrorismo-gerou-efeito-cascata-no-legislativo-com-outros-36-pls
[9] Talvez estivesse deixando a casa arrumada para quando voltasse, uma vez que planejava voltar. Ela “tinha certeza de que” podia dizer “até daqui a pouco”, no que provou-se correta. Cf. trecho do discurso de despedida da mesma. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=e9ZZZcLYqh4
[10] Sobre o PL 1595/2019 do governo Bolsonaro, ver: https://www.brasildefato.com.br/2021/08/21/especialistas-explicam-como-projeto-de-lei-contra-terrorismo-ameaca-liberdades-politicas
[11] A história do mascote é muito interessante e merecia um texto só dela. Me atenho ao que é pertinente aqui: em outubro de 2012 a brigada militar usou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha; ao menos 30 pessoas ficaram feridas na defesa desse totem, que era “parte de estratégia de marketing”. Que o fetichismo da mercadoria importa mais que a vida humana, todo mundo já devia reconhecer. 4 dias depois, o mascote, que ainda não tinha nome, foi “destruído a facadas” em Brasília. Na capital gaúcha dois manifestantes foram presos em flagrante; seus camaradas de Brasília foram mais bem sucedidos e a autoria do “esfaqueamento” segue anônima. Para uma introdução ao tema, ver: https://ge.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2012/10/mascote-da-copa-tatu-bola-leva-pior-durante-protesto-em-porto-alegre.html Para refrescar a memória: https://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2012/10/05/mascota-da-copa-do-mundo-de-2014-e-destruido-durante-protesto-em-porto-alegre.htm O “ataque” ao tatu, registra a matéria, “ocorreu durante um protesto contra as privatizações de áreas públicas da cidade”.
[12] https://www.brasildefato.com.br/2018/04/07/leia-a-integra-do-discurso-historico-de-lula-em-sao-bernardo/
[13] Gleen Greenwald: “mas o é um país, que você governou por oito anos, que tem muitos prisioneiros. Como pode comparar seu tratamento aqui, nessa prisão, com o tratamento para prisioneiros nas prisões comuns?” Vejam a resposta de Lula. Spoiler: nenhuma solidariedade com presos comuns. O jogo de gato e rato a esse respeito segue pela entrevista, que merece ser assistida. Ver: https://www.youtube.com/watch?v=44MQtRVFuFA&t=1808s
[14] Entrevista de 2019 disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=mxjeaqjbzKI
[15] Ver nota 4.
[16] Contanto tenha apresentado, pela menção a Sader, uma base, não vou discutir as origens políticas do fenômeno Lula, rigorosamente escarafunchadas por legiões de sociólogos, cientistas políticos, historiadores e amadores, basicamente divididos entre adoradores e detratores. Essa arqueologia já está muito inchada. Sobre a importância da derrota de 1989 para a “moderação do discurso”, a expulsão dos radicais ou o que quer que seja, já está muito comentado, de André Singer ao infinito.
[17] Aos incautos: não se trata de negar o complô da Lava-Jato, do PSDB, de Aécio, Alckmin, Cunha, Temer et caterva. É apenas ao recuar o golpe para 2013 que Lula recai em manoras de autocratas.
[18] Copio aqui o título de Paulo Arantes em seu artigo reunido no livro Extinção (Boitempo: 2007). O deserto do real é “o mundo fora de uma gigantesca máquina de simulação que nos mantém atados à materialidade meramente virtual de uma existência alucinante da mais entranhada alienação”. Essa máquina, em sua versão brasileira, balançou durante 2013.
[19] Fazia parte do plano da CIA, suponho. Vide: https://www.ofuxico.com.br/noticias/dicaprio-participa-do-movimento-gota-d-agua/
[20] É um debate engraçado e sempre volto a ele. Está filmado. Marilena Chauí é caricata, Singer prudente e a fala de Vladimir Safatle foi que envelheceu melhor. Está picotado em vários vídeos, sugiro procurar da seguinte forma: https://www.youtube.com/results?search_query=ascensao+conservadora+2012
[21] Foi o que o governo tentou fazer, de forma teimosa e tacanha, sem nenhum sucesso. Não me detenho nas trapalhadas de Dilma, a começar pelos patéticos “5 pactos” de 24 de junho de 2013. Como lembrança: https://g1.globo.com/politica/noticia/2013/06/dilma-propoe-5-pactos-e-plebiscito-para-constituinte-da-reforma-politica.html
[22] P.A., “Depois de Junho a Paz será Total”, em Novo Tempo do Mundo, cit.
