No último dia 30 de julho, cerca de 300 famílias foram expulsas de um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) durante uma ação de reintegração de posse feita pela Polícia Militar, no distrito de Lerroville, em Londrina, Paraná. Um verdadeiro aparato de guerra foi mobilizado contra os pequenos agricultores. As equipes da PM interditaram os acessos e chegaram à Fazenda Marília, a cerca de 50 quilômetros do centro da cidade, por volta das 7h, com 275 agentes do batalhão de choque, além do reforço da cavalaria e de um helicóptero. No momento do despejo, 159 famílias estavam no local, batizado pelo nome de Quilombo dos Palmares.

PM expulsa famílias camponesas. Foto: Alberto D’angele / RPC.

A área foi ocupada em 28 de novembro de 2015 por 500 famílias, sendo que cerca de 300 ainda viviam no local. A propriedade supostamente pertencia, até então, ao ex-deputado federal José Janene, do Partido Progressista (PP), falecido em 2010. 

Os 200 hectares de terra foram bloqueados pelo Judiciário Federal por conta do envolvimento de Janene no escândalo de corrupção do Mensalão. O terreno está registrado em nome de Stael Fernanda, viúva do político.

José Janene é acusado de, na época, receber uma mesada de 30 mil por mês, além de outros acordos com líderes do PP. Ele adquiriu a área em 2003, avaliada em R$ 1,6 milhões. Esta foi apenas uma das 11 fazendas compradas por Janene entre os anos de 2003 e 2004 no norte do Paraná.

O despejo foi o segundo ataque sofrido pelo MST em menos de uma semana. No último dia 22 de julho, a página do jornal Resistência Camponesa repercutiu a denúncia de que o acampamento Bela Vista, organizado pelo MST e localizado em Rio Pardo de Minas, no Norte de , foi atacado na noite de 18 de julho.

Seis pessoas em três motos invadiram o acampamento, ameaçaram as famílias camponesas gritando “vamos matar todo mundo” e atearam fogo nos barracos. As famílias conseguiram se esconder no mato, mas tiveram todos os seus pertences destruídos. Segundo os acampados, uma moto com duas pessoas não conhecidas rodaram a área no período da manhã do mesmo dia.

Segundo a página do MST, “O acampamento possui 30 famílias, que estão na área desde fevereiro de 2017. A área era da fazenda Santa Bárbara, uma terra pública, registrada no nome do Estado de Minas e que estava sendo explorada irregularmente pela Gerdau. Trata-se de uma grilagem denunciada pelos trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra da região. A empresa entrou com pedido de reintegração de posse, mas o Estado manifestou-se na justiça, reconhecendo a área pública, por isso as famílias continuam na posse da área”.

Os sem terra denunciaram ainda que “a conivência do Estado permitiu que a prática de pistolagem se tornasse comum e propagasse um triste histórico de violência na região”. O texto recorda que “em 2009 houve em uma tentativa de massacre das famílias acampadas nas terras devolutas da fazenda Capão Muniz. A mando de Mario Nascimento Neto, 40 pistoleiros espancaram e torturam as pessoas. Felizmente ninguém foi assassinado na ocasião, mas até hoje o processo corre na justiça e a impunidade permanece”.

Os exigem que os órgãos de proteção garantam a defesa das famílias que sofreram este grave ataque e que os criminosos sejam investigados e detidos, antes que a ameaça se torne um atentado à vida das pessoas que se organizam e lutam somente para que a lei seja cumprida.

Com informações do Jornal A Nova Democracia