Na Grécia, protestos eclodiram nas cidades de Atenas e Argos, após a morte de Thodoris Zavradinos Karabambas, de 20 anos, assassinado pela polícia em julho de 2026.
Thodoris era autista, tinha uma deficiência oficialmente reconhecida de 89% e estava desarmado quando uma perseguição policial terminou com pelo menos 20 disparos contra ele. Um tiro o atingiu na cabeça. O jovem morreu dias depois.
Thodoris foi inicialmente atendido em um hospital local antes de ser transferido para o Hospital Thriasio, perto de Atenas, e posteriormente para o Hospital KAT, onde foi internado na UTI com um ferimento grave por arma de fogo na cabeça. Ele passou por uma neurocirurgia de emergência, mas acabou falecendo.
Os policiais alegaram que dispararam tiros de advertência para obrigar o motorista a parar, após ele supostamente tentar colidir com viaturas policiais durante uma perseguição que durou cerca de 35 minutos. Os agentes negaram ter mirado nele deliberadamente. Imagens de câmeras de segurança mostram que a perseguição terminou depois que o jovem abandonou o carro e tentou fugir a pé, escalando um muro próximo a um prédio abandonado. Nesse momento, os policiais abriram fogo, atingindo-o com pelo menos um tiro — na cabeça.
A mãe de Thodoris contou a um canal de televisão grego que o filho era autista e que possuía um certificado de deficiência de 89%. Ela disse que ele fugiu porque percebeu que havia esquecido a carteira de habilitação em casa e entrou em pânico, após sair tarde da noite depois de um passeio na praia.
Em uma nota pública, o movimento ’Manifestação Popular’ de Argos-Micenas, afirmou, entre outras coisas, que “as declarações feitas pelo prefeito de Argos-Micenas provocam indignação e repulsa, pois ele tenta, na prática, justificar a morte de Thodoris e transferir a responsabilidade para a família dele. Atirar pelas costas em um homem desarmado que está a pé não é um ‘erro na condução da situação’, especialmente quando os disparos o atingem na cabeça e causam sua morte.”
Movimentos sociais e grupos políticos se mobilizam
“Justiça por Thodoris” foi o lema das manifestções em Argos.
Multidões reuniram-se nas ruas centrais de Argos para protestar contra a violência policial que custou a vida de Thodoris, de 20 anos. “Foi um assassinato cometido pelo Estado”, enfatizaram os organizadores.
Uma das manifestações foi realizada no dia 14 de julho em frente à antiga Prefeitura da cidade.
Em comunicado sobre o ato, o Partido Comunista da Grécia (KKE) e a Juventude Comunista da Grécia (KNE) denunciaram o caso como um assassinato cometido pelo Estado, ressaltando que ele revela “a face repugnante de um Estado hostil ao povo”, que não hesita em usar força bruta contra trabalhadores.
O movimento “Manifestação Popular” de Argos-Micenas também atendeu à convocação para o protesto. Em sua declaração, afirmou, entre outras coisas, que “as declarações feitas pelo prefeito de Argos-Micenas provocam indignação e repulsa, pois ele tenta, na prática, justificar a morte de Thodoris e transferir a responsabilidade para a família dele.
Atirar pelas costas em um homem desarmado que está a pé não é um ‘erro na condução da situação’, especialmente quando os disparos o atingem na cabeça e causam sua morte. Na realidade, este incidente trágico soma-se à longa lista de casos de violência policial e expõe a estrutura reacionária de violência e repressão utilizada para proteger políticas contrárias aos interesses do povo.
Foi um assassinato, e os policiais acusados de homicídio tiveram sua prisão preventiva decretada com razão.”
A Frente Antifascista e Antirracista de Argólida também convocou um protesto contra a violência policial na Praça Agios Petros. “A alteração da cena do crime logo após a notícia da morte de Thodoris levanta questões graves, especialmente após o surgimento, nesta manhã, de pichações em uma área cujo acesso deveria, em tese, estar proibido até a conclusão de todos os procedimentos investigativos.
Não permitiremos nenhum encobrimento! Abusos policiais não serão tolerados! Punição exemplar para os policiais responsáveis! Justiça por Thodoris!” — enfatizou o grupo em sua declaração.
Autism-Europe
A Autism-Europe é uma associação internacional cujo objetivo principal é promover os direitos das pessoas autistas e de suas famílias, bem como ajudá-las a melhorar sua qualidade de vida.
Segundo a associação, “é raro que pessoas autistas sejam baleadas pela polícia na Europa — ao contrário dos Estados Unidos, que já presenciaram muitos casos desse tipo. Mas mesmo que a morte do jovem na Grécia seja um caso isolado, interações que deveriam ser menores e rotineiras (como atravessar a rua com o sinal vermelho) frequentemente se transformam em incidentes graves.
O uso de algemas, sirenes e luzes piscantes pode ser extremamente assustador para uma pessoa autista e pode desencadear uma sobrecarga sensorial que a leva a fugir ou reagir com agressividade. Esse comportamento pode então ser interpretado erroneamente como agressão ou desobediência, em vez de sofrimento.
Dificuldades em manter contato visual, tendência à interpretação literal da linguagem, tempo de processamento mais lento e ansiedade acentuada diante de mudanças inesperadas podem fazer com que as reações de uma pessoa autista sejam interpretadas erroneamente como evasivas ou confrontadoras.”
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Fontes:
– “Justice for Thodoris” – Mass rally in Argos against police violence
– Outrage in Greece after police kill unarmed, autistic 20-year-old in Argos
– Police officers who shot 20-year-old in Argos chase face magistrate amid contested “warning shots” defence
– Death of a young autistic man shows why law enforcement needs better autism training
– 20-year-old shot by police during Argos pursuit dies
