Na última quarta-feira (10), um ato simbólico contra o , que acontecia na plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto, região central de (DF), foi interrompido pela Polícia Militar. Organizado pela estudante de jornalismo Géssyca Alves de Souza, de 27 anos, o consistia em entregar para as pessoas uma carta com os dizeres: “Carta branca para matar preto e pobre. Assinado: Capitão Bolsonaro”, acompanhada de um envelope com duas informações: “Remetente: Capitão Bolsonaro” e “Destinatário: PM & ”.

O gesto fazia referência à postura do presidente (PSL) diante dos 80 tiros disparados pelo Exército contra o carro de uma família negra no , que resultaram na execução do músico Evaldo Rosa. “O nosso presidente não havia se pronunciado até o momento do ato e, quando se pronunciou, foi para dizer que o Exército não matou ninguém“, explicou Géssyca, em reportagem publicada hoje (14) pela página Ponte Jornalismo.

“Aquele fato que ocorreu no Rio chamou muito a atenção das pessoas, então achei que era o momento bom para falar não só daquela acontecido, mas para dizer que isso ocorre diariamente nas nossas cidades e que ninguém fala. Muitos de nós estão morrendo e nem entra nas estatísticas” avaliou.

Faixa colocada pelo grupo durante ato em Brasília | Foto: Arquivo pessoal

A estudante estava acompanhada de mais quatro amigos: Giselly Alves de Souza, Larysse Alves Santos, Thiago Nunes de Abreu e Victor Henrique de Sena. Até o momento da chegada da Polícia Militar, a panfletagem seguia tranquilamente e a população dialogava com os jovens. A abordagem inicial dos PMs, segundo Géssyca, foi calma. Mas, quando se deram conta do conteúdo dos panfletos, o tom dos policiais mudou.

“Eles xingavam a gente o tempo inteiro, me chamando de vagabunda, de à toa, falando que o governo anterior era muito pior e que eu não podia desrespeitar o Chefe de Estado”, relembrou.

A universitária registrou parte da abordagem da PM em vídeo. Nas imagens, é possível ver cerca de 10 policiais e ao menos 3 viaturas. Ao fundo, vemos a faixa estendida pelos jovens durante o ato com a frase: “80 enganos… e diariamente perdemos as contas. Por que minha cor é o alvo?”. Em seguida, Géssyca relata a abordagem da PM. “Estava aqui distribuindo o nosso material e gentilmente a polícia chegou pra falar que eu estou difamando o nosso excelentíssimo presidente”, diz a jovem com tom de ironia.

“O nosso país é assim, enquanto está todo mundo calado e a galera morrendo, ninguém se incomoda com nada. A partir do momento que a gente se incomodar com a morte dos nossos, aí vai ser complicado, por que a gente está errado”, continua, finalizando o vídeo com a frase “mais uma vez o alvo está no peito do preto e do pobre”.

Os manifestantes foram encaminhados para a 5ª Delegacia Polícia, onde os PMs insistiram para que fosse feito um Boletim de Ocorrência (B.O.) colocando Jair Bolsonaro como “vítima” e Géssyca como “agressora”.  A ideia não foi levada adiante pelo delegado de plantão Fábio Costa dos Prazeres, que registrou tratar-se “direito de livre manifestação, não havendo crime a ser apurado”.  Os panfletos, no entanto, permaneceram apreendidos.

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