Milhares de chilenos enfrentaram a repressão policial durante a marcha para marcar o 53˚ aniversário do golpe militar de 1973

A manifestação em memória do golpe militar no Chile levou milhares de pessoas às ruas de Santiago.

Manifestante lança coquetel molotov contra a repressão policial durante protesto em memória das vítimas da ditadura militar de Augusto Pinochet, em Santiago, no Chile, em 06 de setembro de 2026 — Foto: Efe/Reuters

Marcha em memória do golpe no Chile reúne milhares de pessoas em Santiago para homenagear vítimas e denunciar cortes do atual governo.

A manifestação em memória do golpe militar no Chile levou milhares de pessoas às ruas de Santiago no domingo, 6 de setembro, enquanto organizações relembravam o 53º aniversário do golpe de 11 de setembro de 1973, que derrubou e assassinou o presidente Salvador Allende.

O protesto, que seguiu em direção ao Cemitério Geral, foi marcado por fortes críticas às políticas do presidente José Antonio Kast, especialmente no que diz respeito aos cortes de verbas públicas para instituições voltadas à memória e aos direitos humanos.

A marcha em memória do golpe faz parte de uma longa tradição de relembrar as vítimas da ditadura militar. Este ano, no entanto, o evento ganhou urgência ainda maior, com ativistas alertando que reduções orçamentárias recentes ameaçam o funcionamento de locais dedicados à preservação histórica e à reparação.

Manifestante carrega cartaz com foto de Salvador Allende, presidente assassinado pela ditadura militar de Augusto Pinochet, durante protesto em Santiago, no Chile, em 06 de setembro de 2026 — Foto: Efe/Reuters

Dezenas de pessoas foram detidas. Manifestantes ergueram barricadas e lançaram coquetéis Molotov, pedras e fogos de artifício contra a polícia, que respondeu com jatos d’água e gás lacrimogêneo.

A marcha anual, organizada por grupos políticos e de direitos humanos, homenageou as milhares de pessoas mortas e as cerca de 40.000 vítimas de violações de direitos humanos durante a ditadura militar de Augusto Pinochet (1973–1990).

Grupos de direitos humanos, sindicatos, organizações estudantis e a Mesa Nacional de Direitos Humanos participaram da mobilização, enfatizando a necessidade de proteger espaços de memória e garantir a responsabilização por violações passadas e presentes.

Comissão Valech

A Comissão Valech, criada em 2003, que documentou torturas contra milhares de pessoas durante a ditadura, se comprometeu a manter a confidencialidade das informações obtidas durante 50 anos.

Ao longo do regime (1973-1990) foram registradas mais de 40.000 vítimas de violações de direitos humanos, segundo os dados da Comissão Valech.

A Comissão de Prisão Política e Tortura, liderada pelo ex-bispo Sergio Valech (daí o apelido), produziu um informe que deu conta de 28.459 por prisões ilegais, tortura, execuções e desaparecimentos, além de mais de 800 centros de tortura. Durante o primeiro mandato de Michelle Bachelet (2006-2010), foi formada outra comissão, conhecida como Valech 2, que descobriu a existência de 9.795 novas vítimas de prisão política e tortura.

Manifestantes carregam cartazes de vítimas assassinadas pela ditadura militar de Augusto Pinochet, durante protesto em Santiago, no Chile, em 06 de setembro de 2026 — Foto: Efe/Reuters
Manifestante carrega cartaz de vítima assassinada pela ditadura militar de Augusto Pinochet, durante protesto em Santiago, no Chile, em 06 de setembro de 2026 — Foto: Efe/Reuters

Mídia1508

A 1508 é um coletivo anticapitalista de jornalismo independente, dedicado a expor as injustiças sociais e a noticiar as mobilizações populares no Brasil e no mundo.

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