Coronavírus e trabalho informal: que lições podemos aprender?

Imagem: Reprodução

No último mês o mundo assistiu a proliferação de um novo vírus que está provocando o fechamento de estabelecimentos, escolas, a interrupção de inúmeras atividades cotidianas da população diante do risco real de contágio. No Brasil, vivemos um contexto de cortes gigantescos em todas as áreas essenciais, incluindo a saúde. Especificamente no Rio de Janeiro, o cenário é desolador, já que a pública tampouco é prioridade dos governos estadual e municipal. Discussões começaram a aparecer relacionadas à parcela da população que continua trabalhando e que está no setor chamado “informal”, que cresceu absurdamente nos últimos anos, devido à alta do desemprego.

Essa parcela vive sem direitos trabalhistas, que já foram reduzidos brutalmente com a antirreforma de Temer (já que não faz sentido chamar destruição de reforma), e por isso são mais vulneráveis à situações como a que estamos vivendo. Sabemos das recomendações de evitar aglomerações, evitar sair de casa e dobrar os cuidados higiênicos; mas sabemos também que uma grande parte da população não tem oportunidade de simplesmente parar completamente. Até mesmo /as do setor público e CLT estão tendo que trabalhar se expondo ao risco no transporte público, porque no os lucros vem na frente de vidas humanas.

Mas, o que podemos aprender com tudo isso?

Esse contexto só escancara o quanto precisamos de associações de /as que incluam informais, precarizados/as e desempregados/as. Em outros momentos da história em várias partes do mundo, grupos de trabalhadores/as (inclusive em certos casos com um recorte racial, ou seja, compostos somente por pessoas negras) organizaram-se para criar fundos de apoio mútuo, que eram simplesmente fundos financeiros aos quais as pessoas associadas poderiam recorrer em situações de necessidade.

Infelizmente na atualidade, não podemos mais contar com os sindicatos tradicionais, que de uma forma ou de outra foram corrompidos e deixaram de atender à sua finalidade inicial, a de defender as categorias de /as, lutar por direitos e melhores condições de trabalho, combater o sistema capitalista que se alimenta da desigualdade social.

Por isso, ainda que seja um desafio grande e a longo prazo, nos prestamos a iniciar a construção da Associação de de Base – ATB, afim de um dia podermos ser fortes novamente e deixarmos para as próximas gerações maiores esperanças de um futuro melhor para todos/as.

Se você se identificou com essas ideias, entre em contato, conheça e participe!

_
Texto original: Associação de Trabalhadores de Base – ATB

Mídia1508

A 1508 é um coletivo de jornalismo independente anticapitalista, dedicado a expor as injustiças sociais brasileiras e a noticiar as mobilizações populares no Brasil e no mundo.

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.

Últimas Notícias

1 ano sem Moïse

A mãe de Moïse esteve pela primeira vez no quiosque onde seu filho foi assassinado. Revoltado,…