A ascensão da extrema direita no Brasil, representada pela figura do presidente eleito Jair Bolsonaro, provocou uma verdadeira onda de terror político no país. Ao longo das últimas semanas, foram registrados dezenas casos de violência relacionados à disputa eleitoral.

Na reta final do processo, não foi diferente. Na véspera de sua vitória e no dia em que ela foi anunciada, o discurso fascistoide de Bolsonaro seguiu servindo de pretexto para seus seguidores cometerem mais atentados.

Na noite do sábado, um jovem de 23 anos foi assassinado a tiros durante carreata a favor do candidato Fernando Haddad (PT) na noite do sábado em Pacajus, Ceará. Charlione Lessa Albuquerque estava em um automóvel junto com a mãe quando um homem desceu de outro carro e efetuou o disparo. O rapaz, que trabalhava como servente de pedreiro em Fortaleza, chegou a ser socorrido a um hospital da região, mas acabou morrendo.

Segundo testemunhas, após o crime, o assassino gritou orgulhoso o nome do político do PSL.  Este é o quarto homicídio registrado cometido com o criminoso declarando apoio ao ex-capitão.

Um vídeo que circula nas redes sociais registra a agonia da mãe, a sapateira Regina Lessa, após a morte do jovem.

“Ninguém vai se calar pro Bolsonaro!” repetia revoltada uma amiga da família, enquanto realizava a gravação.

Ainda na noite de sábado, a violência atingiu camponeses do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no município de Dois Irmãos, no Mato Grosso do Sul. Por volta das 21 h, homens em uma caminhonete fizeram um ataque o acampamento Sebastião Bilhar, aos gritos do nome de Bolsonaro. Um dos barracos foi incendiário pelos agressores. Com 240 famílias, o acampamento foi criado em julho do ano passado.

No dia seguinte, em Jatobá, sertão de Pernambuco, um outro incêndio criminoso destruiu completamente uma escola e um posto de Saúde da Família que atendiam à comunidade indígena Pankararu de Bem Querer.

“A barbárie começou”, escreveram os indígenas na página Povo Pankararu no Facebook. “Os maiores prejudicados são as crianças sem escola nas vésperas do fim do ano letivo, a comunidade sem o PSF onde eram realizados cerca de 500 atendimentos mensais e a nossa alma que é constantemente ferida, machucada. Mas jamais silenciada”

Assim como nos casos anteriores de agressões bolsonaristas, esses fatos tiveram pouco ou nenhum destaque nos veículos da imprensa institucional brasileira. Mais uma prova de que o monopólio das empresas de comunicação pode servir à censura tanto quanto a repressão estatal.