No dia 14 de maio, milhares de pessoas foram às ruas em diversas cidades da Bolívia para protestar contra o governo.
No centro de La Paz, capital da Bolívia, manifestantes entraram em confronto com a repressão policial quando o protesto tentou chegar à Praça Murillo, onde fica o palácio presidencial, para exigir a renúncia de Rodrigo Paz Pereira, político da direita boliviana e atual presidente do país.
Na quinta-feira (14), pequenas explosões foram ouvidas em meio ao protesto em La Paz, atribuídas a mineiros que detonaram pequenos cartuchos de dinamite. Alguns manifestantes teriam tentado invadir o palácio presidencial.
Milhares de mineiros estão em greve há duas semanas, a categoria iniciou as recentes manifestações e são apoiados por agricultores, professores, trabalhadores do transporte público e diversos grupos indígenas.
Dezenas de estradas e rodovias foram bloqueadas por tempo indeterminado pelos manifestantes. Confrontos com a polícia ocorreram durante bloqueios nas cidades de El Alto e Santa Cruz.
Rodrigo Paz está nos discriminando. Ele está nos reprimindo e nós, o povo de El Alto, não vamos permitir isso. E esperamos que nossos vizinhos se juntem a nós. Este governo não nos intimida. Não temos medo.
Manifestante em entrevista a France 24.
Os manifestantes exigem aumentos salariais que acompanhem o crescente custo de vida e o fim da privatização de empresas estatais. Denunciam a eliminação de impostos sobre grandes fortunas e transações financeiras, que beneficia apenas a elite econômica e empresarial; e o aumento contínuo dos preços dos combustíveis. Eles acusam o governo de não cumprir as promessas feitas durante as eleições de 2025.
Em janeiro passado, milhares de pessoas paralisaram o país inteiro por oito dias, exigindo a revogação definitiva do Decreto Supremo 5503, um pacote de medidas econômicas neoliberais implementado pelo governo de Rodrigo Paz, que incluía aumentos no preço dos combustíveis e cortes nos subsídios para os mais pobres do país.

O líder de direita Rodrigo Paz foi eleito em outubro do ano passado, em parte, com a promessa de enfrentar a crise econômica. Sua vitória marcou uma mudança radical na política boliviana.
A Bolívia costumava ser uma grande exportadora de gás natural, mas nos últimos anos suas reservas começaram a diminuir e sua produção despencou. Agora, em vez de ser uma exportadora de combustíveis, tornou-se uma importadora líquida, dependente de petróleo e gás natural do exterior.
O colapso da indústria de gás natural foi agravado pela diminuição das reservas de moeda estrangeira no país. O resultado foi uma inflação galopante, escassez de oferta e preços mais altos.
Os bolivianos têm enfrentado longas filas para abastecer seus carros, e hospitais relataram falta de suprimentos básicos como oxigênio e medicamentos.

Alguns aliados de Paz atribuíram os distúrbios ao ex-presidente Evo Morales, um antigo líder sindical que continua a ter apoio popular nas áreas rurais da Bolívia.
Morales, que governou a Bolívia de 2006 a 2019, já havia apoiado protestos contra o antecessor de Paz, Arce, após romper com o Movimento para o Socialismo (MAS).
Usuário assíduo das redes sociais, Morales publicou diversas vezes na quinta-feira sobre os protestos, acusando o governo de usá-lo como bode expiatório. Ele também reiterou os apelos para que as autoridades resolvessem a escassez de alimentos, combustível e outros suprimentos básicos.
“Eles acreditam que os milhares de bolivianos que estão protestando atualmente — nas ruas e nas estradas — estão apenas obedecendo a um único indivíduo”, escreveu Morales em uma publicação.
“Os indignados são movidos por sua consciência social e sua fúria contra um governo que, desde o primeiro dia, traiu seus eleitores e a nação.”
