Atos contra genocídio negro marcam mês de abril

Com mais de 67 mil óbitos por Covid-19 registrados no país, a violência policial obrigou familiares de vítimas a saírem às ruas para exigir justiça.

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Foto: Reprodução

No mês mais letal da pandemia no Brasil – com mais de 67 mil óbitos por Covid-19 registrados no país – a obrigou familiares de vítimas a saírem às ruas de e da para exigir justiça.

Na tarde deste domingo (25), amigos e parentes de Thiago Aparecido Duarte, de 20 anos, realizaram um no bairro do Jardim Limoeiro, zona leste da capital paulista, cobrando a punição do assassino do jovem, o cabo da polícia militar Denis Augusto Almista Soares.

A diarista Queli Duarte, 40 anos, e o pintor Wilson Aparecido Souza, 45, pais de Thiago, estiveram na manifestação, que foi organizada pela Rede de Proteção e Resistência ao Genocídio.

O rapaz, que sofria de retardo mental, morreu na última quinta-feira (21) 13 após ter sido baleado na boca por Almista, que estava de folga, enquanto tentava comprar pão e leite em um mercado do bairro.

Segundo os PMs que estiveram na cena do crime, o cabo inicialmente alegou que havia atirado no jovem porque ele teria tentado assaltá-lo. Na delegacia, o PM mudou a versão e disse que Thiago estaria envolvido em outro crime, o roubo a um funcionário de empresa telefônica. A suposta vítima do roubo, no entanto, afirmou não ter reconhecido Thiago, mas, sim, um amigo que estava com ele, Fernando Henrique Andrade da Silva, 27 anos.

Durante a abordagem, Fernando foi agredido pela PM: um vídeo, divulgado nas redes sociais, mostra um policial pisando em sua cabeça quando ele já estava rendido e deitado no chão.

Apesar das contradições e da tortura policial, o juiz Zorzi Rocha, da sexta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, decidiu prender apenas os dois jovens, sob as acusações de “roubo” e “porte ilegal de arma”. O magistrado também negou o pedido feito pela Defensoria Pública para que Thiago pudesse ficar sem algema no Hospital Geral de São Mateus, onde ficou internado para tratar dos ferimentos.

Durante o protesto do domingo, os participantes entoavam gritos em homenagem a Thiago, afirmando ainda que “a quebrada não tem saúde, não tem educação, só tem bala da polícia”. No final da caminhada pelo bairro, que durou pouco menos de duas horas, o pai do jovem indicou que novas manifestações deverão ser convocadas.

“A gente não come mais, não dorme mais, mas estamos fazendo isso para outras famílias não passarem o mesmo. Eu e toda família do Thiago não temos medo. Ele nunca vai ser esquecido, e nós vamos conseguir justiça, porque nunca vamos esquecer dele e não vamos parar”, afirmou Wilson, ao site Ponte Jornalismo. 

Bahia

O protesto do Jardim Limoeiro acontece menos de uma semana do ato “JUSTIÇA PARA MICAEL SILVA E RYAN ANDREW”, realizado na manhã do último dia 19 de abril, em frente ao prédio da Governadoria da Bahia, em . A manifestação repudiou a morte dos dois meninos, de 9 e 12 anos, moradores da região do Vale das Pedrinhas, nas mãos da polícia militar baiana.

Ryan foi morto na noite de 26 de março, na Rua Teodoro Sampaio, onde morava. Testemunhas contam que ele estava brincando na porta de casa, quando PMs chegaram ao local atirando. Uma bala atingiu o braço e alcançou o pulmão do garoto. Ele foi levado ao Hospital Geral do Estado pelos policiais, mas não resistiu aos ferimentos.

Ato em frente à Governadoria da Bahia / Foto: Sassá Dias

O crime foi o segundo assassinato de uma criança pela PM na mesma região em menos de um ano. Em 14 de junho do ano passado, Micael Silva foi morto após ser alvejado nas costas durante uma operação policial na área conhecida como “Cracolândia”, que fica na divisa do Vale das Pedrinhas com Santa Cruz.

Na visão dos ativistas da Organização Política Reaja Ou Será Morto/Reaja Ou Será Morta, que tem prestado apoio às famílias, trata-se de “uma verdadeira guerra racial”:

“O que assistimos, mais uma vez, é a confirmação de um projeto de genocídio do povo negro  iniciado há séculos e perpetuado por governos que recebem apoio da supremacia branca no Estado da Bahia e no Brasil. Um nível mais extremo que o racismo pode apreender: o ódio anti-negro materializado, naturalizado e justificado através de  uma politica de segurança pública voltada para a exclusão de morte de pessoas negras, suas famílias e comunidades.” avaliam.

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