Na última sexta-feira (19), um grupo de cerca de 4.000 hondurenhos foram atacados com gás lacrimogêneo pela polícia federal mexicana em Chiapas, depois de quebrarem a cerca instalada na fronteira entre o México e a Guatemala. Os hondurenhos estavam na cidade guatemalteca de Tecún Umán, em abrigos e praças da localidade. Antes de romper a cerca, a vanguarda da caravana já fazia coro:

“Não somos criminosos;
somos trabalhadores internacionais!”.

A marcha, que tem como destino os Estados Unidos, teve início no último sábado (13), na cidade hondurenha de San Pedro Sula. Muitos gritavam “sim, pudemos!”, outros cantavam o hino nacional, e havia os que simplesmente repetiam o nome de seu país: “Honduras! Honduras!”. Esgotados, alguns descansavam, em meio a um calor tão asfixiante que obrigou algumas mulheres e crianças a retrocederem para a o lado guatemalteco.

“Vou feliz, não estamos fazendo nada de mal,
só queremos trabalho”
disse uma mulher que caminhava com uma menina enquanto a caravana entrava pela ponte internacional que une a Guatemala com o México.

“É incrível o que nos obrigam a fazer!”  comentou Kymberly Olivares, uma jovem de 22 anos, que vem de Tegucigalpa. A migração é motivada pela falta de segurança e pela busca de melhores condições de vida. Honduras é atualmente o país com a maior taxa de homicídios das Américas: 55,5 para cada 100 mil habitantes (dados do relatório “World Statistics 2018”).
O movimento provocou a fúria do presidente norte-americano, Donald Trump, que ameaçou os governos da Guatemala, El Salvador e Honduras com a interrupção da “ajuda econômica” a estes países, se não impedissem a caravana.
Trump chocou o mundo com a crueldade de sua doutrina da “tolerância zero” contra imigrantes sem documentos. Pelo menos desde abril deste ano, sua administração adotou a política de processar criminalmente todo e qualquer estrangeiro considerado irregular nos Estados Unidos. Com isso, crianças foram separadas dos pais, sendo mandadas para “centros de detenção” improvisados, enquanto os pais iam para a cadeia.
Cerca de 2.300 menores foram retirados de suas famílias por conta da medida, que foi classificada como tortura pela Anistia Internacional. Uma gravação de junho deste ano mostra centenas de filhos de imigrantes sendo mantidos presas em gaiolas pelo governo estadunidense em um armazém no Sul do Texas.

Segundo a Casa Branca, um total de 50.924 pessoas foi detidas em abril por tentar entrar nos Estados Unidos, pelo México. É o maior número para este mês desde 2014. Diferente de décadas anteriores, em que este tipo de imigração era realizado, principalmente, pelos próprios mexicanos, agora a imensa maioria vem de pequenos países da América Central, onde a intervenção econômica e militar estadunidense tem sido uma constante desde o século XIX.

 

 

Foto: Ueslei Marcelino