Mais um caso de racismo nos EUA: policiais agridem homem negro paraplégico e o arrancam de carro pelos cabelos

Clifford Owensby, de 39 anos, apresentou uma queixa a N.A.A.C.P. (Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor), organização de direitos civis nos Estados Unidos.

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Policiais agridem Clifford Owensby, de 39 anos, homem negro paraplégico — Foto: Reprodução/Divulgação

Em 30 de setembro, um policial do Departamento de de Dayton agarrou o cabelo de Clifford Owensby, de 39 anos, e o arrastou para fora do carro. Owensby disse repetidamente que era paraplégico e que não poderia sair do carro, de acordo com as próprias imagens da câmera do uniforme do policial, divulgadas por uma TV local na última sexta-feira (08/10). O caso ocorreu em Dayton, Ohio, nos EUA.

Owensby apresentou uma queixa a N.A.A.C.P. (Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor), organização de direitos civis nos Estados Unidos, criada em 1909, como um esforço para promover a justiça para os afro-americanos contra o estrutural do país.

As imagens covardes e perturbadoras da câmera do corpo do policial gerou indignação nos EUA. Ben Crump, advogado que frequentemente representa clientes negros em casos de brutalidade policial, chamou as ações dos policiais de “inaceitáveis”.

“O DP de Dayton parou Clifford Owensby e o puxou violentamente para fora do veículo depois de saber que ele era um paraplégico que não conseguia usar as pernas”, twittou o advogado. “Os policiais devem tratar os cidadãos com respeito. Em vez disso, a não se importou com o bem-estar deste homem.”

Clifford estava dirigindo na West Grand Avenue em Dayton, Ohio, quando a o deteve. As imagens foram obtidas pela TV local WHIO News.

O policial de Dayton pode ser ouvido ordenando que Owensby saia de seu carro. Owensby responde que não pode por causa de sua deficiência.

“Eu não posso sair. Sou paraplégico”, afirma.

Uma discussão se segue, e Owensby pede ao oficial para chamar o seu “camisa branca”, ou seja, seu supervisor. Um policial então diz: “Você pode cooperar e sair do carro, ou vou arrastá-lo para fora do carro”.

O policial passa a agarrar o pulso de Owensby, que está dizendo que o policial o está machucando, mostram as imagens. Um segundo policial o agarra pelo braço enquanto ele repete que é paraplégico.

“Você está me machucando”, diz Owensby na filmagem.

Então, um dos oficiais é visto puxando Owensby pelos cabelos e arrastando-o para fora do carro.

Owensby grita de dor.

“Alguém AJUDE!” Ele grita. “Sou paraplégico!”

A então o algema enquanto ele está deitado na calçada, gritando.

Seu filho de 3 anos estava no banco de trás do carro durante a parada, segundo o advogado de Owensby, James Willis. Ele disse que entrará com um processo contra o departamento de polícia.

A racista dos

Os casos de contra pessoas negras nos são incontáveis. Em abril deste ano, em Brooklyn Center, um policial assassinou um homem negro durante uma abordagem. Daunte Wright, de 20 anos, foi morto a cerca de 15 km de onde George Floyd foi assassinado, em maio de 2020, também durante uma ação racista de policiais.

O assassinato de George Floyd despertou uma enorme onda de protestos antirracistas no mundo inteiro, impulsionando o movimento “Black Lives Matter” (Vidas Pretas Importam).

Wright foi baleado após ser parado por uma infração de trânsito. Sua mãe contou a jornalistas na época que o filho lhe telefonou para avisar que a polícia o parou por ter purificadores de ar pendurados no espelho retrovisor, algo que é ilegal no estado do Minnesota.

Floyd já estava algemado, quando o policial Derek Chauvin ajoelhou-se sobre o seu pescoço, asfixiando-o até a morte. George Floyd repetiu “eu não consigo respirar” por 27 vezes enquanto Chauvin o sufocava, durante 9 minutos e 29 segundos. Ele tinha 40 anos e havia sido detido por suspeita de usar notas falsas em um mercado.

Derek Chauvin foi condenado a 22 anos e meio de prisão pelo assassinato de George Floyd. Um dos raros casos em que o policial é condenado pela morte de um homem negro. Depois de 14 anos em regime fechado, Chauvin poderá pedir por liberdade condicional.

Mídia1508

A 1508 é um coletivo de jornalismo independente anticapitalista, dedicado a expor as injustiças sociais brasileiras e a noticiar as mobilizações populares no Brasil e no mundo.

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