Congo: mulheres exigem justiça sobre estupros e assassinatos não processados

As manifestantes afirmam que a enorme impunidade no país é “porque não temos justiça” […] “os perpetradores sabem que podem agir como quiserem”.

01/10/2020 - Protesto na cidade de Bukavu, RDC / Foto: Maud-Salomé Ekila

lideraram milhares de pessoas em manifestações em quatro cidades da República Democrática do Congo (RDC), no dia 1 de outubro, exigindo justiça por assassinatos e estupros históricos cometidos no leste do país. As organizadoras disseram que a cometeu diversas violações durante uma década, desde que a ONU documentou centenas de crimes na RDC entre os anos de 1993 e 2003 que não foram processados.

Pelo menos 3.500 sobreviventes de violência sexual se juntaram aos protestos e centenas de advogados lideraram a marcha em Bukavu, a base do laureado pela paz Dr. Denis Mukwege, cuja Fundação Denis Mukwege apoiou as manifestações.

Mukwege não pôde comparecer ao protesto, por sofrer ameaças de morte pelas suas campanhas contra a violência cometida durante as duas guerras civis ocorridas naquele período. Em entrevista à Agence France-Presse, ele disse: “Negar que houve crimes contra a humanidade e crimes de na República Democrática do Congo – até mesmo negar que houve na RDC – é ser de má-fé”.

As manifestantes afirmam que a enorme impunidade no país é “porque não temos justiça” […] “os perpetradores sabem que podem agir como quiserem”. Estima-se que 5.000 pessoas participaram da marcha em Bukavu, a cidade oriental na província de Kivu do Sul, onde o hospital Panzi de Mukwege se especializou no tratamento de sobreviventes de violência sexual em conflito.

“É impossível construir a paz neste país sem justiça. Você tem sobreviventes dessa que estão traumatizados, nem tiveram a oportunidade de enterrar a família, não sabem onde estão ”, disse Ekila, ativista de direitos humanos.

Uma petição assinada pela Fundação Mukwege e pelo Movimento de Sobreviventes da RDC foi entregue aos líderes da ONU e da União Africana, pedindo que o relatório de 2010 seja a base para garantir justiça para os crimes. Há também pedido que seja fornecido os nomes dos perpetradores que não foram identificados no relatório original.

A Anistia Internacional e a Human Rights Watch afirmaram em uma declaração conjunta que a falta de justiça permitiu que abusos semelhantes continuassem sem punição.

A violência mortal nas zonas fronteiriças das províncias de Ituri e Kivu do Norte são graves. Em uma declaração de junho deste ano, a ONU informou que 1.300 pessoas foram mortas nos últimos oito meses na região.

Ativistas de relatam que a impunidade generalizada continua a reinar no e em toda a região, contribuindo para a recorrência de verdadeiras chacinas. O relatório de “mapeamento” de 2010 da ONU foi encomendado após a descoberta de valas comuns em 2005 e se concentrou em vários surtos de violência que envolveram forças congolesas, grupos rebeldes e forças estrangeiras. Com uma proposta de criação de um tribunal penal internacional para a RDC.

Os manifestantes foram espancados no de quinta-feira (1) pela em Kisangani, onde ocorreram muitos dos abusos investigados pela ONU. As forças de do Estado emitiram um “aviso” no dia anterior desautorizando a realização da manifestação.

Mídia1508

A 1508 é um coletivo de jornalismo independente anticapitalista, dedicado a expor as injustiças sociais brasileiras e a noticiar as mobilizações populares no Brasil e no mundo.

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.

Últimas Notícias

1 ano sem Moïse

A mãe de Moïse esteve pela primeira vez no quiosque onde seu filho foi assassinado. Revoltado,…