Revolta após o naufrágio de um barco com migrantes matar pelos menos 12 pessoas; manifestantes exigem busca de três pessoas desaparecidas

Manifestantes entraram em confronto com a polícia, bloquearam estradas e incendiaram pneus na cidade costeira tunisiana de Ben Guerdane, exigindo maior rapidez nas buscas após o naufrágio.

Manifestantes entram em confronto com forças de segurança durante um protesto após o naufrágio de uma embarcação de migrantes que seguia para a Itália, em Ben Guerdane, Tunísia, 24 de agosto de 2026 — Foto: Ahmed Jarray/Reuters

Pela segunda noite consecutiva, dezenas de manifestantes entraram em confronto com a polícia, bloquearam estradas e incendiaram pneus na cidade costeira tunisiana de Ben Guerdane, exigindo maior rapidez nas buscas após o naufrágio de uma embarcação de migrantes em 21 de agosto.

Pelo menos 12 pessoas foram encontradas mortas, enquanto outras duas continuam desaparecidas e as operações de busca prosseguem. A embarcação transportava 15 migrantes — a maioria jovens da própria cidade. Uma pessoa sobreviveu.

A embarcação afundou a cerca de 14 milhas náuticas da costa de Zarzis na noite de sexta-feira (21), informou a AFP. Segundo a AP, o barco partiu na manhã de quinta-feira (20) de uma área entre as cidades de Zarzis e Ben Guerdane. Acredita-se que os passageiros tinham como destino a ilha italiana de Lampedusa, situada a cerca de 145 quilômetros da Tunísia.

Membros da Guarda Nacional da Tunísia resgatam um corpo durante uma operação de busca, após uma embarcação que transportava migrantes virar ao largo da costa sudeste do país, perto de Zarzis, Tunísia, no domingo, 23 de agosto de 2026 — Foto: Bassem Aouini/AP Photo

O deputado Imad Oulad Jibril descreveu o episódio, no domingo (23), como “a tragédia de uma nação que vê sua juventude fugir das dificuldades da terra apenas para ser engolida pelo mar”.

O partido de oposição Bloco Democrático associou o naufrágio às dificuldades econômicas da Tunísia, afirmando: “Quando atravessar o mar se torna mais fácil do que viver na Tunísia, devemos perguntar: de quem é a culpa?”

A Tunísia presenciou tragédias semelhantes nos últimos anos, incluindo o desastre de Kerkennah, no qual mais de 100 pessoas morreram ou desapareceram em 2018 após o naufrágio de um barco de migrantes. O que levou à demissão do então Ministro do Interior.

Em Zarzis, em 2022, pelo menos 18 pessoas morreram após o naufrágio de outro barco de migrantes, desencadeando semanas de protestos. A costa sudeste da Tunísia fica a apenas 145 km da ilha italiana de Lampedusa.

A região central do Mediterrâneo é considerada a rota migratória mais letal do mundo, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que aponta que pelo menos 821 migrantes morreram ou desapareceram nessa rota este ano — mais do que o dobro do número registrado no mesmo período do ano passado. Em todo o Mediterrâneo, pelo menos 1.065 pessoas morreram ou desapareceram, de acordo com a organização.

As buscas

Apenas uma pessoa sobreviveu, tendo ficado à deriva no mar por cerca de 48 horas antes de ser resgatada por uma embarcação comercial, segundo a imprensa tunisiana. Os corpos de 12 pessoas foram recuperados até domingo (23), informou a Guarda Nacional da Tunísia.

As mortes provocaram uma onda de pesar e revolta, desencadeando protestos violentos em Ben Guerdane na noite de domingo. Segundo a Guarda Nacional da Tunísia, cerca de 14 pessoas que estavam no barco eram de Ben Guerdane, e uma era de Zarzis.

Voluntários na Tunísia deram continuidade às buscas por duas pessoas que continuam desaparecidas. Imagens verificadas pela Al Jazeera mostravam voluntários da cidade de Zarzis saindo para o mar em barcos de pesca, na segunda-feira, em busca dos desaparecidos.

A Guarda Nacional da Tunísia recuperou doze corpos durante o fim de semana, após o naufrágio de um barco ao largo de Zarzis, na costa sudeste do país. As operações de busca por outras duas pessoas desaparecidas continuavam no domingo, informou a Guarda Nacional em comunicado.

Em entrevista por telefone à emissora Al Wataniya ontem (23 de agosto), Houssem Eddine Jebabli, porta-voz da Guarda Nacional, afirmou que as buscas envolveram unidades da Guarda Nacional e da Marinha, a Defesa Civil e dois helicópteros.

FOTO DE ARQUIVO: Barcos utilizados por migrantes e apreendidos pela guarda costeira da Tunísia, em Sfax, Tunísia — Foto: Jihed Abidellaoui/Reuters
FOTO DE ARQUIVO: Voluntários do Crescente Vermelho carregam um corpo recuperado durante operações de resgate após uma embarcação que transportava migrantes sofrer uma pane no Mar Mediterrâneo, em Tobruk, Líbia — Foto: Reuters


Fontes:
Search continues in Tunisia as migrant boat sinking sparks protests
Tunisia on fire as tyre-burning riot erupts over migrant boat tragedy– 12 bodies found
Tunisia: Deaths of 12 in migrant boat sinking spark protests
Protests erupt in Tunisia after migrant boat sinks

Mídia1508

A 1508 é um coletivo anticapitalista de jornalismo independente, dedicado a expor as injustiças sociais e a noticiar as mobilizações populares no Brasil e no mundo.

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