No dia 18 de março, milhares de pessoas realizaram uma marcha pela memória de Marielle e seu motorista Anderson, na favela da Maré, zona norte do Rio de Janeiro. O ato foi organizado por moradores e movimentos sociais da própria favela, indignados pelo assassinato da Defensora dos Direitos Humanos, nascida na Maré. A marcha saiu do Pontilhão contornando a favela pela Linha Amarela, Avenida Brasil e encerrando na praça do Parque União. A Igreja Nossa Senhora da Paz fez uma missa em homenagem a Marielle e Anderson.

Mônica Cunha, fundadora de uma associação de mães de vítimas de abusos da Polícia, durante a manifestação afirmou: “A voz da Marielle não se cala. O que vocês estão vendo aqui vai acontecer todos os dias. Hoje, todas as mulheres se chamam Marielle Franco” […]

“A voz da Marielle não foi calada”, gritavam os manifestantes.

Mulher negra que denunciava o racismo na sociedade brasileira e mãe solteira, Marielle Franco surpreendeu muitos ao ser eleita vereadora em 2016. Ela ficou conhecida como ativista dos direitos humanos, particularmente por denunciar a violência policial nas favelas.

Fotografia: Rafael Daguerre

O caso Marielle

Marielle, de 38 anos, foi assassinada no bairro do Estácio, na região central da cidade, com quatro tiros na cabeça, após sair de um encontro de mulheres negras na Lapa, Centro do Rio. No ataque o motorista da vereadora, Anderson Gomes, também foi executado. Nada foi roubado.

Como ativista, sempre esteve engajada na questão de segurança pública e direitos humanos, fazendo diversas denúncias sobre violência e abuso policial nas periferias e favelas da cidade. Recentemente, no dia 28 de fevereiro foi nomeada relatora da comissão que vai acompanhar a ‘intervenção militar’ no Rio de Janeiro ao qual fez muitas críticas. No dia 10 de março Marielle fez denúncias sobre a atuação do 41° batalhão da PM por execuções de jovens na favela de Acari, através da seguinte postagem em rede social:

“Precisamos gritar para que todos saibam o está acontecendo em Acari nesse momento. O 41° Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores de Acari. Nessa semana dois jovens foram mortos e jogados em um valão […]”

Após o assassinato de Marielle, diversas manifestações populares ocorreram nas principais cidades do país. No Rio de Janeiro ocorreram várias atividades em sua homenagem. No dia 15 de março, na quinta-feira, após o enterro de Marielle e Anderson, cerca de 50 mil pessoas protestaram no Centro da cidade. Em São Paulo, aproximadamente 30.000 pessoas participaram da manifestação.

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