Colômbia: 21 mortos e 87 desaparecidos em repressão a protestos

Além das mortes confirmadas, foram contabilizados ainda 87 desaparecimentos em meio aos protestos, inclusive o de dois menores de idade.

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Manifestantes entram em confronto com a polícia durante protesto / Foto: Luisa Gonzalez / Reuters

Organizações sociais colombianas denunciam a continuidade da repressão das forças de segurança contra manifestantes em várias cidades do país. Desde o dia 28 de abril, quando a greve geral teve início, foram registrados 21 homicídios por intervenção policial e 503 detenções em todo território nacional. Também foram relatados 10 casos de violência sexual contra mulheres cometidas por policiais, 42 casos de abusos contra defensores dos direitos humanos e 18 manifestantes com lesões oculares.

Além das mortes confirmadas, foram contabilizados ainda 87 desaparecimentos em meio aos protestos – inclusive o de dois menores de idade – conforme denúncia divulgada nesta terça-feira (4) pela Defensoria Pública local. Ainda de acordo com o órgão, 846 pessoas ficaram feridas.

A greve foi conflagrada contra a reforma tributária apresentada na semana passada pelo governo Iván Duque, que pretendia aumentar em 19% impostos sobre serviços públicos, como gás e energia.

Ainda que o presidente tenha solicitado ao Congresso para retirar o projeto da pauta no domingo, uma conquista da paralisação, os atos continuam pedindo a revogação completa da proposta e não somente a exclusão dos pontos mais polêmicos, conforme alegou que faria Duque.

As manifestações repudiam ainda a recorrente violência estatal contra a população colombiana, a exemplo do que acontece neste momento. Segundo o instituto Indepaz, desde o início da gestão de Duque, em 2018, pelo menos 576 ativistas já foram executados no país. Outro informe aponta que paramilitares apoiadores do governo foram responsáveis por crimes que vitimaram 267 militantes de movimentos sociais.

As cidades de Palmira e Cali, no departamento de Valle del Cauca, são os maiores pontos de tensão. Os manifestantes locais chegaram a solicitar a presença de organizações de direitos humanos para verificar as violações cometidas pelo exército e pelo Esquadrão Móvel Anti-Riot (Esmad).

De acordo com informações da Telesur, apenas da cidade de Palmira, estima-se que mais de 30 pessoas estejam desaparecidas e pelo menos três foram mortas. Os agentes de segurança também são acusados de impedir o socorro aos ativistas feridos em Cali.

Episódios de repressão também aconteceram nas cidades de Popayán, Bogotá, Ibagué e Pereira.

Segundo a Colombia Informa, agência de comunicação popular, os atos devem continuar nesta semana apesar da militarização do país. Desde as primeiras horas da manhã da última segunda-feira (3), taxistas têm protestado em defesa de melhores condições de trabalho.

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