A polícia da Turquia, país governado há 15 anos pelo ditador Recep Tayyip Erdoğan, atacou com gás de pimenta as milhares de pessoas que se reuniam no centro da Istambul, como parte de um protesto por conta do Dia Internacional da Mulher. As mulheres eram maioria na multidão que, na noite de sexta (8), se concentrou na Praça Taskim, antes que a polícia de choque bloqueasse o caminho, impedindo as manifestantes de avançar pela Avenida Istiklal, rua de pedestres que é um dos principais centros comerciais da cidade.

Elas carregavam cartazes com dizeres como “Revolta feminista contra a violência masculina e a pobreza” e “Eu nasci livre e vou viver livre”. Muitas vestiam púrpura, cor associado com o movimento pelos direitos das mulheres.

A massa entoava cantos com slogans como “Não estamos em silêncio, não estamos com medo, não vamos obedecer”, antes de ser cercada por dois cordões de isolamento formados por policiais.

Vídeos compartilhados em redes sociais mostram os agentes empurrando as manifestantes e atirando gás para acabar com o ato, que denunciava as políticas do governo e as estruturas patriarcais sob o slogan “Nós não temos medo”. De acordo com a imprensa internacional, cachorros também foram utilizados para expulsar as mulheres das ruas.

“Eis a dura verdade: Há um sistema, há um Estado que tem medo de nós”, afirmou Ulker, uma manifestante.

Na véspera do evento, o Estado turco havia lançado uma medida proibindo qualquer manifestação na Avenida Istiklal. A marcha pelo Dia da Mulher é praticamente o único protesto que ainda não foi declarado totalmente ilegal pelo governo Erdoğan, que já baniu mobilizações por direitos trabalhistas, LGBT+ e pela libertação do povo curdo, grupo étnico historicamente perseguido na região.

Uma manifestação pelos direitos das mulheres também foi realizada na capital do país, Ankara, onde centenas de mulheres protestaram, com uma presença menor da repressão.

Polícia bloqueia protesto pelo Dia Internacional da Mulher em Istambul / Foto: Reprodução

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