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Indígenas enfrentam repressão em protesto contra PL 490

Um homem e uma mulher indígenas estão em observação no Hospital de Base em Brasília, com ferimentos graves.

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Indígena enfrenta repressão policial em ato desta terça-feira (22) — Foto: @joseruigaviao

Policiais e entraram em conflito durante um realizado esta terça-feira (22) em , contra a votação do Projeto de Lei (PL) 490/2007. A proposta, que pretende abrir as terras indígenas a empreendimentos predatórios, como garimpo, estradas e grandes hidrelétricas, está na pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

O confronto teve início no anexo 2 do estacionamento da Câmara, após os agentes atacarem com balas de borracha e bombas de efeito moral os manifestantes, que responderam com flechadas.

Um homem e uma mulher indígenas estão em observação no Hospital de Base em Brasília, com ferimentos graves. Além disso, crianças, idosos e mulheres tiveram ferimentos leves e estão em atendimento na tenda da saúde do Acampamento Levante pela Terra (ALT), ao lado do Teatro Nacional. O atendimento de urgência aos indígenas foi dificultado pela Tropa de Choque, como registrado em alguns vídeos que circulam nas redes sociais. Dois policiais – um legislativo e um militar – e um funcionário da Câmara foram atingidos pelas flechas.

“Os parentes só vieram manifestar para não ser aprovado o PL que vai acabar com a demarcação das terras indígenas, e a polícia já veio atirando bombas. Eles podem se reunir para tirar nossos direitos, mas quando a gente tenta se manifestar é tratado com truculência” afirmou a indígena Alessandra Korap Munduruku, uma das lideranças do acampamento, que reúne cerca 850 indígenas de 48 etnias. “Estamos aqui com crianças e idosos também, muita gente foi atingida, passou mal”, complementou.

“Fomos brutalmente atacados de forma covarde antes de chegarmos para acompanhar a votação. Nós temos indígenas feridos e a polícia jogou bomba em cima dos paramédicos, dificultando o atendimento” disse Dinamam Tuxá, coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

Após o protesto, a sessão na CCJ foi cancelada, com previsão de retorno para amanhã (23). A vitória parcial foi comemorada pelos manifestantes.

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