Na última quarta-feira (14), a polícia militar realizou mais uma chacina no Rio de Janeiro, no Morro do Salgueiro, em São Gonçalo. Segundo os próprios moradores, mais de 20 pessoas foram assassinadas, ainda que oficialmente seja divulgado o número de 4 vítimas.
Menos de dois meses após a maior chacina da história do estado, na Penha e no Alemão, que deixou mais de 120 mortos, a política de Estado do governo de extrema direita de Cláudio Castro (PL) demonstra mais uma vez seu caráter racista e sanguinário.
A operação, coordenada pelas polícias Civil e Militar e continuidade da “Operação Contenção” do governo, tem versões divergentes sobre a quantidade de vítimas inclusive em seu número “oficial”. A Polícia Civil aponta que foram quatro mortos, enquanto a Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial denuncia mais de 20 mortes, a partir dos relatos de moradores da localidade. A Iniciativa revela também pessoas desaparecidas forçadamente entre as denuncias.
Moradores denunciam que as mortes foram execuções e não confrontos. A operação não realizou prisões e também não relatou o cumprimento de mandados judiciais. “O objetivo da ação foi checar informações de inteligência obtidas pelas equipes”, informou a Polícia Civil, de forma quase irônica ao usar a palavra “inteligência” em mais uma chacina.
Segundo a Ponte Jornalismo, quatro das vítimas teriam sido levadas já sem vida por policiais para o Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo. O relato de moradores é de que as mortes se trataram de execuções — em vez de terem sido decorrentes de confronto como alegou a Polícia Civil. Além dos mortos, a ação deixou uma pessoa ferida. Trata-se de um cinegrafista aéreo que foi atingido de raspão na perna quando prestava serviço de monitoramento ambiental para a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Ceade) em um voo de helicóptero.
Em apenas duas semanas de 2026, com base em dados oficiais, já são 28 mortos entre 14 ações policiais letais na região metropolitana.
Para a Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial os “dados oficiais” são aqueles produzidos a partir dos moradores e moradoras da região atingida e não da polícia, a base de informação de toda a imprensa.
E conclui que este número pode ser ainda maior.
