Na última segunda-feira (26), trabalhadores do setor de entrega realizaram uma manifestação no Centro de Campo Grande, Zona Oeste do Rio, após o assassinato do entregador e colega de trabalho Paulo Vitor de Souza Lopes, de 22 anos, morto a tiros na região.
O protesto percorreu ruas do bairro e depois seguiu para Avenida Brasil em direção à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), onde os manifestantes relataram a constante insegurança no trabalho e cobraram o governador Cláudio Castro. Em frente à ALERJ os motoboys gritavam “Fora Cláudio Castro!” e “cadê o governador?”.
Paulo Vitor foi assassinado a tiros enquanto fazia uma entrega de pizza em Senador Vasconcelos, na noite do último domingo (25).
Segundo testemunhas, ele foi abordado por dois homens por volta das 21h30, na Avenida Cesário de Melo, quando realizava uma entrega. Os homens efetuaram vários disparos contra o jovem, que utilizava uma bolsa térmica de aplicativo de entregas, e fugiram levando a moto da vítima.
Horas depois, o veículo foi encontrado abandonado na Estrada do Campinho, em Campo Grande. Este é o segundo caso de motoboy morto enquanto trabalhava na cidade em menos de uma semana, o que motivou a mobilização da categoria.

‘Eu comprei a moto para ele trabalhar’, diz pai de Paulo Vitor
O pai de Paulo Vitor, que prefere não se identificar e não mostrar o rosto por medo, contou que o filho pode ter hesitado na hora de entregar a moto. Essa reação, segundo ele, teria motivado o disparo fatal.
“Pelo que disseram, ele hesitou para entregar a moto. Aí o bandido atirou no rosto dele e levou tudo: os pertences, a moto. É muito difícil. A gente vê isso todo dia na televisão, trabalhador sendo morto… mas nunca imagina que vai acontecer com o próprio filho”, lamentou o pai em entrevista ao G1.
Paulo Vitor morreu ainda com o capacete, o uniforme de trabalho e a mochila de entregas nas costas. Até a pizza que ele transportava foi levada, segundo relatos feitos à família.
No IML, o pai fez um apelo para que a justiça seja feita.
“Eu espero que a polícia faça o trabalho dela. Não quero que ninguém atrapalhe a vida dos outros por minha causa. Sou cristão e desejo que isso melhore. A tendência tem sido só piorar, infelizmente.”
A família de Paulo Vitor afirma que o jovem tinha acabado de conseguir a moto usada no trabalho. O pai comprou o veículo na expectativa de ajudar o filho a ter independência financeira.
“Eu comprei a moto para ele trabalhar, para se sustentar. Não para ele perder a vida”, disse, emocionado.

