Em Valparaíso, Gabriel Boric, candidato da aliança de esquerda, fala no comício de encerramento de sua campanha em 18 de novembro - Foto: Martin Bernetti/AFP

O duplo padrão em direitos humanos e a esquerda; neto de Allende responde a Boric

É rude você [Boric] comparar – sem o menor argumento – o suposto "enfraquecimento das condições básicas da democracia na Venezuela", a "restrição permanente das liberdades em Cuba" e "a repressão do governo Ortega na Nicarágua" com as comprovadas atrocidades da ditadura militar no Chile.

Por Pablo Sepúlveda Allende.
Santiago, 15 de novembro de 2021.

O duplo padrão em direitos humanos e a esquerda

Deputado, atrevo-me a responder-lhe porque vejo o perigo de que isso signifique que dirigentes importantes como o senhor, jovens referências daquela “nova esquerda” que surgiu na Frente Ampla, façam comparações simplistas, absurdas e mal informadas sobre questões tão delicadas como direitos humanos.

É muito tendencioso e rude você equiparar – sem o menor argumento – o suposto “enfraquecimento das condições básicas da democracia na Venezuela”, a “restrição permanente das liberdades em Cuba” e “a repressão do governo Ortega na Nicarágua” com as comprovadas atrocidades da ditadura no Chile, o evidente intervencionismo criminoso dos Estados Unidos em todo o mundo e o terrorismo do Estado de contra o Povo da Palestina.

O fato de você escrever tal absurdo não “significa se tornar um pseudo agente da CIA”, mas denota uma importante irresponsabilidade e imaturidade política que pode transformá-lo em um elemento útil para a direita, ou pior, acabar sendo aquela “esquerda” que a direita deseja; uma esquerda burra, ambígua, uma esquerda inofensiva, que pelo oportunismo prefere parecer “politicamente correta”, aquela esquerda que não é “nem uma coisa nem outra”, aquela que não quer ficar mal com ninguém.

Essa esquerda confunde, porque não ousa apontar e enfrentar com coragem os verdadeiros inimigos dos povos. Daí o perigo de emitir opiniões politicamente imaturas.

Você já se perguntou por que a Venezuela está sendo tão difamada e atacada pela mídia? Por que é notícia todos os dias em praticamente todos os países do mundo ocidental onde os meios de comunicação de massa dominam? Por que é atacado por todos os lados e em grupo? Por que esses grandes noticiários se calam sobre os massacres contínuos na Colômbia e no México? Por que aqueles que rasgam a roupa preocupados com um deputado venezuelano, que confessou ter participado de uma tentativa de assassinato, não têm a coragem de exigir que acabe com o genocídio contra o povo palestino?

O mundo de cabeça para baixo. Esse é o mundo da política sem ânimo e sem coragem.

Margarita Labarca Goddard já argumentou de forma clara e contundente por que você está errado em seus julgamentos em relação a Cuba, Venezuela e Nicarágua. Acrescentarei apenas que a Venezuela tem uma democracia muito mais saudável e transparente do que a do Chile, sempre que você quiser posso argumentar com você e podemos debater, se você estiver interessado.

Também é fácil argumentar por que a “restrição permanente das liberdades em Cuba” é uma falácia. Sem mencionar que a palavra “liberdade” é tão confusa, que agora seu verdadeiro significado é ambíguo, e uma definição sensata requer até mesmo um debate filosófico. Ou diga-me, o que é liberdade?

Eu nomeio esses dois países porque os conheço muito bem. Morei em Cuba por 9 anos e na Venezuela estou morando por mais 9 anos. Não conheço a Nicarágua em primeira mão, mas convido você a se perguntar qual teria sido a reação de um governo de direita à ação de gangues de criminosos pagos e fortemente armados, que vêm para assumir setores das cidades mais importantes no país; e onde, ademais, ditas gangues de mercenários estão instaladas para cometer atos abomináveis ​​como sequestro, tortura, mutilação, e até mesmo queimar vivos, dezenas de seres humanos, pelo simples fato de serem militantes de uma causa – no caso, militantes Sandinistas -, onde a perseguição chegou ao ponto de assassinar famílias inteiras em suas próprias casas.

O governo legitimamente eleito na Nicarágua, mesmo tendo os recursos, a estrutura legal e a força para tomar medidas imediatas e enérgicas contra tal desestabilização fascista, foi bastante contido. Você acha que a direita no poder teria aquela visão pacífica e um apelo ao diálogo para resolver o conflito?

A história nos responde.

Eu entendo que você pode estar confuso com a grande “mídia” que se encarregou de vitimar os perpetradores; assim como fizeram há um ano na Venezuela durante as chamadas guarimbas (barricadas; trancamento violento de rua). Portanto, Gabriel, objetivamente falando, com argumentos sérios – sem opiniões formadas e moldadas pela mídia com base em deturpações e mentiras repetidas diariamente -, não há duplo padrão em que defendamos Cuba, Venezuela e Nicarágua.

Não desaparecemos nem torturamos, não prendemos quem pensa ou pensa diferente, sim criminosos; sejam esses deputados, políticos ou supostos alunos. Em vez disso, parece-me ver esse “padrão duplo” em você, emitindo julgamentos de valor confortáveis ​​por manipulação e ignorância.

Na mídia, democracia e liberdades, podemos discutir a comparação do Chile com esses países. Garanto que, infelizmente, o Chile não se sairia muito bem, ainda mais, se incluíssemos os direitos humanos.

“Uma pessoa atinge seu nível mais alto de ignorância quando rejeita algo de que nada sabe.”

Saúde.

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Por Pablo Sepúlveda Allende. O autor é médico, coordenador da Rede de Intelectuais em Defesa da Humanidade e neto do presidente Allende.

