Revolta na Itália após polícia matar um homem marroquino que estava imobilizado

Imagens amplamente compartilhadas da morte de Fakir mostram policiais mantendo o homem de 42 anos de bruços no chão; ele pede socorro repetidamente antes de ficar imóvel.

Um manifestante segura um cartaz com os dizeres em italiano "Assassinos de Estado" acima de uma multidão durante um protesto após a morte de Abderrahim Fakir em Bolonha, Itália, em 20 de julho de 2026 — Foto: Michele Lapini/Reuters

Manifestações eclodem em Bolonha, norte da Itália, após a morte de marroquino durante ação policial.

Manifestantes e policiais entraram em confronto em Bolonha, na segunda-feira (20), após a morte do empresário de origem marroquina Abderrahim Fakir enquanto ele era contido à força pela polícia. Imagens amplamente compartilhadas da morte de Fakir mostram policiais mantendo o homem de 42 anos de bruços no chão; já imobilizado, ele pede socorro repetidamente antes de ficar imóvel.

Abderrahim Fakir, um empreendedor nascido no Marrocos que administrava uma pequena empresa de mudanças e limpeza, morreu no domingo (19) após a polícia ter sido chamada para lidar com “um homem que apresentava comportamento agressivo e danificava um veículo”, informou a imprensa italiana.

Imagens do assassinato, gravadas por um morador, levaram milhares de pessoas a protestar. Os manifestantes exibiam frases como “Justiça e verdade para Fakir!” e “Estado assassino”.

Durante o confronto com a repressão policial, manifestantes lançaram coquetéis molotov perto de instalações policiais na cidade. Carros foram incendiados. A polícia atacou a manifestação com cassetetes, bombas, gás lacrimogêneo e com veículos de jatos de água.

Um grupo de manifestantes sentou-se em uma praça segurando uma fotografia de Fakir, descrevendo a ação como um gesto de protesto não violento.

“Os gritos de ‘policiais assassinos’ e ‘o mundo inteiro odeia vocês’, entoados durante uma manifestação em Bolonha… são vergonhosos”, disse Tommaso Foti, ministro de Assuntos Europeus do governo da primeira-ministra de extrema direita Giorgia Meloni.

O vídeo mostra Fakir deitado de bruços no chão enquanto dois policiais o imobilizam. Fakir — que, segundo relatos, sofria de problemas cardíacos e asma — grita repetidamente “aiuto, aiuto, basta” (“socorro, socorro, chega”), enquanto os policiais se sentam sobre ele e os socorristas da ambulância observam a cena.

Depois que ele para de se mover, os policiais amarram seus tornozelos.

Somente após alguns instantes é que eles e os socorristas verificam seus sinais vitais, conforme mostra o vídeo.

Uma captura de tela de um vídeo amador amplamente compartilhado nas redes sociais — inclusive pela família de Abderrahim Fakir, um italiano nascido no Marrocos — mostra-o sendo imobilizado por dois policiais e um terceiro homem em 19 de julho de 2026, em Bolonha, Itália, durante uma tentativa de prisão que terminou com a sua morte — Imagem: Reprodução/Redes Sociais

‘Morto a sangue frio’

A morte gerou reações diversas em todo o espectro político, com políticos da oposição exigindo responsabilização e a coligação governamental de extrema direita defendendo os policiais envolvidos.

A Procuradoria abriu uma investigação. O Ministro do Interior, Matteo Piantedosi, afirmou ter “plena confiança” de que a investigação apurará os fatos e esclarecerá o ocorrido.

A polícia de Bolonha informou que entregará aos investigadores as imagens das câmeras corporais dos policiais.

De acordo com relatos da imprensa, a polícia tentou acalmar Fakir antes de usar spray de pimenta e imobilizá-lo enquanto tentava algemá-lo, após sua reação agressiva.

“Mataram meu irmão a sangue frio, eu quero justiça”, disse Khadija, irmã de Fakir, a repórteres enquanto centenas de pessoas em Pilastro saíam às ruas no domingo (19), com alguns manifestantes entoando slogans contra a polícia.

A advogada Barbara Spinelli disse à agência de notícias ANSA que conheceu Fakir no ano passado, quando ele solicitou a renovação de sua autorização de permanência.

Ele era “uma pessoa muito gentil, educada e respeitosa” que estava legalmente na Itália, mas que temia ser expulso.

“Eu lhe disse: ‘Estamos na Itália, um país democrático. Aqui, a polícia respeita as regras'”, afirmou ela. “Não sei como conseguirei dizer novamente a alguém que não precisa ter medo”, completou.

A promotoria de Bolonha abriu uma investigação sobre as circunstâncias da morte, que tem sido comparada à de George Floyd, cuja morte causada pela polícia em Minneapolis, em 2020, desencadeou protestos nos Estados Unidos, no Reino Unido e em outros lugares.⁠

Um manifestante segura um sinalizador em frente a uma faixa com os dizeres em italiano “Justiça para Fakir” durante um protesto após a morte de Abderrahim Fakir em Bolonha, Itália, em 20 de julho de 2026 — Foto: Michele Lapini/Reuters
No domingo (19), manifestantes ajoelharam-se com os punhos cerrados, um gesto associado ao movimento Black Lives Matter, enquanto outro grupo sentou-se numa praça na segunda-feira (20) segurando uma fotografia de Fakir — Foto: Michele Lapini/Reuters

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Fontes:
– Demonstrations break out in Bologna after Moroccan man dies while being restrained by police
– Italians protest in Bologna after Moroccan man dies during arrest
– Video of Moroccan man dying while pinned down by Italian police sparks anger, investigation

Mídia1508

A 1508 é um coletivo anticapitalista de jornalismo independente, dedicado a expor as injustiças sociais e a noticiar as mobilizações populares no Brasil e no mundo.

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