Milhares de trabalhadores se reuniram nesta quinta-feira (19) perto do Congresso para defender empregos e protestar contra a reforma trabalhista de Milei. O governo mantém uma forte repressão policial com o objetivo de desmobilizar as manifestações.
Os manifestantes foram atacados pela polícia com canhões de água, gás lacrimogêneo e balas de borracha.
Em seguida, os agentes iniciaram uma “caçada humana” para prender pessoas que, na grande maioria dos casos, não estavam fazendo absolutamente nada além de protestar.
Entre os presos, cujo número ainda é oficialmente desconhecido, está Carlos, o aposentado apelidado de Chaca, por estar presente todas as quartas-feiras vestindo a camisa do Chacarita Juniors (Club Atlético Chacarita Juniors) no interminável protesto dos aposentados.
A operação, ordenada pela Ministra da Segurança Nacional, Alejandra Monteoliva, mobilizou um número sem precedentes de policiais que reprimiram com brutalidade um pequeno grupo de manifestantes que resistia em frente ao Congresso.

Paralisação
A greve geral contra a reforma trabalhista do presidente argentino de extrema direita Javier Milei interrompeu o transporte público, hospitais, portos e escolas em todo o país. A greve intensifica o impasse entre Milei e os sindicatos de trabalhadores, que tradicionalmente exercem grande influência, enquanto o projeto de lei enfrenta tramitação incerta no Congresso.
A maioria das linhas de ônibus e metrô parou, as fábricas suspenderam a produção, os bancos fecharam, as companhias aéreas cancelaram centenas de voos e os hospitais públicos adiaram todas as cirurgias, exceto as de emergência. Lixo acumulado nas ruas e áreas comerciais.
Uma semana após o Senado argentino ter dado aprovação inicial ao projeto da reforma, a Câmara dos Deputados começou a debatê-lo nesta quinta-feira (19).
A demonstração de força da Confederação Geral do Trabalho (CGT), a maior central sindical da Argentina, ocorre em meio à crescente frustração pela “recuperação econômica” desigual do governo Milei, com o alto desemprego e a estagnação salarial.
Os sindicatos argumentam que a lei enfraquecerá proteções trabalhistas de longa data, inclusive reduzindo as indenizações por demissão, que tradicionalmente são altas, restringindo o direito à greve, facilitando a demissão de funcionários pelas empresas e estendendo a jornada de trabalho legal de oito para doze horas.

“Membros do Congresso, ouçam esta mensagem: votar contra os trabalhadores não fica impune”, escreveu a CGT nas redes sociais, junto com fotos mostrando Buenos Aires, capital da Argentina, deserta por causa da greve. “Empregos não são negociáveis; conquistas arduamente conquistadas não são prêmios de rifa.”
O destino da reforma representa o primeiro grande teste da força política de Milei desde que seu partido, La Libertad Avanza, venceu as eleições de meio de mandato na Argentina no ano passado — com o apoio de um aliado fundamental, o presidente dos EUA, Donald Trump. Em uma medida sem precedentes, o Tesouro dos EUA ofereceu a Milei um aporte de US$ 20 bilhões antes das eleições, para reforçar a confiança do mercado em Milei e impulsionar suas chances eleitorais.
Mesmo que a reforma seja aprovada pela Câmara dos Deputados após o debate, ela precisa ser enviada de volta ao Senado para uma votação final antes de se tornar lei.
Isso porque uma cláusula adicionada no último minuto, que reduz pela metade os salários dos trabalhadores em licença por lesão ou doença não relacionada ao trabalho, gerou indignação entre os parlamentares da oposição e forçou o governo a fazer uma emenda à versão do projeto de lei aprovada pelo Senado na semana passada.
Aproximadamente 40% dos 13 milhões de trabalhadores registrados na Argentina são sindicalizados, segundo estimativas dos próprios sindicatos, e muitos são intimamente ligados ao movimento populista de justiça social conhecido como Peronismo, que liderou o governo anterior do país e dominou o cenário político por décadas.
A CGT decidiu não organizar uma manifestação em massa, e Buenos Aires permaneceu majoritariamente calma durante toda a tarde. Mas sindicatos menores e mais radicais marcharam em direção ao Congresso assim que o debate sobre o projeto de lei começou.




