Paraguaios se revoltam contra gestão da pandemia no país

Leitos de UTI lotados, sistema de saúde à beira do colapso, falta de remédios e vacinas: crise da Covid-19 atinge seu auge no Paraguai.

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Protestos em Assunção contra a gestão do Governo na pandemia / Foto: Jorge Saenz/AP

A ira da população paraguaia contra a péssima gestão do governo durante a de chegou às ruas. Os protestos, que atingiram seu auge no início de março com intensos confrontos com a polícia, já levaram à queda do ministro da Saúde. Os manifestantes agora pedem o afastamento do presidente, o conservador Mario Abdo Benítez.

No dia 03 de março, Abdo Benítez pediu a renúncia de todos os ministros de seu governo, durante reunião com seus colaboradores mais próximos na residência presidencial de Mburuvicha Roga, para preparar um pronunciamento público, como informou o ministro das Tecnologias de Informação e Comunicação, Juan Manuel Brunetti.

Os manifestantes exigem a saída de todo o Executivo, a começar pelo próprio presidente, e não mudanças de ministros.

Foto: Cesar Olmedo/Reuters

Com recorde de infecções, leitos de UTI lotados e um sistema de em colapso, o Paraguai, assim como o Brasil, também enfrenta falta de medicamentos para tratar pacientes de Covid-19. A vacinação, além disso, avança lentamente: estima-se que apenas 0,1% da população foi imunizada.

Conflitos na capital do país

Os protestos começaram de forma pacífica, mas logo transformaram o centro histórico da capital Assunção em um de batalha. Segundo informações, uma pessoa morreu e outras 18 ficaram feridas.

As forças de segurança dispararam balas de borracha e gás lacrimogêneo nos arredores do Congresso, enquanto os manifestantes tentavam romper barricadas e jogavam pedras na polícia.

O foco dos distúrbios foi em uma área que inclui a sede da Nacional, a sede do Congresso e o Palácio do Governo. Durante os confrontos, a multidão gritava palavras de ordem contra o governo de Abdo Benítez.

Não há remédios e vacinas

Após o sindicato de enfermeiras e familiares de pacientes realizarem manifestações para denunciar a falta de suprimentos e materiais médicos nos hospitais públicos, especialmente entre os mais afetados pelo coronavírus, outras manifestações foram convocadas.

O ministro da Saúde, Julio Mazzoleni, renunciou após se reunir com Abdo Benítez, mas isso não serviu para aplacar a dos manifestantes.

Outra indignação entre o povo paraguaio é o atraso na chegada das vacinas, que por enquanto estão limitadas às 4 mil doses do imunizante russo Sputnik V que já foram direcionadas para profissionais da saúde.

Com uma população de 7 milhões de habitantes, o registra mais de 194 mil casos de e 3.700 mortes em decorrência da doença desde o início da do novo coronavírus.

Filho do braço-direito do ditador Alfredo Stroessner, Abdo Benítez foi eleito presidente em 2018, com uma campanha marcada pela defesa do liberalismo econômico e de valores conservadores.

Mídia1508

A 1508 é um coletivo de jornalismo independente anticapitalista, dedicado a expor as injustiças sociais brasileiras e a noticiar as mobilizações populares no Brasil e no mundo.

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