Meio milhão de pessoas foram às ruas em toda a França contra o alto custo de vida e a precarização da educação

Em todo o país, mais de meio milhão de pessoas participaram de mais de 150 manifestações, ocupações e piquetes — organizados por grupos de estudantes do ensino médio, universitários e sindicatos.

Manifestantes lançam coquetéis molotov na polícia durante uma investida dos agentes contra o protesto em Paris, capital francesa, em 31 de outubro de 2026 — Foto: Sameer Al-Doumy/AFP

Milhares de pessoas foram às ruas no último sábado (31.10) para protestar contra o aumento do custo de vida e exigir melhores condições de estudo para os alunos do ensino médio.

Os protestos tomam a França há mais de um mês.

Em todo o país, mais de meio milhão de pessoas participaram de mais de 150 manifestações, ocupações e piquetes — organizados por grupos de estudantes do ensino médio, universitários e sindicatos.

Além de Paris, confrontos entre manifestantes e a polícia também foram registrados em Lyon, Marselha, Bordeaux, Grenoble, Toulouse, Rennes, Montpellier, Nantes, Rouen e Dijon.

Dezenas de manifestantes usaram martelos para arrancar pedras do calçamento e arremessá-las contra a polícia nos arredores de Paris, informou a agência de notícias AFP. Diversos coquetéis molotov foram lançados contra as forças de segurança, que tentavam conter a manifestação com gás lacrimogêneo e investidas com cassetetes.

“O que temos visto… é a polícia disparando muito gás lacrimogêneo contra a multidão”, relatou Natacha Butler, da Al Jazeera, a partir de Paris, acrescentando que sua equipe “teve que sair do local porque estava simplesmente impossível respirar”.

Cerca de 565 pessoas foram detidas em nível nacional.

O movimento teve início no mês passado, com estudantes do ensino médio protestando contra a precariedade das instalações escolares, a falta de professores e um sistema de admissão universitária que consideram injusto para alunos em situação de desvantagem. Desde então, sindicatos de trabalhadores também aderiram às manifestações.

Corentin Cabreux, um estudante de 21 anos, relatou que mora em uma residência estudantil pública onde “há manchas de umidade por toda a parte inferior das paredes, trechos inteiros descascando, baratas por toda parte e ratos”.

Uma profissional da área de tecnologia da informação participou do protesto em solidariedade aos estudantes e à sua mãe, que enfrenta dificuldades com um emprego que paga apenas o salário mínimo. Uma mulher de cabelos grisalhos carregava um cartaz com os dizeres: “Os idosos também estão fartos”.

Novas mobilizações estudantis estão previstas para essa semana, após uma convocação da Union Syndicale Lycéenne (União dos Estudantes do Ensino Médio) e da Union Étudiante (União dos Estudantes Universitários) para o bloqueio de escolas de ensino médio e universidades, paralelamente a uma greve geral convocada por sindicatos.

Manifestações pela Europa

Protestos também ocorreram em outras partes da Europa. Na Alemanha, a polícia usou canhões de água para dispersar manifestantes que lançaram fogos de artifício e outros objetos ao final de atos liderados por jovens, organizados pelo grupo “Gen Z regelt!” (“A Geração Z resolve!”).

Milhares de policiais foram mobilizados por todo o país. A tensão aumentou ao cair da noite, após manifestações majoritariamente pacíficas — que defendiam “educação, saúde, clima e um custo de vida acessível” — em dezenas de cidades.

Em Frankfurt, centro financeiro da Alemanha, pelo menos duas lojas foram saqueadas à medida que os protestos se tornaram violentos; outros estabelecimentos sofreram danos, e a polícia tentava retomar o controle da situação, segundo uma testemunha da Reuters. Na mesma cidade, uma marcha chegou a ser temporariamente interrompida depois que manifestantes dispararam fogos de artifício.

Na cidade de Colônia, no oeste do país, a polícia utilizou canhões de água para dispersar uma multidão, informando que manifestantes haviam atacado os agentes com fogos de artifício.

Em Berlim, manifestantes arremessaram garrafas e ovos; em Hamburgo, barricadas foram incendiadas. Segundo o jornal Bild, a polícia chegou a usar spray de pimenta contra os manifestantes em alguns locais.

Novos protestos antigovernamentais também ocorreram na capital da Albânia, com manifestantes reiterando a exigência pela renúncia do primeiro-ministro Edi Rama.

A manifestação de sábado começou de forma pacífica, sob chuva, em frente ao Ministério da Educação em Tirana. Posteriormente, dezenas de jovens começaram a atirar pedras de calçamento e coquetéis molotov contra a polícia, além de incendiar lixeiras.

A polícia também permaneceu em alerta em Barcelona, ​​após uma rede anônima no TikTok, chamada “Blocus”, convocar novos atos. Na Itália, a atenção também estava redobrada, após confrontos recentes com manifestantes em Milão, Turim e Bolonha.

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Fontes:
– Tension and clashes as hundreds of thousands protest in France
– France sees third weekend of protests as youth-led rallies sweep Europe
– A third weekend of protests in France as youth-led rallies sweep Europe
– Clashes break out as hundreds of thousands protest in France

Mídia1508

A 1508 é um coletivo anticapitalista de jornalismo independente, dedicado a expor as injustiças sociais e a noticiar as mobilizações populares no Brasil e no mundo.

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