Após dias de protestos e bloqueios de trabalhadores contra o Decreto Supremo 5503, o governo de direita liderado por Rodrigo Paz Pereira reverteu sua posição e revogou o decreto que havia estabelecido novos preços para os combustíveis.
A Central Operária Boliviana (COB), sindicatos e federações camponesas assinaram um acordo com o governo em El Alto, epicentro dos protestos, decretando a revogação completa do decreto em vigor desde 17 de dezembro. Anunciaram o fim de todas as medidas de protesto, mantendo o estado de emergência e 52 pontos de controle nas estradas do país até que o novo decreto entre oficialmente em vigor.
Paz eliminou o subsídio aos combustíveis para consumo interno e decretou um aumento de mais de 100% no preço da gasolina e do diesel, elevando o custo de vida.

Governo x Sindicatos
O governo boliviano chegou a um acordo com os sindicatos no domingo (11) para encerrar os protestos e bloqueios de estradas que paralisaram o país por cinco dias em rejeição aos ajustes econômicos.
A eliminação dos subsídios aos combustíveis — que aumentaram as tarifas de transporte —, o aumento salarial e os bônus sociais compensatórios permanecerão em vigor, mas outras medidas, como cortes de gastos e a contratação de empréstimos para abrir o setor ao investimento estrangeiro estarão sujeitas a avaliação e ajustes, afirmou o Ministro da Presidência, José Luis Lupo, após reunião com a COB.
O principal líder da COB, Mario Argollo, explicou à Rádio Erbol que “estamos otimistas e tentaremos garantir que este acordo beneficie mais a população”. Mas vários setores não ficaram satisfeitos e declararam sua rejeição ao acordo, incluindo os agricultores das terras altas de La Paz.
A COB foi aliada dos governos de esquerda de Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025) e busca recuperar força como principal oposição a Paz após o colapso da esquerda nas últimas eleições. É a principal central sindical da Bolívia e representa trabalhadores, camponeses e profissionais, entre outros setores.
Nos primeiros 20 dias de implementação, a economia chegou a US$ 240 milhões, observou Lupo. O subsídio, que havia sido mantido por mais de 20 anos sob os governos de esquerda, representa um avanço social de uma política pública que a direita tenta acabar.
Os sindicatos descreveram o plano do governo como “uma traição”, porque também permitia a “aprovação acelerada” de “investimentos estratégicos” em mineração, hidrocarbonetos e lítio, sem o endosso da Assembleia Legislativa, na qual o governo Paz não possui maioria sólida.
O plano também concede ao Banco Central “poderes excepcionais” para negociar empréstimos e créditos sem supervisão legislativa. Essas e outras disposições serão eliminadas e ajustadas, explicaram Lupo e Argollo.
Analistas afirmam que o acordo representa um revés para o governo.






