No dia 28 de agosto a mulher trans Roque Marciano foi esfaqueada por um grupo nazista que atua na cidade de Teresópolis, Região Serrana do Rio, há pelo menos dois anos. O grupo intitulado “União e Defesa” já foi denunciado por disseminar discurso de ódio contra mulheres, negros e LGBTs, porém a justiça não acatou o pedido de prisão e foi preciso ocorrer uma tentativa de assassinato para que fossem presos.
O ataque aconteceu durante uma roda de slam (batalha de poesias faladas) na praça do bairro de Fátima, em Teresópolis. Roque, de 32 anos, foi esfaqueada pelas costas, teve o pulmão perfurado e segue internada no Hospital das Clínicas. Seu estado de saúde é estável. Ela faz parte de um coletivo sociocultural e organiza o slam há quatro anos.
Cinco homens, integrantes da célulca nazista, foram presos em flagrante, com idades entre 18 e 23 anos. Os presos são Paulo Ricardo do Vale Almeida, Daniel Portela Esteves, Matheus Maia Lopes de Souza, Wesley de Souza Pimentel e Emanuel Moura Cordeiro Boaventura, que, segundo o boletim de ocorrência, foi quem desferiu as facadas contra Roque.

O grupo já era acompanhado por movimentos sociais há anos, com denúncias de disseminação de discursos de ódio e de que espalhavam conteúdos transfóbicos.
O caso foi registrado como tentativa de feminicídio.
Cinco dias após Roque sido esfaqueada, a população local realizou um ato político na Praça Olímpica, na Várzea, no dia 2 de setembro.
Os manifestantes caminharam pela avenida principal da cidade e retornaram à Praça Olímpica, onde ocorreram apresentações culturais e batalhas de rima.
Segundo integrantes de coletivos e moradores, o protesto é contra a atuação de grupos neonazistas no município. Ainda de acordo com os manifestantes, várias denúncias foram realizadas e, por isso, cobram uma resposta mais rápida das autoridades de segurança pública.
A escalada fascista no Brasil e no mundo é um alerta.


