Manifestações eclodem em Bolonha, norte da Itália, após a morte de marroquino durante ação policial.
Manifestantes e policiais entraram em confronto em Bolonha, na Itália, na segunda-feira (20), após a morte do empresário de origem marroquina Abderrahim Fakir enquanto ele era contido à força pela polícia. Imagens amplamente compartilhadas da morte de Fakir mostram policiais mantendo o homem de 42 anos de bruços no chão; ele pede socorro repetidamente antes de ficar imóvel.
Abderrahim Fakir, um empreendedor nascido no Marrocos que administrava uma pequena empresa de mudanças e limpeza, morreu no domingo após a polícia ter sido chamada para lidar com um homem que apresentava comportamento agressivo e danificava um veículo, informou a imprensa italiana.
Imagens do assassinato, gravadas por um morador, levaram milhares de pessoas a protestar. Os manifestantes exibiam frases como “Justiça e verdade para Fakir!” e “Estado assassino”.
Durante o confronto com a repressão policial, manifestantes lançaram coquetéis molotov perto de instalações policiais na cidade. Carros foram incendiados. A polícia atacou a manifestação com cassetetes, bombas, gás lacrimogêneo e com veículos de jatos de água.
Um grupo de manifestantes sentou-se em uma praça segurando uma fotografia de Fakir, descrevendo a ação como um gesto de protesto não violento.
“Os gritos de ‘policiais assassinos’ e ‘o mundo inteiro odeia vocês’, entoados durante uma manifestação em Bolonha… são vergonhosos”, disse Tommaso Foti, ministro de Assuntos Europeus do governo da primeira-ministra de extrema direita Giorgia Meloni.
O vídeo mostrava Fakir deitado de bruços no chão enquanto dois policiais o imobilizavam.
Fakir — que, segundo relatos, sofria de problemas cardíacos e asma — grita repetidamente “aiuto, aiuto, basta” (“socorro, socorro, chega”) enquanto os policiais se sentam sobre ele e os socorristas da ambulância observam a cena.
Depois que ele para de se mover, os policiais amarram seus tornozelos.
Somente após alguns instantes é que eles e os socorristas verificam seus sinais vitais, conforme mostra o vídeo.

‘Morto a sangue frio’
A morte gerou reações diversas em todo o espectro político, com políticos da oposição exigindo responsabilização e a coligação governamental de extrema direita defendendo os policiais envolvidos.
A Procuradoria abriu uma investigação. O Ministro do Interior, Matteo Piantedosi, afirmou ter “plena confiança” de que a investigação apurará os fatos e esclarecerá o ocorrido.
A polícia de Bolonha informou que entregará aos investigadores as imagens das câmeras corporais dos policiais.
De acordo com relatos da imprensa, a polícia tentou acalmar Fakir antes de usar spray de pimenta e imobilizá-lo enquanto tentava algemá-lo, após sua reação agressiva.
“Mataram meu irmão a sangue frio, eu quero justiça”, disse Khadija, irmã de Fakir, a repórteres enquanto centenas de pessoas em Pilastro saíam às ruas no domingo (19), com alguns manifestantes entoando slogans contra a polícia.
A advogada Barbara Spinelli disse à agência de notícias ANSA que conheceu Fakir no ano passado, quando ele solicitou a renovação de sua autorização de permanência.
Ele era “uma pessoa muito gentil, educada e respeitosa” que estava legalmente na Itália, mas que temia ser expulso.
“Eu lhe disse: ‘Estamos na Itália, um país democrático. Aqui, a polícia respeita as regras'”, afirmou ela. “Não sei como conseguirei dizer novamente a alguém que não precisa ter medo”, completou.
A promotoria de Bolonha abriu uma investigação sobre as circunstâncias da morte, que tem sido comparada à de George Floyd, cuja morte causada pela polícia em Minneapolis, em 2020, desencadeou protestos nos Estados Unidos, no Reino Unido e em outros lugares.


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Fontes:
– Demonstrations break out in Bologna after Moroccan man dies while being restrained by police
– Italians protest in Bologna after Moroccan man dies during arrest
– Video of Moroccan man dying while pinned down by Italian police sparks anger, investigation
