Na último dia 22/1, cerca de 200 camponeses, incluindo mulheres e crianças, invadiram uma base da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) no município de Guarajá-Mirim (RO), na fronteira com a Bolívia. A ação, levada a cabo com a ajuda de revólveres e coquetéis molotov, teve como objetivo protestar contra a atuação do órgão, que vinha usando a fiscalização como pretexto para apreender pertences dos pequenos agricultores da região. Duas motocicletas foram resgatadas durante o ato, que terminou sem nenhum manifestante preso.

Com o apoio de um outro grupo, também armado, que vigiava da mata, os populares destruíram um portão que bloqueava a estrada e rendeu os policiais que faziam a segurança do órgão. Pneus de duas viaturas também foram cortados. Além de requerer os veículos apreendidos, os camponeses reivindicaram o fim das incursões policiais em sua comunidade, do contrário incendiariam o posto da PM. Como os militares disseram que não poderiam tomar nenhuma decisão a respeito, os manifestantes exigiram uma reunião com algum representante do governo.

Entrada da Sedam derrubada / Foto: Reprodução

Após recuperarem as motos, o grupo foi embora, advertindo aos agentes que já estavam preparados para uma fuga em massa, caso um efetivo maior de policiais fosse acionado.

De acordo com reportagem do Jornal A Nova Democracia, “órgãos ambientais em e outros estados do , em particular na região da Amazônia, têm agido contra os posseiros, pequenos e médios proprietários de terras a favor do latifúndio, principal responsável pela destruição dos ecossistemas brasileiros.”

A publicação cita os recentes ataques realizados por funcionários do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO) no acampamento Boa Esperança, que fica na divisa dos municípios de Pimenta Bueno, Chupinguaia e Vilhena.

Desde o fim do ano passado, moradores da comunidade vem denunciando estar sofrendo ameaças e invasões de domicílio por parte de agentes da instituição, que algumas vezes se fazem passar por policiais. “Eles são os verdadeiros terroristas, ficam passando nos restaurantes, postos de gasolina, pequenos comércios e casas espalhando ameaças de morte”, relata o pequeno agricultor Delson Pinto de Souza, que tem sido alvo desse tipo de perseguição.

A campanha de terror também envolve chantagens legais, com o envio de cartas e multas de procedência duvidosa contra os camponeses. O próprio Delson recebeu no dia 3 de janeiro uma multa assinada pelo ICMBIO, apesar dos registros de sua propriedade constarem nos arquivos do próprio órgão. Outros moradores e comerciantes também têm recebido multas arbitrárias, muitas vezes seguidas de interrogatórios e mensagens intimidadoras.

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