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Revolta no centro de Niterói, trabalhador é assassinado por policial em frente à estação das Barcas

Testemunhas contam que Hiago Bastos, de 22 anos, e o policial teriam discutido depois que o trabalhador ofereceu seus produtos. A PM diz que o agente de folga reagiu a uma "tentativa de roubo".

Colchões são incendiados em protesto pelo assassinato de Yago dos Santos, no centro de Niterói — Foto: Maurício Campos

e no início da tarde desta segunda-feira (14) no centro de Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Um jovem vendedor de bala, Hiago Macedo de Oliveira Bastos, de 22 anos, foi assassinado a tiros por um policial que estava de folga, em frente à bilheteria da estação das Barcas, no centro de Niterói. O assassino alegou tentativa de assalto, desmentido por amigos e parentes do jovem trabalhador que, de qualquer forma, não portava arma alguma.

Pessoas que estavam no local se revoltaram com o assassinato de um trabalhador desarmado e protestaram. Elas fecharam a rua em frente as Barcas incendiando colchões. A PM reprimiu os manifestantes.

“Puxa nas câmeras para ver o que aconteceu. Ele foi abordar uma pessoa para vender bala e nisso o rapaz chamou ele de ladrão, falou que ele ia abordar pra vender bala e roubava o celular no bolso da pessoa. O policial ao lado ouviu e foi discutir com o meu primo. Meu primo é sujeito homem, debateu com ele de boca a boca. Ele meteu a mão na arma e deu um tiro só”, declarou o primo de Hiago.

Testemunhas contaram que o policial e Hiago começaram uma discussão depois que o trabalhador ofereceu seus produtos e foi ofendido.

O PM de folga foi identificado como Carlos Arnaud Baldez Silva Júnior. Ele foi levado para a 76ª DP (Niterói) e depois para a Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.

Familiares e amigos revoltados pelo assassinato de Hiago Bastos, no centro de Niterói — Foto: Maurício Campos

O primo de Hiago relata também descaso da polícia.

“Quando os policiais chegaram no local, meu primo ainda estava com vida. Então, se tivessem retirado ele o mais rápido possível, dava para salvar a vida dele, mas infelizmente é vendedor de bala, é só mais um”, lamentou a jornalistas, Jonathan César, primo do rapaz.

Familiares de Hiago disseram aos jornalistas que ele é pai de uma menina que vai fazer 2 anos daqui a quatro dias. Ele estava juntando dinheiro para fazer a festa da criança.

Hiago Bastos morto em frente à estação das barcas em Niterói — Foto: Reprodução

Carlos, o policial que matou uma pessoa desarmada em plena luz do dia, não estava sequer algemado e com um comportamento para lá de militarista, disse: “Eu só posso falar mediante ordens do meu superior, que é o comandante do 7º BPM”, enquanto estava na porta da delegacia.

O PM é um agente público e ao matar uma pessoa desarmada, não tem que responder aos seus superiores, mas sim a justiça e à sociedade.

O policial Carlos Arnaud Baldez Silva Júnior, que matou o jovem Hiago, em frente à delegacia — Foto: Raoni Alves

Racismo estrutural e a

A cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil.

A herança discriminatória da escravidão (todas as relações com base na ideia de inferioridade dos negros que foram transmitidas) em conjunto com a desumanização do corpo negro e a falta de medidas e ações que integrassem os negros e na sociedade, como políticas de assistência social ou de inclusão racial nas escolas, nas universidades e no mercado de trabalho, geraram o que se entende por racismo estrutural, ou seja, uma discriminação racial enraizada na sociedade.

O jovem negro é visto como um criminoso em potencial, como um alvo. Não importa se o policial é negro, o papel das forças policiais é de executar os interesses do Estado (as classes dominantes) e isso é que determina suas ações. Vale destacar que a alta patente, em sua maioria, é de homens brancos.

O racismo estrutural não diz respeito ao ato discriminatório isolado (como xingar pejorativamente alguém por conta da cor da sua pele) ou até mesmo um conjunto de atos dessa natureza. Ele representa um processo histórico enraizado na sociedade e sistematicamente reproduzido pelas instituições e seus agentes. É preciso destruir a estrutura.

Pense: se um jovem branco, loiro e de olhos azuis, estivesse vendendo bala, ele seria executado pelo policial? Talvez você diga: “Mas um jovem branco, loiro e de olhos azuis, não estaria vendendo bala!”. Sim, muito provavelmente não. E o racismo estrutural também está neste fato.

Hiago Bastos, de 22 anos, assassinado por PM em frente à estação das Barcas em Niterói — Foto: Reprodução

Mídia1508

A 1508 é um coletivo de jornalismo independente anticapitalista, dedicado a expor as injustiças sociais brasileiras e a noticiar as mobilizações populares no Brasil e no mundo.

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