[23] Certeza que a plateia inteira a perdoou. Resta recorrer à sabedoria popular e dizer: há pessoas que gostam de ser feitas de trouxas.
[24] Para citar uma poeta contemporânea, Salma.
[25] Lula é uma ideia. Alguém se lembra desse slogan? Já foi pra lata de lixo da publicidade – na verdade uma composteira, eles reciclam tudo. Mário de Andrade: eu sou trezentos, sou trezentos e cinquenta. Nesse caso, os 300 de Esparta.
[26] Outra tentativa de ocultar o Movimento Passe Livre, dessa vez pela usurpação jovem e aberta, o que mostra que o PT não está sozinho.
[27] A economia, sob o seu nome verdadeiro de “capitalismo” está nas entrelinhas desse texto, mas não sei falar dela. Não conheço nenhum estudo sério que possa ser recomendado sobre os altos e baixos da “economia” brasileira correlacionados aos altos e baixos da sua “política”. Peço desculpas por essa omissão no argumento.
[28] A bibliografia sobre o Escola Sem Partido, o Movimento Livre, os olavistas, os reacionários católicos e evangélicos organizados, só cresce. Não recomendo nenhum texto em especial. Sobre essa diversificação da extrema direita, cabe dizer: embora os movimentos se diferenciem e até se organizem separadamente, cabe dizer que no nível da militância, em geral um dado indivíduo é todas essas coisas simultaneamente: cristão, militante antigênero, do Escola Sem Partido, “liberal”, etc. Não sei como conseguem. Especialistas estudam o amálgama.
[29] Diga-se de passagem que a relação Paulo Guedes-Bolsonaro é similar, em termos de legitimação junto à classe dominante, à da dupla Mussolini e seu primeiro ministro das finanças, Alberto de Stefani. O anúncio do ministro liberal tranquilizou a burguesia e o rei que entregou ao Duce seu cargo. Ver por exemplo o livro de Donald Sassoon “Mussolini e a ascensão do fascismo”, que explica claramente a questão, mas há uma vasta (e boa) bibliografia.
[30] Para lembrar: https://www.estadao.com.br/opiniao/uma-escolha-muito-dificil/
[31] Olavo de Carvalho odiava Maquiavel. Isso deve ter contribuído para a derrota do bolsonarismo.
[32] Uma frase de Theodor Adorno e Max Horkheimer: “Os inteligentes sempre facilitaram as coisas para os bárbaros, porque são de fato estúpidos”. O contexto era o nacional-socialismo.
[33] Correção: ou o entendimento de que os petistas aceitam tudo.
[34] Para uma lembrança animada, tanto do papel entusiasta de Moraes na violência quanto do movimento de de escolas, sugiro, ao invés de bibliografia, um filme divertido, estranhamente ou não produzido pela Globo. Documentário “Espero tua (re)volta”. Disponível em: https://globoplay.globo.com/v/8982051/
[35] 09 de Janeiro de 2023. Aurora da democracia. Manchete: “Bolsonaro é internado nos Estados Unidos após sentir dores abdominais, dizem aliados”. Disponível em: https://noticias.r7.com/brasilia/bolsonaro-e-internado-nos-estados-unidos-apos-sentir-dores-abdominais-dizem-aliados-09012023
[36] E a cruz é o pau do Lula. Para informações sobre o ato de beijar a cruz, com relatos do momento em que Lula, que reconhece a existência de poderes superiores (como o Capital) beijou a mesma, ver o artigo de Paulo Arantes, “Beijando a cruz”, recolhido no livro Zero à Esquerda (2004). Artigo originalmente publicado na extinta revista Reportagem tão cedo quanto em abril de 2003.
[37] Tão prestativa.
[38] Já fui alertado que essa palavra não se usa mais mas creio que, para bolsonaristas, serve. Além do que, eles são literalmente retardados, i.e., ficaram para trás, esperando o Exército ou uma espaçonave.
[39] Ninguém toca, ninguém ousa tocar e sobre isso Lula, “ex-presidiário”, não quis aprender nada. Não creio que a presença do bondoso Silvio Almeida vá, quanto ao essencial, servir.
[40] Reproduzido em: https://www.surubimnews.com.br/fernando-haddad-vamos-retomar-o-projeto-de-lula/
[41] Reinações de narizinho.
[42] Panfleto Junius.

As obras que ilustram o artigo são da autoria de Jane Alexander (1959).

Mídia1508

A 1508 é um coletivo de jornalismo independente anticapitalista, dedicado a expor as injustiças sociais brasileiras e a noticiar as mobilizações populares no Brasil e no mundo.

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