Nas principais universidades do , os trabalhadores terceirizados foram os mais castigados por conta dos temporais que alagaram a cidade esta semana. Mesmo cancelando as aulas, para não pôr em risco a integridade física de professores, estudantes e funcionários efetivos, as reitorias de uma série de instituições de ensino superior decidiram manter o expediente normal para essas categorias, que já sofrem com condições precárias de trabalho, remunerações baixas e atrasos salariais.

A -Rio cancelou as aulas para os estudantes por volta das 23h30 de segunda (8), e foi disponibilizado um auditório para quem não conseguiu deixar o local. Muitas pessoas só conseguiram deixar a universidade na manhã de terça (9) devido à inundação. Ontem, os funcionários efetivos foram liberados as 11h. Já os terceirizados, das empresas Angel’s e Sodexo, trabalharam normalmente.  A fica na Gávea, bairro onde ocorreu uma das dez mortes decorrentes da chuva registradas no município, a do motociclista Guilherme Fontes.

Imagem: Reprodução

Na , as aulas foram canceladas. Somente os serviços essenciais da administração e do Hospital Pedro Ernesto se mantiveram funcionando. No entanto, os trabalhadores terceirizados tiveram que trabalhar todo o expediente.

Os servidores da dos campi no Rio de Janeiro e Duque de Caxias tiveram ponto facultativo. As aulas foram canceladas, sendo mantidos apenas serviços essenciais, como funcionamento das unidades hospitalares. No entanto, o Restaurante Universitário Central funcionou e terceirizados tiveram dia normal de trabalho.

Na , em Niterói (RJ), foi declarado ponto facultativo para os servidores efetivos. Já os vigias, da empresa Croll, tiveram de trabalhar, mesmo com os salários atrasados. Na manhã de segunda (8), no campus Gragoatá, terceirizados da Companhia Luso Brasileira que prestam serviços gerais para universidade haviam votado um indicativo de greve. Os trabalhadores relataram recorrentes atrasos salarias, que chegou a dois meses em março. O pagamento deveria ter sido feito na última sexta-feira (05/04) e até então não foi realizado.

Em todo o mundo, nos últimos 30 anos, a foi parte do pacto neoliberal que retirou conquistas históricas da classe trabalhadora para aumentar a taxa de lucro do empresariado. No Brasil, o processo se seguiu a um consistente ingresso de na economia formal. Entre 1981 e 1998 a participação feminina na população economicamente ativa aumentou 111,5% (dados do IBGE), com as ocupando os postos de trabalho mais precários, os terceirizados das atividades-meios e também setores de serviços, como o telemarketing.

Como explica o sociólogo Ruy Braga, nos últimos 12 anos “cerca de 63% das carteiras de trabalho assinadas nos últimos anos foram assinadas para mulheres. Há também um número crescente de trabalhadores não brancos. A maior parte do emprego formal foi ocupado por estes grupos de trabalhadores.” Os salários são baixos. Segundo levantamento feito pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), 97,5% desses postos de trabalho pagam até 1,5 salário mínimo (R$ 1.170,00). Braga informa que “as condições [de trabalho] vão se deteriorando, o número de terceirizados aumenta, assim como aumenta igualmente o número de acidentes de trabalho”.

Dados do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) mostram que cada trabalhador terceirizado permanece 2,6 anos a menos no emprego e são vítimas de 80% dos acidentes laborais com morte no país. Além disso, dos 50 mil trabalhadores resgatados em condições de escravidão nos últimos 20 anos, 90% eram terceirizados. De 2012 à 2016, 704 mil acidentes na iniciativa privada foram registrados, e oito em cada dez com trabalhadores terceirizados. Ainda segundo a entidade, um terceirizado trabalha em média três horas a mais por semana do que um não-terceirizado, recebendo 24,7% menos.

Fonte: Esquerda Diário

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