Crime de aconteceu em São Caetano, região metropolitana de

Paula Patrícia, 38 anos / Foto: reprodução Facebook

Paula Patrícia de Mello, 38 anos, médica veterinária, militante feminista, da causa animal e dos , foi assassinada com vários golpes de faca pelo namorado, Givanilson Valdemir dos Santos, 26 anos. O feminicídio aconteceu na madrugada de sábado (02), no apartamento de Paula, localizado em São Caetano do Sul, na região metropolitana de São Paulo. Givanilson está preso. No primeiro momento ele informou que o casal havia sido vítima de um roubo, mas, posteriormente, confessou o crime.

Brasil tem, em média, três casos de feminicídio por dia. Um levantamento feito pelo professor Jefferson Nascimento, doutor em Direito Internacional pela Universidade de São Paulo (USP) aponta que 107 casos de feminicídio foram registrados desde o início do ano. O docente usou o noticiário nacional como base da pesquisa.

De acordo com informações, a Guarda Civil Metropolitana foi chamada para atender uma ocorrência de violência doméstica, mas, ao chegar ao local, não havia ninguém. Em seguida, foram informados que Paula e o namorado Givanilson tinham sido levados para o Hospital Euryclides Zerbini.

Ao chegar no local, os guardas civis encontraram os dois dentro de um veículo Jeep Renegade. Paula estava muito ferida e inconsciente, Givanilson apresentava uma lesão na região do abdome. Paula foi encaminhada ao Hospital Mário Covas, em Santo André, também na Grande São Paulo, para cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos.

Segundo o boletim de ocorrência, Givanilson discutiu com a namorada Paula e disse à polícia que deu seis facadas nela. O exame feito no corpo de Paula pelo IML constatou, no entanto, 21 perfurações em seu corpo, uma no coração.

Amigas e amigos inconformados fizeram homenagens nas redes sociais:

“Paula foi uma mulher de luta. Estava nas ações de rua, estava nas aldeias , estava nas passeatas, estava nas ocupações, nas periferias, em asilos, em creches, na causa animal, e onde quer que necessitasse de apoio e ela soubesse, não negava ajuda. Ela viveu intensamente, e como sua tia mesmo disse, ela tinha pressa de viver. Partiu jovem demais.”

“Lutamos tanto pelo amiga e te perdemos pelo . Não me calarei. Mesmo depois de morta você me me ensinou mais sobre o feminismo. Vou lembrar sempre do seu sorriso. Vai e brilhe no céu.”

Feminicídios em 2019

Em São Paulo uma mulher foi arrastada e jogada no chão pelo marido, que ainda deu uma joelhada na cabeça dela. Tudo aconteceu em um posto de gasolina, onde, segundo testemunhas, ele tentou atropelar a mulher três vezes. O agressor foi preso, mas vai responder por agressão em liberdade.

No , Tamires Blanco morreu depois de ser agredida com socos e garrafadas pelo ex-companheiro que não aceitou o fim da relação. Ela já havia registrado uma denúncia contra ele no ano passado. Esses casos já fazem parte dos números de , em um ano que mal começou.

Um levantamento feito pelo professor Jefferson Nascimento, doutor em Direito Internacional pela Universidade de São Paulo (USP) aponta que 107 casos de feminicídio foram registrados desde o início do ano. O docente usou o noticiário nacional como base da pesquisa. De acordo com o levantamento, 68 casos foram consumados e 39 foram tentativas. Há registros de ocorrências em pelo menos 94 cidades, distribuídas por 21 estados.

O Brasil tem a quinta maior taxa de feminicídio do mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de assassinatos chega a 4,8 para cada 100 mil mulheres no país.

O Mapa da Violência de 2015 aponta que, entre 1980 e 2013, 106.093 pessoas morreram por sua condição de ser mulher. As mulheres negras são ainda mais violentadas. Entre 2003 e 2013, houve aumento de 54% no registro de mortes de mulheres negras, passando de 1.864 para 2.875 nesse período. Muitas vezes, são os próprios familiares (50,3%) ou parceiros/ex-parceiros (33,2%) os que cometem os assassinatos.

O número de assassinatos de mulheres é crescente. De 2006 a 2016 houve um aumento de 15% dessas mortes; e de 2016 a 2017, um aumento de 6%. Por trás dos feminicídios, é comum encontrar casos de violência doméstica em que as agressões já aconteciam há muito tempo, sem que as mulheres percebessem que estavam diante de um risco real de morte. Portanto, uma agressão, por “menor” que seja, deve ser denunciada – e não necessariamente pela vítima, mas por qualquer pessoa que tenha conhecimento de um fato envolvendo violência.

Deixe seu comentário: