O professor William Figueira de Oliveira, de 35 anos, foi uma das vítimas da “operação” conduzida hoje (6/11) pela Polícia Militar do na Maré, zona norte da cidade. O educador foi morto com tiros e facadas pelas costas pelos agentes no início da manhã, enquanto saia para comprar um lanche para a namorada, na Nova Holanda. Os próprios moradores retiraram o corpo com um carrinho.

“Ele era monitor de física aqui na comunidade. Cheguei aqui na última sexta-feira e iríamos voltar para o Nordeste. Eles foram covardes”  lembrou Raissa Souza da Silva, namorada de William há 11 meses, aos prantos.

Além de William, pelo menos outras duas pessoas foram mortas e oito ficaram feridas ao longo da ação, que se estendeu da meia noite até às duas horas da tarde. Um rapaz, identificado até o momento apenas como Tiago, levou um tiro na cabeça, chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Federal de Bonsucesso, mas morreu no caminho. A terceira vítima é uma mulher, de cerca de 40 anos, sem identificação, que levou um tiro na pélvis e foi levada para a unidade por um Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

O cantor Mc Rodson, de 30 anos, foi um dos baleados. O artista estava na rua passeando com seu cachorro quando foi atingido por um tiro no pulmão.

“Ele foi socorrido pelos próprios parentes. Passou por uma cirurgia e agora está em observação no Hospital Municipal Evandro Freire, na Ilha do Governador. O quadro dele é estável”, informou um produtor do MC.

Cantor MC Rodson foi baleado no pulmão na Maré / Foto: Divulgação

“Eu só queria que amanhecesse logo na esperança disso tudo acabar, mas não acabou. Agora vamos enfrentar lutas pela manhã. Escolas sem aula, creches sem funcionar, moradores precisando ir trabalhar sem ter onde deixar seus filhos” desabafou uma moradora da região de Pinheiros.

“Feridos, mortos, humilhados pela polícia, com casas invadidas. Isso não é vida”, concluiu.

Revoltados, um grupo de moradores ateou fogo em objetos na Avenida Brasil, sentido zona oeste, na entrada da favela. A manifestação aconteceu por volta das 3h30 da madrugada.

Cenas da madrugada na Maré: caveirão e / Fotos: Reprodução do Facebook

Mais uma vez, as grandes empresas de jornalismo atuaram como assessoria de comunicação da PM. Em entrevista à Rede Record, o porta-voz da corporação, o major Ivan Blaz, classificou como “bem sucedida” a intervenção, que envolveu os batalhões de Operações Especiais (BOPE), Choque e Ação com Cães. Ainda segundo o oficial, os três mortos confirmados, inclusive William, seriam “marginais, dois deles com mandatos em aberto na justiça”.

O coletivo de comunicadores comunitários Maré Vive repudiou as declarações. “Positivo onde? Positivo pra quem? Foram diversas vidas ceifadas. VIDAS! V I D A S. Sem contar o prejuízo que vai ficar pro Morador, com os arrombamentos e depredação de bens, fora a psique das pessoas” afirma o trecho de uma publicação em sua página de Facebook.

Os ativistas mareenses também desmentiram a versão de que o tiroteio teria se iniciado devido a um “confronto” entre policiais e varejistas de entorpecentes.

“A operação começou do nada, no meio da madrugada, com a policia já entrando atirando sem direção dentro da Nova Holanda! Chegaram com Blindado e muita bala pra mandar!!!” relataram, em outra postagem.

Mototaxista do Alemão é ferido de raspão por bala / Foto: arquivo pessoal

Ainda nesta terça-feira (6/11), moradores do , também na zona norte, foram submetidos a tiroteios desde as 6h por policiais da UPP. Um mototaxista e um motorista de caminhão foram atingidos.

Até o momento, a Polícia Militar ainda não divulgou qualquer balanço do número de mortos e feridos pela instituição nos dois complexos de favelas ao longo do dia.

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