Pucallpa, no Peru, está paralisada há três dias por uma greve regional por tempo indeterminado. Transportadores e organizações sociais mantêm bloqueios na rodovia Federico Basadre em vários pontos, enquanto mercados, lojas e postos de gasolina permanecem fechados.
A principal reivindicação é o alto preço dos combustíveis.
Os manifestantes também exigem a reabertura do Hospital Regional de Pucallpa, mudanças na Universidade Nacional de Ucayali e a presença de uma comissão do governo.
A Frente de Defesa de Ucayali (uma das 25 regiões do Peru, Ucayali fica localizada na floresta amazônica, tendo Pucallpa como sua capital) alerta que a greve continuará por tempo indeterminado até que o Poder Executivo atenda às suas reivindicações.

A greve
A região de Ucayali completou seu terceiro dia de paralisia total nesta quarta-feira (12). Com barricadas em pontos críticos, pneus em chamas e a icônica rodovia Federico Basadre completamente bloqueada, a cidade acordou cercada por uma greve regional por tempo indeterminado, convocada pela Frente de Defesa de Ucayali e apoiada por sindicatos de transporte e organizações sociais.
A greve é uma resposta à insatisfação generalizada com o aumento exorbitante dos preços dos combustíveis. Segundo os manifestantes, o preço do galão de gasolina comum disparou, valores considerados insustentáveis para a economia local e agravados pela escassez de combustível em diversos postos de gasolina da cidade.

Keiko Fujimori, a filha de um ditador
A extrema direita avança na América Latina. No Peru, Keiko Fujimori, filha do ditador Alberto Fujimori, foi eleita presidenta em junho deste ano.
Candidata do partido Fuerza Popular (Força Popular), Fujimori obteve 50,135% dos votos válidos, o equivalente a 9.223.396 votos, contra 49,865% e 9.173.755 votos do candidato de esquerda Roberto Sánchez, da coalizão Juntos pelo Peru.
A diferença entre os dois foi de 49.641 votos, uma das menores margens registradas em uma eleição presidencial peruana nas últimas décadas.
Keiko se tornou uma das poucas figuras duradouras na política peruana, que nos últimos anos tem devorado seus líderes no ritmo frenético de sucessivos escândalos de corrupção.
Ela também teve o seu próprio escândalo: foi acusada de lavagem de dinheiro no caso de corrupção ligado à construtora brasileira Odebrecht. Chegou a passar mais de um ano na prisão. Em 2025, o Tribunal Constitucional acabou arquivando o processo. A decisão lhe permitiu voltar a ser candidata a tempo para estas eleições.
Seu pai, Alberto Fujimori, governou o Peru na década de 1990 após dar um autogolpe com apoio militar e fechar o Congresso. Ele foi condenado por crimes contra a humanidade e passou 16 anos preso, até ser solto em 2023.
No dia 5 de abril de 1992, colocou o Exército na rua, fechou o Congresso e a Suprema Corte, passando a governar por decretos. Nesse período, 200 mil mulheres foram esterilizadas à força, numa política de controle de natalidade aplicada pelo governo.