Texto original em espanhol

NIETO DE ALLENDE RESPONDE A BORIC.

Por Pablo Sepúlveda Allende.
Santiago, 15 de noviembre 2021.

El Doble Estándar en DDHH y la Izquierda

Diputado, me atrevo a responderte porque veo el peligro que significa que importantes líderes como tú, jóvenes

Diputado, me atrevo a responderte porque veo el peligro que significa que importantes líderes como tú, jóvenes referentes de esa “nueva izquierda” que ha surgido en el Frente Amplio, hagan simplonas, absurdas y desinformadas comparaciones en temas tan delicados como lo son los Derechos Humanos.

Es muy sesgado y grosero que equipares –sin el más mínimo argumento– el supuesto “debilitamiento de las condiciones básicas de la democracia en Venezuela”, la “permanente restricción de libertades en Cuba” y “la represión del gobierno de Ortega en Nicaragua” con las sí comprobadas atrocidades de la dictadura en Chile, el evidente intervencionismo criminal de los Estados Unidos alrededor de todo el mundo y el terrorismo de Estado de contra el Pueblo de Palestina.

El que escribas semejante insensatez no “significa transformarse en un pseudo agente de la CIA”, pero sí denota una importante irresponsabilidad e inmadurez política que puede transformarte en un elemento útil para la derecha, o peor aún, terminar siendo esa “izquierda” que la derecha ansía: una izquierda sonsa, ambigua, una izquierda inofensiva, que por oportunismo prefiere parecer “políticamente correcta”, esa izquierda que no es “ni chicha ni limonada”, esa que no quiere quedar mal con nadie.

Una izquierda así confunde, pues no se atreve a señalar y enfrentar con coraje a los verdaderos enemigos de los pueblos. Ahí el peligro de emitir opiniones políticamente inmaduras.

¿Acaso te has preguntado por qué Venezuela está siendo tan vilipendiada y atacada mediáticamente? ¿Por qué es noticia todos los días en prácticamente todos los países del mundo occidental donde dominan los grandes medios de comunicación? ¿Por qué es atacada por todos los flancos y en patota? ¿Por qué esos grandes noticieros callan las continuas masacres en Colombia y México? ¿Por qué los que se rasgan las vestiduras preocupándose por un diputado venezolano, confeso de participar en un intento de magnicidio, no tienen el valor de exigir a que cese el genocidio contra el Pueblo Palestino?

El mundo al revés. Ese es el mundo de la política sin corazón y sin coraje.

Ya Margarita Labarca Goddard te argumentó de forma clara y contundente por qué te equivocas en tus juicios hacia Cuba, Venezuela y Nicaragua. Yo solo agregaré que Venezuela tiene una democracia mucho más saludable y transparente que la que hay en Chile. Cuando quieras te lo puedo argumentar y lo podemos debatir, si es que te interesa.

También resulta fácil argumentarte por qué es una falacia la “permanente restricción de las libertades en Cuba”. Eso sin mencionar que la palabra “libertad” está tan manoseada, que a estas alturas su verdadero significado resulta ambiguo, y una definición sensata requiere de un debate hasta filosófico. O dime tú, ¿qué es la libertad?

Te nombro estos dos países porque los conozco bastante bien. En Cuba viví nueve años y en Venezuela llevo viviendo otros nueve años. A Nicaragua no la conozco de primera mano, pero te invito a preguntarte cómo habría sido la reacción de un gobierno de derecha ante la acción de bandas criminales pagadas y fuertemente armadas, que llegan a tomar sectores de las más importantes ciudades del país; y donde además, dichas bandas mercenarias se instalan a cometer hechos abominables como secuestrar, torturar, mutilar, violar y hasta quemar vivos, a decenas de seres humanos, por el solo hecho de ser militantes de una causa –en este caso, militantes sandinistas–, donde la persecución llegó al punto de asesinar a familias enteras en propios hogares.

El gobierno legítimamente electo en Nicaragua, aun teniendo los recursos, el marco jurídico y la fuerza para accionar contundentemente de forma inmediata contra semejante desestabilización fascista, bastante se contuvo. ¿Crees que la derecha en el poder habría tenido esa visión pacífica y de llamado a diálogo para la resolución del conflicto?

La historia nos responde.

Entiendo que puedas estar confundido por los grandes “medios de comunicación” que se encargaron de victimizar a los victimarios; igualito a como lo hicieron hace un año en Venezuela durante las llamadas guarimbas.

Por tanto, Gabriel, hablando objetivamente, con argumentos serios –sin opiniones formadas y modeladas mediáticamente a base de tergiversaciones y mentiras repetidas a diario–, no existe doble estándar en los que defendemos a Cuba, Venezuela y Nicaragua.

No tenemos desaparecidos ni torturados, no metemos presos a quienes piensan u opinan distinto, sí a criminales; sean estos diputados, políticos o supuestos estudiantes. Más bien me parece ver ese “doble estándar” en ti mismo, al emitir cómodos juicios de valor desde la manipulación y el desconocimiento.

Sobre medios de comunicación, democracia y libertades, podemos discutir comparando a Chile con estos países. Te aseguro que lamentablemente Chile no saldría muy bien parado, más aún si incluimos los derechos humanos, económicos y sociales que allá no son más que mercancías.

“Una persona alcanza su nivel más alto de ignorancia cuando rechaza algo de lo cual no sabe nada”.

Salud.

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Por Pablo Sepúlveda Allende. El autor es médico, Coordinador de la Red de Intelectuales en Defensa de la Humanidad y nieto del Presidente Allende Gossens.

Mídia1508

A 1508 é um coletivo de jornalismo independente anticapitalista, dedicado a expor as injustiças sociais brasileiras e a noticiar as mobilizações populares no Brasil e no mundo.

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