Na tarde desta terça-feira (11/06), o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de , Carlos Cabral Pereira, de 58 anos, foi executado na zona rural do município, sudeste do estado do .

A vítima sofreu o atentado a balas quando estava nas proximidades de sua residência, no bairro Setor Planalto. Dois homens em uma moto e com capacetes se aproximaram e dispararam contra Carlos, que foi atingido por quatro disparos, sendo um deles na cabeça.

Carlos Cabral / Foto: Reprodução

Ele foi socorrido pelo serviço de pronto atendimento local, Samu, e levado para o serviço de emergência do Hospital Municipal de Rio Maria, mas não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no hospital. Cabral, como era conhecido, teve a vida inteira marcada pela luta em defesa dos trabalhadores rurais.

Desde 2001 seu nome constava em uma lista de “pessoas marcadas para morrer”, criada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – CONTAG e a Comissão Pastoral da Terra – CPT do Pará.

Em janeiro de 2013, o sindicalista havia denunciado às autoridades de Rio Maria que estar sendo ameaçado de morte. Tudo começou quando, para provar sua inocência em uma acusação de desvio de verbas do sindicato, Cabral teve que denunciar membros da diretoria anterior, que foram condenados a devolver aos cofres públicos a importância de R$ 1 milhão. Na ocasião, o líder camponês procurou a Justiça de todas as formas, tendo protocolado documentos na Promotoria Estadual de Rio Maria, Delegacia de Polícia Civil de Rio Maria, e em todos os órgãos responsáveis pela Segurança Pública.

“A terra da morte anunciada”

Cabral era genro do trabalhador rural e militante comunista João Canuto, brutalmente assassinado com 12 tiros, em dezembro de 1985. Dois fazendeiros da região foram julgados e condenados pelo homicídio: Adilson Carvalho Laranjeira, prefeito de Rio Maria na época, e Vantuir Gonçalves. Quase seis anos depois, em fevereiro de 1991, o sucessor de João Canuto na presidência do STR, Expedito Ribeiro de Souza, também foi morto.

O mandante foi o fazendeiro Jerônimo Alves do Amorim, condenado a 19 anos de prisão.

Na ocasião, Cabral havia sobrevivido a um atentado. Na mesma época, foram assassinados os irmãos de João, Paulo e José Canuto, ambos cunhados de Carlos Cabral. Todos os homicídios aconteceram na cidade de Rio Maria, que passou a ser tratada como “a terra da morte anunciada”.

Segundo levantamento da Pastoral da Terra, entre 1985 e 2018, 1.938 pessoas foram executadas em conflitos por terra, água e trabalho no Brasil.  De cada cinco homicídios e execuções na lista da CPT, dois foram cometidos no Pará. Além disso, chacinas marcam a história da , a atual fronteira do agronegócio no país.

“Aqui impera os interesses daqueles que usam da violência pra se beneficiar”, explica José Batista, agente da CPT em Marabá. Atuando no estado desde o início da década de 1990, Batista explica que a violência no Pará é efeito colateral do modelo econômico que se instalou na região, quase 50 anos atrás. Encorajado e financiado durante a ditadura militar, o latifúndio, especialmente a pecuária extensiva, invadiu o estado “sem se preocupar com quem já estava nessa terra; isso foi o começo de tudo”, resume. Ao longo do meu tempo, aqui no Pará, vi muitos dos meus conhecidos, amigos, colegas e lideranças serem mortos…”, recorda.

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